Nando Reis estréia show-solo em São Paulo
Fonte: Agência Estado
Postado em 23 de novembro de 2002
Por Adriana Del Ré
Longe dos Titãs há três meses, o músico apresenta-se no fim de semana na cidade. Em entrevista, ele fala de sua nova fase, de Cássia Eller e da polêmica capa da biografia da banda, que traz só os remanescentes. "A solução foi infeliz", diz.
São Paulo - O músico Nando Reis sobe ao palco do Sesc Pompéia, em São Paulo, amanhã e domingo, para apresentar seu primeiro show-solo em São Paulo, quase três meses depois de deixar o Titãs. Talvez por ironia do destino, o Sesc Pompéia serviu de cenário para a primeira apresentação da banda, em 1982, época em que ainda se chamava Titãs do Iê-Iê. Nesta minitemporada do show Infernal, Nando destaca no repertório canções de seu terceiro CD-solo, homônimo, além de composições de seus dois discos anteriores, 12 de Janeiro (1995) e Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro ( 2000). Para alegria geral dos fãs, ele não deixou de fora as letras que compôs enquanto fez parte do antigo grupo, como Marvin e Os Cegos do Castelo. "É um show em cima das minhas músicas", enfatiza. "Uma das coisas que ocorreram depois que saí do Titãs é que eu só canto minhas músicas. Elas estão associadas a mim e não vejo problema em cantá-las."
Também não se esqueceu da amiga Cássia Eller. Pensando nela, vai cantar Luz dos Olhos. Ainda pensando nela, produziu o novo disco de inéditas da saudosa intérprete, que será lançado em dezembro, mês em que se completa um ano de sua morte. O compositor dedicou-se ao projeto durante o ano todo. "Mas praticamente pude trabalhar nas gravações nos meses de setembro e outubro."
Nando está feliz com a nova fase, promissora. Até o fim do ano, está com a agenda repleta de shows, num total 13 apresentações, passando pelo Sul e Nordeste do Brasil. Já pensa num próximo disco, que deve gravar a partir de fevereiro. "Tenho idéias de combinações para o próximo trabalho, mas tudo são suposições", diz. "Até a gravação, devo e quero fazer mais coisas, aproveitando toda a novidade desse momento." Não é pouca novidade para quem passou os últimos 20 anos como um Titã. Em entrevista, o músico fala sobre a nova carreira, a saída do Titãs e a polêmica capa da biografia da banda, A Vida Até Parece uma Festa - Toda a História dos Titãs, que reúne somente os cinco integrantes remanescentes.
O que mudou na sua rotina com a carreira-solo?
Nando Reis - Assim que saí do Titãs, pude usar o tempo que fiquei sem fazer shows para terminar o disco da Cássia (Eller), que me obrigou a ir muito ao Rio. Saí dos Titãs para ter tempo e ter o controle desse tempo, de uma maneira muito diferente quando se está numa banda. Quem manda é a banda. Embora pareça tudo muito democrático, às vezes não é, você tem de acatar, não há possibilidade de negociação. Minha carreira individual foi adquirindo tamanho tão grande, que precisei escolher. Agora, quero aproveitar ao máximo estar sozinho, decidir. Estou ainda aprendendo a exercer tudo isso.
Existe cobrança do público por sua saída?
Existe. E acho natural que os fãs do Titãs se ressintam, que alguns fiquem com raiva, mas a maioria das manifestações é de incentivo. Acho que tenho identidade própria, embora eu sempre vá ser um ex-Titã. Fui durante 20 anos e sempre serei. Metade da minha vida, passei na banda. Mas isso não é ruim. Só agora, com esta separação, o mal-estar, o ressentimento. Mas acho tudo isto uma bobagem perto da quantidade de coisas legais que a gente fez. Basta ver o livro (A Vida até Parece Uma Festa), que está contando uma história de sucesso, amizade.
Você leu o livro?
Li praticamente o livro inteiro. Enquanto foi feito, os autores mandavam os capítulos para a gente. Contribuí muito com o livro, tenho um arquivo enorme que emprestei a eles. Quando falei que fiquei chateado com a capa, não foi chateado de criancinha. Eu e o Marcelo (Fromer) construímos, nesses 20 anos, a história que está sendo contada lá. Não acho representativo para o conteúdo do livro uma capa que nos exclua. E por um motivo bobo, que é por eu ter saído do Titãs. Entendo as dificuldades de escolha numa situação dessa, só que a solução adotada foi infeliz.
Você mantém contato com algum dos titãs?
Não, a gente está distante. Acho isso absolutamente natural. Me sinto amigo de todos. Não tenho mais do que um monte de bobagens para lamentar e o que sobra é uma grande amizade, de 20 anos, que espero que possa viver os próximos 20. Daqui a pouco, a gente volta a se encontrar.
E o disco de inéditas da Cássia Eller?
Está pronto. É um disco com 11 faixas, gravado em cima de voz e violão, e vai sair em dezembro. É tudo que posso dizer, o disco vai ser lançado daqui a duas semanas. E o CD não é meu.
Como era sua relação com Cássia Eller?
De parceria e amizade muito boa. Fizemos dois discos lindos, que me encheram de gratificação e promessas. A morte dela foi um golpe, fiquei sozinho no que imaginava estar o rumo da minha vida. O sentido desse disco é um pouco de vingança contra o destino.
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