Defensor da guerra, Johnny Ramone lança tributo
Fonte: Folha Ilustrada
Postado em 28 de março de 2003
THIAGO NEY
da Folha de S. Paulo
Johnny Ramone não é Michael Jackson, mas considerá-lo uma das figuras mais esquisitas do mundo guiado pelas guitarras não soa tão fora de lugar.
Pergunte a qualquer punk, ex-punk, aspirante a punk -americano ou não- o que ele pensa sobre 1) George W. Bush; 2) a guerra no Iraque. Bem, se o diálogo for com Johnny, 1) "um ótimo e esforçado presidente"; 2) "necessária, sou totalmente a favor".
Por contraditório que seja, o sujeito que com os Ramones criou o movimento antimilitarista (e não-direitista em sua essência) que recriou o rock é das poucas vozes hoje no showbiz a não soltar farpas à ofensiva dos EUA no Oriente Médio.
"É necessário tomar esse tipo de atitude em certos momentos. Saddam é um problema para a paz mundial, ele precisa ser tirado do poder", afirmou Johnny, 54, à Folha, em entrevista nesta semana, por ocasião do lançamento no Brasil de "We're a Happy Family - A Tribute to Ramones", disco que junta artistas tão diversos como U2, Garbage e Metallica tocando versões de músicas da histórica banda nova-iorquina.
O guitarrista dos Ramones nunca escondeu o conservadorismo político. Seu posicionamento anticomunista e a admiração pelo então presidente Ronald Reagan (1981-1989) foram algumas das razões de sua briga com Joey (1951-2001), o líder da banda, no início dos anos 80, e que afetaria o grupo depois (deve-se levar em conta que o fato de Johnny ter ficado com uma namorada de Joey também contribuiu para a rixa).

"Estou otimista quanto à guerra. E quase todos aqui [nos EUA] têm essa opinião. Cerca de 75% dos americanos estão a favor da guerra", continua Johnny.
"Não sou a favor de guerras, não gosto de ver gente inocente morrendo. Espero que os estragos não sejam muitos e que isso dure pouco tempo", finaliza o guitarrista.
O tributo
Com seu primeiro show, em 1974, época em que o parâmetro de qualidade perseguido pelas bandas de rock era a técnica erudita, os Ramones deram o chute que iniciou o punk. Diversão e garotas, principalmente, era o que estava nas mentes de Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy, presentes em suas curtas e diretas músicas. A bandeira política do movimento seria erguida lá no alto depois, por grupos como Sex Pistols, Black Flag e The Clash.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | As mortes de Joey (2001) e de Dee Dee (2002) destruíram de vez qualquer esperança de uma reativação da banda, que havia acabado em 1996. A sede por Ramones pode ser saciada -apenas em pequena parte, é verdade- com este "We're a Happy Family".
Já apareceram outros tributos ao grupo -no Brasil, em 99 (nos EUA, em 91), foi lançado "Gabba Gabba Hey", com Bad Religion, L7 e outras bandas independentes. Este concentra o mainstream.
"Liguei para alguns amigos, como Eddie Vedder [Pearl Jam], para os Chili Peppers. Levou um tempo para juntar todo mundo", disse Johnny, produtor executivo do disco ao lado de Rob Zombie.
"As bandas tiveram liberdade de escolher as músicas e fazer o que quisessem com elas."

Assim, os Pretenders desaceleram "Something to Believe In", o Kiss coloca peso em "Do You Remember Rock'n'Roll Radio" e "Returns of Jackie & Judy" é temperada com blues por Tom Waits.
Parte da renda obtida com a vendagem do disco vai para uma fundação americana de combate ao câncer linfático -doença que acarretou a morte de Joey. Mas mesmo o propósito beneficente não encobre os desacertos de algumas versões presentes (como "Beat on the Brat", por U2, "The KKK Took My Baby Away", por Marilyn Manson, "I Just Wanna Have Something to Do", por Garbage).
"A minha favorita é a de Eddie Vedder ["I Believe in Miracles']. Outras prediletas são as de Kiss, Garbage e Red Hot Chili Peppers ["Havana Affair']", disse Johnny.

Documentário
Em maio, está marcado para estrear no Tribeca Film Festival, de Nova York, um abrangente documentário sobre os Ramones. "End of the Century: The Ramones Story" terá depoimentos de integrantes de Clash, Blondie, Sex Pistols e de membros do quarteto nova-iorquino. As cenas mostram toda a carreira da banda, desde a sua fundação até a entrada do grupo para o Rock & Roll Hall of Fame, no ano passado.
"Vi o filme... É muito "dark", pesado, triste. Mostra as brigas, os problemas que tivemos com drogas e também os pontos altos, como as nossas passagens pela América do Sul. É bem verdadeiro", afirma Johnny.
Um outro documentário, "Hey! Is Dee Dee Home?" (Hey! Dee Dee está em casa?), sobre a vida do baixista da banda, também está com data de lançamento prevista para este ano nos EUA.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
Bangers Open Air tem datas confirmadas para 2027
O guitarrista que fazia Lemmy perder a paciência; "era só pra me irritar"
A banda de metal que Lars Ulrich achava inalcançável, mesmo sem virar gigante como o Metallica
O grande problema que invalida o documentário do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Derrick Green anuncia estar formando nova banda para o pós-Sepultura
A canção que Page e Bonham respeitavam, mas achavam que nada tinha a ver com o Led Zeppelin
Elton John revela qual o maior cantor de rock que ele ouviu em sua vida
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
Faixa de novo EP do Sepultura remete à música do Black Sabbath cantada por Ian Gillan
A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Cabeça Dinossauro" dos Titãs
A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
O hit dos anos 1960 que está entre as melhores músicas da história, segundo Slash
Os motivos que fizeram Iggor Cavalera recusar reunião com o Sepultura, segundo Andreas Kisser
Megadeth inicia turnê sul-americana, que passará por São Paulo; confira setlist
David Coverdale revela quem quis como substituto de Ritchie Blackmore no Deep Purple
O dia que Lobão precisou defender Maitê Proença das investidas amorosas de Prince
"Faríamos música se Freddie estivesse vivo, mas não sei de John", diz baterista do Queen

A diferença do Ramones para o New York Dolls e The Stooges, Segundo André Barcinski
Angus Young disse que uma banda gigante era "um Led Zeppelin de pobre"; "isso é ridículo"
O maior disco da história do punk, segundo a Rolling Stone
A curiosa história de "I Wanna Be Sedated", uma das músicas mais divertidas dos Ramones
Classic Rock divulga lista das 50 maiores bandas de Rock de todos os tempos

