Excitante: Imprensa dos EUA destaca volta do Hard dos 80s
Por João Renato Alves
Fonte: Time Magazine
Postado em 24 de outubro de 2007
Uma matéria publicada na revista Time, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos, exaltou o sucesso das turnês de verão (no hemisfério norte) protagonizadas por bandas da cena Hard/Heavy dos anos 80, além da excursão do HEAVEN AND HELL em solo norte-americano.
Confira o artigo, intitulado "Eles vieram dos anos oitenta", e assinado por Kris Osborn:
Se a reunião do VAN HALEN lhe fez sentir-se como se tivesse entrado em uma máquina do tempo... onde você esteve durante todo o verão? Don Dokken gritava "Unchain the Night" para centenas de fãs em Springfield, Virginia, enquanto acordes de guitarra cortantes e estridentes rasgavam a escuridão. Algumas semanas depois, no mesmo lugar, Stephen Pearcy, vocalista do RATT, esticava o microfone para a platéia, que cantava "Round and Round" enquanto corpos se chocavam e punhos se erguiam no ar. Em Thorpe, Pensilvania, Jani Lane, ex-WARRANT, cantava a clássica balada "Heaven" enquanto milhares de telefones celulares e isqueiros iluminavam o ar. E, para não ficar de fora, Vince Neil, vocalista do MOTLEY CRUE, tocava "Looks That Kill" com a platéia de Ocean City, Maryland, acompanhando a letra.
A temporada de concertos de verão levou a América de volta aos anos 80, com medalhões do Hard Rock da época voltando a excursionar, atraindo multidões, com novos fãs, além de quem acompanhou tudo isso pela primeira vez há 25 anos. Quem excursionou? TESLA, DOKKEN, GREAT WHITE, WINGER, WARRANT, QUEENSRYCHE, POISON, RATT, Vince Neil, FIREHOUSE, QUIET RIOT, OZZY OSBOURNE, L.A. GUNS, WHITE LION, SKID ROW e BLACK SABBATH (HEAVEN & HELL). "Apesar de duas décadas terem se passado, as pessoas ainda gostam de bater cabeça, erguer os punhos e se divertir", diz Jeff Albright, presidente da Albright Entertainment Group e representante de inúmeros representantes da cena. "As oportunidades estão provavelmente maiores do que jamais estiveram", declara Albright, referindo-se a novas tecnologias, como DVD e downloads via iTune.
Em alguns casos as platéias rivalizaram com as encontradas nos anos 80. RATT e POISON realizaram uma longa turnê onde tocavam regularmente para públicos entre 8 e 10 mil pessoas. Pearcy, vocalista do RATT, diz notar uma base de fãs mais jovens emergindo, formada por quem nasceu após o lançamento do multi-platinado "Out of the Cellar", clássico do RATT de 1984. "Está acontecendo um gradual crescimento novamente. Isso é Rock n' Roll - colorido, perigoso e excitante", declara Stephen.
"O Rock é algo que sempre estará por aí de cabeça erguida. Não sei se chegará ao nível de popularidade dos anos 80, quando era normal tocarmos para platéias entre 20 e 30 mil. Muitas pessoas que aparecem nos shows nos ouvem há anos. Eles trazem seus filhos, que conhecem a história. É legal ver a segunda geração de fãs do QUEENSRYCHE surgindo", declara Geoff Tate, vocalista do QUEENSRYCHE, que excursionou com o BLACK SABBATH (HEAVEN AND HELL) nesse verão, tocando para platéias de mais de 10 mil pessoas.
Performances ao vivo fazem parte do apelo. "Há um sentimento místico entre o público e as bandas que não pode ser capturado em um DVD. É algo antigo, difícil de explicar, mas que você sabe quando está lá. Como um 'performer' acho isso incrivelmente intoxicante", diz Tate.
"É muito legal tocar essas músicas em shows lotados e ver garotos de 12, 13 anos com camisetas do ‘Shout at the Devil’", diz o vocalista do MOTLEY CRUE, Vince Neil. "A essência do Rock é algo que prende os garotos. Isso é o que o MOTLEY CRUE sempre foi, a música e o show. Estamos em nosso melhor momento agora. Essa é a hora". O MOTLEY CRUE planeja gravar um novo álbum no inverno norte-americano.
Dokken afirma que continua a ter inspiração graças aos leais fãs, incluindo um considerável número de militares americanos. Em um recente show em Oklahoma, Dokken mostrou com um spotlight um marinheiro na fileira em frente ao palco. "Esse cara estava à direita, na fila da frente, uniformizado. Então o agarrei e o levei ao camarim. Ele disse que recém tinha voltado do Iraque, tinha sobrevivido e queria ver o DOKKEN".
Se DOKKEN e outras bandas de cabeludos dos anos 80 seguirem o caminho, estarão por perto para receberem as tropas. Como diz Stephen Pearcy, "quando tiver 60 anos e for um avô legal, ainda estarei detonando".
A matéria pode ser lida em inglês no link abaixo (incluindo fotos).
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