Arch Enemy: "não precisamos vender muito para ter sucesso"
Por Samuel Coutinho
Fonte: live-metal.ne
Postado em 17 de setembro de 2011
Jeff Maki do Live-Metal.net conduziu uma entrevista com o guitarrista Michael Amott do ARCH ENEMY. Alguns trechos da conversa seguem abaixo.
Live-Metal.net: Em uma resenha feita em meu site, eu descrevi "Khaos Legions" como se fosse a terceira parte de uma trilogia, juntamente com os álbuns anteriores, "Wages Of Sin" e "Anthems Of Rebellion ". Você consideraria isso uma declaração exata de minha parte?
Michael Amott: Pode ser o que quiser que ele seja. Para nós, é apenas mais um álbum. Mas sim, eu posso ver algumas semelhanças com ambos os registros. Mas eu acho que nós meio que tentamos fazer coisas diferentes ao longo desse caminho. Cada novo álbum é uma espécie de reação ao álbum anterior. Se fazemos um álbum mais pesado, no próximo iremos seguir um conceito diferente. Mas sempre terá aquele elemento a mais, bem no estilo metal extremo do Arch Enemy: Angela Gossow nos vocais, as guitarras, o baixo, a bateria e tudo mais.
Live-Metal.net: Quer dizer que não houve nenhum acordo da banda, em querer voltar ao mesmo som dos álbuns mais antigos?
Michael Amott: Bem, eu acho que em "Rise Of The Tyrant", começamos a voltar para solos de guitarra e harmonias que fazíamos no passado. Mas eu acho que toda essa mistura no álbum pode deixá-lo mais chato. Pode não parecer tão bom, sonoramente. Mas acho que deu certo com "Khaos Legions". Há muita clareza no som, e boas canções. Então eu acho que estamos indo bem.
Live-Metal.net: Qual é o significado de "Khaos Legions"? Tem alguma coisa a ver com os fãs do Arch Enemy, ou há um conceito geral no título?
Michael Amott: Angela escreveu um monte de letras, e ela veio com o título também. Acho que no álbum tem várias partes que falam do caos e da criação do mundo. Somos ateus, por isso acreditamos na ciência e que o mundo foi criado a partir do caos - a teoria do Big Bang. Então tem tudo isso, mas há também uma tendência um pouco política nas letras. Estávamos inspirados no que estava acontecendo na África do Norte enquanto escrevíamos.
Live-Metal.net: Eu realmente gosto da capa do álbum. Eu acho que até lembra as capas do IRON MAIDEN. Não sei se você concorda.
Michael Amott: Sim, musicalmente sempre fomos uma banda que leva o metal tradicional em nosso som. Mas gráficamente, no passado, nós seguimos uma abordagem um pouco fora do metal tradicional. Então, nós apenas pensamos que seria legal ter algo assim, e no formato em vinil também. E é exatamente como você disse, algo no estilo JUDAS PRIEST.
Live-Metal.net: Ao fazer um álbum, vocês não pensam em fazer uma música um pouco diferente? Particularmente, aqui nos EUA, eu me deparei com um monte de gente que simplesmente nunca ouviram vocês. Eu não estou falando para vocês mudarem de estilo, mas talvez fazer algo mais acessível às rádios, talvez igual ao "Black Album" do METALLICA. Vocês considerariam um crossover mais fácil de atrair o público?
Michael Amott: Essa é uma boa pergunta, uma pergunta difícil, realmente. Se pudéssemos fazer isso, faríamos. Mas tudo acontece naturalmente, e se você escreve uma canção que tem algum potencial mais "pop", então você precisará de toda a estrutura necessária, uma boa gravadora para dar um empurrão a mais na hora de promover nas rádios e coisas assim. E nós simplesmente não somos este tipo de banda. Nós temos orgulho do nosso tipo de música. Eu vejo um monte de bandas de metal que realmente tentam um lugar nas rádios. Elas estão se entregando a esse mundo pop agora, tanto na música, no som, aparência, o jeito que elas se apresentam, etc. E eu acho que esse tipo de coisa é meio forçada. Então, nós não precisamos disso. Não temos vocais limpos em nossos álbuns. Todos nós viemos do underground, onde nos importamos somente com a música extrema.
Live-Metal.net: Está havendo uma grande repercussão agora com o "Big Four", e uma das bandas que eu realmente respeito, das quatro, é o SLAYER, porque eles tem o verdadeiro caráter de uma bada extrema. Pessoas que chegam onde eles estão agora, tentam fazer uma música para tocar nas rádios, mas eu nunca ouvi uma músicas deles nas rádios. Eles defendem suas idéias e sempre permaneceram fiéis no que acreditam.
Michael Amott: Quando eu cresci, eu queria entrar em uma banda de metal extremo. Eu queria ser thrash, e eu sempre ouvia SLAYER, MEGADETH e METALLICA, é claro. Todas essas bandas, além de um pouco de hardcore e punk, também. E eu nunca realmente pensei que a música seria minha carreira, que eu poderia ter isso como um trabalho. Mas agora depois de todos estes anos, o Arch Enemy faz muito bem o seu papel. Mas da nossa maneira, musicalmente. Nós não precisamos vender muito, para ter um sentimento de satisfação.
Leia a entrevista completa no Live-Metal.net.
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