Compact Discs: O YouTube matou o formato?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 07 de janeiro de 2012
Parece bem claro que o compact disc está a caminho de tornar-se obsoleto. As vendas estão caindo, o digital é o futuro e um artigo muito discutido no mês passado publicado pela revista Side Line sugeriu que 2012 pode ser o último ano que CDs sejam até mesmo prensados industrialmente. Para discutir o assunto, juntamos um painel respeitável de estudiosos para olhar para as mudanças na distribuição de música, e fazer uma pergunta: o YouTube e Justin Bieber trouxeram o fim do CD? Ben Kaplan moderou a discussão.
OS FORMADORES DE OPINIÃO DESSA SEMANA:
- Ron Centefelli, professor adjunto da Sauder School of Business, Universidade de British Columbia, onde ele estuda o papel da tecnologia nos negócios.
- Muneshine, artista performático, atualmente na turnê Train of Thought no Canadá.
- Shauna de Cartier, presidente de gravadora Six Shooter Records.
Ron: A razão mais básica que eu posso dar para a morte do CD é que o CD é apenas um pacote, uma ‘caixa’. A indústria musical tem um longo histórico de mudar de um tipo de pacote para o outro. Os cilindros do fonógrafo de Edison, discos de borracha e de vinil, cartuchos 8-tracks, fitas cassete, etc. Acontece que a nova caixa é digital. O CD está seguindo o mesmo caminho dos cartuchos de 8 pistas.
Muneshine: O varejista de CD é história antiga. Como resultado, as grandes gravadoras estão ficando espertas. Eu não acho que o CD esteja necessariamente obsoleto. Sempre haverá um mercado para porções físicas de música (como de qualquer forma de arte), ele simplesmente se torna um item de colecionador, especialmente quando é vendido do artista para o fã.
Shauna: Além de algumas lojas independentes, o varejo está morto – e já faz um tempo. O compact disc em si ainda não está morto, ainda é o que as pessoas tocam em seus carros. Também é o que as pessoas tocam em suas casas. Claro, há pessoas que têm estações de iPod com caixas de som vagabundas, mas a maioria das pessoas não tem um equipamento digital de ponta ligado em suas salas. Vendas nos locais de shows correspondem a uma larga fatia da renda de discos e ainda vendemos consideravelmente pelo correio. Demora um pouco para as pessoas se adaptarem à tecnologia.
Ron: O que é mais interessante não é se o vinho vem numa garrafa ou numa caixa, mas o impacto que o novo formato digital tem sobre as gravadoras, artistas e consumidores. Ele está fazendo com que um ciclo se encerre. Antes da indústria musical aparecer uns 100 anos atrás, o dinheiro vinha dos shows ao vivo. A indústria musical bilionária nasceu da produção da música em forma de discos, etc. Agora com a facilidade do compartilhamento de arquivos, a renda da indústria da música está encolhendo (1999 = pico de receita = Napster). Os shows ao vivo podem estar retornando como uma fonte primária de renda.
Bem: Então o que aconteceu com essa tecnologia? Eu gosto de CDs!
Shauna: Eu conheço pessoas que só ‘ouvem’ música no YouTube.
Ron: Bain fé uma análise interessante das vendas de formatos. Todo formato chega, tem seu auge e some. Os CDs não são exceção no sentido de que estão desaparecendo, mas sempre haverá um mercado com um nicho para colecionadores. Afinal, algumas pessoas ainda estão comprando o cavalo e o buggy. O que é diferente no CD é a rapidez da queda. Os gráficos sugerem que os CDs terão perto de zero em vendas por volta de 2014.
Muneshine: O YouTube definitivamente se tornou uma fonte primária de música, especialmente para as pessoas mais jovens. Como artista, eu sou um usuário e grande apoiador do BandCamp (um serviço digital de distribuição online que permite que você venda seus Cds e outras mercadorias através do site deles).
Bem: Os CDs podem ser uma cápsula defasada, tal como Ron sugeriu, mas as pessoas já pararam de pagar por música?
Muneshine: Eu não acho que vender música seja algo do passado, mas não há como contestar seu drástico declínio. O que precisa ser aceito é que a indústria musical evoluiu para algo totalmente novo. As gravadoras precisam adotar essas mudanças e parar de tentar encaixar um quadrado numa roda. Todo mundo está segurando as pontas. Só aqueles dispostos a mudar com os tempos continuarão relevantes.
Shauna: O que também é diferente é a queda nos rendimentos como um todo. No passado, novos formatos dominaram e as vendas continuaram a subir. Agora estamos vivendo uma queda na renda que parece que também irá para próximo de zero. Então isso efetivamente levará as gravadoras à bancarrota. O problema é que as gravadoras fornecem o serviço essencial de marketing do artista, o que propulsiona a indústria de shows. Sem isso, estamos encarando a realidade de muitos poucos artistas novos se destacarem. Se você olhar aos números da PollStar, verá que os shows que mais faturam são na maioria das vezes de artistas com mais de 60 anos de idade.
Ron: Shauna levantou uma excelente questão. Na minha opinião, as gravadoras precisam mudar de promotores e distribuidores para consultores e capital empreendedor. Mais uma parceria com o artista do que ‘dono’. Falando de astros do rock das antigas, a faixa que mais compra CDs hoje em dia é de 45 anos pra mais.
Shauna: Quem vai pagar pela consultoria? Os artistas não têm dinheiro. E onde está o lucro para os empreendedores se as vendas caírem pra zero? Quem se importa com propriedade quando ela não vale de nada: As gravadoras vão morrer em breve, e os editores musicais em seguida.
Bem: se os CDs se forem, e gravadoras e editoras com eles, vamos celebrar o Compact Disc. Quem soa melhor em CD?
Muneshine: A Tribe Called Quest
Shauna: Eu gostaria de chamar a atenção para o meu último lançamento, Whitehorse (a nova banda de Melissa McClelland e Luke Doucet).
Ron: Eu não sei se eles soam melhor em CD, mas eu estou ouvindo a ‘Whip It’ do DEVO nesse momento e soa do mesmo jeito que o cassete que eu comprei em 1980.
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