Soulfly: Max, o Villa Lobos do Metal, desembarca no Brasil

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Nacho Belgrande, Fonte: site do LoKaos Rock Show
Enviar Correções  

Nesse dia 25/02, apresenta-se em São Paulo, a banda fundada – e liderada tribalmente – por MAX CAVALERA, o SOULFLY. Será uma das raríssimas ocasiões em que Max aporta para show no Brasil, e tal evento, a despeito de local, dia, ou hora, tem sempre uma importância cuja magnitude ainda parece não ser percebida pelo povo brasileiro.

publicidade

Tal qual o maestro Heitor Villa Lobos na década de 20, o Sepultura (grupo que dispensa apresentações) foi até a Europa e firmou o Brasil como centro exportador de músicos de Heavy Metal, o que até então só não era impensável porque no imaginário internacional chegava a cair no ridículo. Quando Max, molambo e pobre, se passou por um funcionário da extinta Pan Am para levar cópias do disco ‘Schizophrenia’ debaixo do braço até Nova Iorque, ele não estava somente tentando vender seus peixes para as gravadoras gringas: ele estava fazendo algo que dentro da história da música brasileira, só encontra similares na Semana de Arte Moderna, no surgimento da Bossa Nova e no Tropicalismo. Ele começou ali a sedimentar uma nova mentalidade em todo e qualquer músico brasileiro que quisesse ter uma carreira que não dependesse da Rede Globo, de clipes dirigidos pelo Boninho para serem exibidos no Fantástico, ou pular como um mico no Cassino do Chacrinha. Entre tantas bandas que chegaram ao cúmulo da pretensão de se acharem com potencial para gravar em inglês e tentar o mercado estadunidense ou inglês (vide RPM), Max e seus asseclas tinham outro plano.

publicidade

Todo o movimento que foi construído com o Sepultura – que tem um legado irretocável até hoje – teve sequência com o SOULFLY, que ele fundou após romper com seu antigo grupo no fim dos anos 90. A criação do Soulfly equivale ao ‘estalo’ que Villa Lobos teve quando percebeu que por melhor músico que fosse, não havia propósito em tentar copiar os Europeus – ele sempre estaria dois passos atrás. Daquele momento em diante, o maior maestro da nossa história optou por inserir a rica musicalidade brasileira no meio erudita europeu, e isso acabou diferenciando-os de seus esnobes colegas do velho continente e estabelecendo sua reputação de gênio.

publicidade

É exatamente o que Max fez – e continua fazendo. Ao invés de gravar um ‘Arise’ a cada dois anos, o guitarrista e vocalista preferiu explorar todas as sonoridades que lhe tinham sido embutidas por sua infância no Brasil e suas viagens ao redor do globo. O que já se esboçava nos dois últimos álbuns do Sepultura com ele, ‘Chaos A.D.’ e ‘Roots’ tomou forma bem definida com o primeiro disco «em 1998» de uma série de obras que o tornaram ainda mais famoso – em especial nos EUA—do que sua ex-banda.

publicidade

Caso você não seja grande fã do Sepultura, ou do Soulfly, ou mesmo de Metal, ainda assim considere assistir à performance sempre nuclear de Max no palco (o que já lhe custou um joelho) no Via Marquês, às 19 horas, nesse sábado. Um dia, você poderá ajudar seu filho – ou neto – com o dever de história da escola dizendo que viu Max Cavalera ao vivo, tocando, no auge de sua carreira.

publicidade

VIA MARQUÊS
Av. Marquês de São Vicente, 1589 – Barra Funda – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3615-2060.




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Guns N' Roses: álcool, drogas e intrigas nos primórdios da bandaGuns N' Roses
álcool, drogas e intrigas nos primórdios da banda

Sonho de Consumo: os 10 palcos de shows mais desejadosSonho de Consumo
Os 10 palcos de shows mais desejados


Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

Mais matérias de Nacho Belgrande no Whiplash.Net.

WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin