Lobão: cantor proíbe músico alagoano de usar seu apelido

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Por Breno Airan, Fonte: Rock na Velha
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Matéria de 04/04/12. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

João Luiz Woerdenbag Filho hoje tem 54 anos. Pelo nome, ele não é tão conhecido. Mas com sua alcunha, obteve notoriedade no mundo da Música, sobretudo construindo os pilares do rock nacional nas décadas de 1980 e 1990.

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O cantor, compositor, produtor, ex-baterista da banda Blitz e agora apresentador de TV teve de tudo na vida. Ele, Lobão, nasceu num ambiente promissor – aos seis anos ganhou sua primeira bateria de brinquedo e aos 13, uma profissional – e teve a oportunidade que poucos têm em toda uma vida de tentativas e esboços artísticos.


Já em Alagoas, Anivaldo Luiz da Silva, de 35 anos, tenta um espaço na grande mídia a fim de mostrar o que produz: um Brega Rock de qualidade em sua banda Cheiro de Calcinha e seus filmes eróticos que faz em tomadas peculiares.

“Bem, não é todo mundo que quer eternizar sua intimidade diante de uma câmera, mas sempre aparece alguém”, comenta ele.
Recentemente, ele conseguiu aparecer num programa de TV e o fato ganhou certa repercussão. No dia 17 de novembro do ano passado, ‘Lobão das Alagoas’, como Anivaldo está sendo chamado, foi entrevistado por Danilo Gentili, apresentador do ‘Agora é Tarde’, da Band, e foi parar no Youtube. Virou webhit.

E isso intrigou o ‘Lobão do Rio de Janeiro’, o músico conceituado. Dessa forma, seus advogados mandaram uma notificação impedindo de Anivaldo usar o apelido que conquistou ainda na juventude.

Paranoia

De ascendência holandesa, em certos pontos de sua longa carreira – sem dubiedade –, o carioca Lobão, como que uma 'laranja mecânica', atropelou alguns 'obstáculos' por seu caminho.

Ele sempre teve essa paranoia de estarem o imitando; de estarem o perseguindo – e isto mesmo sem que estivesse sob efeito de drogas.

Em 1999, por exemplo, era lançado "A Vida É Doce", que chegou a 100 mil cópias vendidas em todo o país. Número este de certa relevância, já que os contemporâneos de Lobão só estavam lançando álbuns em formato acústico e nenhum de estúdio.

E, na obra, uma música em especial: "Vou Te Levar". A canção, segundo o compositor, foi feita em exatos 15 minutos enquanto esperava a esposa do lado de fora da aula de computação dela.

“Xurupito”, como era chamado por amigos e sobretudo pela mãe em sua infância, achava que ia morrer a qualquer momento e andava com um enfermeiro do lado, 24 horas por dia, tamanha sua paranoia.

À época, inclusive, ele tentou se matar. Certo dia, meio bêbado, pegou um canivete suíço e atravessou superficialmente suas veias dos pulsos e foi direto para a janela, a fim de pular. Alguém o segurou. Seu anjo.

Precisou de tudo isso, de todo esse karma, para entender que não era bem assim.

Contrito, ele estava começando a perceber o quanto tinha errado.

Em 2001, quando o cantor e guitarrista do Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna – com quem teve discussões durante 17 longos anos –, caiu de ultraleve e ficou paralítico, mais uma vez, o músico viu que era hora de parar a 'locomotiva holandesa'.

Novo capítulo

Recentemente, Lobão entrou na Justiça exigindo que um também músico e produtor, mas dessa vez alagoano, parasse de usar "seu" apelido – como se ninguém pudesse ter um cognome parecido ou idêntico ao de outrem.

Anivaldo Luiz da Silva, 35, conhecido como Lobão e chamado como tal desde a adolescência, afirma que "o Lobão 'original' tem toda a razão de querer preservar seu nome, sua marca, que demorou tanto a erguer".

A 'confusão' toda começou depois de Anivaldo ir até o programa "Agora É Tarde", da Band, e virar fenômeno na internet, com mais de 38 mil visualizações no Youtube.

O caso chegou até os agentes do músico carioca, 'detentor dos direitos' sobre o apelido, o qual pediu a retirada do mesmo sob qualquer hipótese.

Mais uma vez, Lobão (o de ascendência das terras dos irmãos Van Halen) e sua paranoia. Palavra!

Voltando à questão Herbert Vianna, de 1983 a pelo menos 1999, eles não se batiam. No entanto, o líder dos Paralamas era grande fã de seu trabalho.

Em entrevista, ele chegou a dizer que, se ouvisse o nome do Herbert, ficava transtornado. "Eu queria matar o Herbert; esganar o Hebert".

Em seu livro autobiográfico, lançado em parceria com o jornalista Claudio Tognolli, em 2010, das 871 páginas que escreveu - pelo menos dois terços disso foi jogado fora -, Lobão reservou um espaço para falar de sua 'treta' com Vianna.

Em 1982, Lobão lançava o play "Cena de Cinema"; os Paralamas, "Cinema Mudo", no ano seguinte. Ele compõe o megahit "Me Chama" - interpretado por diversos músicos populares -, em 1984, e Herbert e cia., "Me Liga", no mesmo período.

Pouco depois, lança "Revanche", com um conceito de que 'a favela é a nova senzala', justamente o que foi usado em "Alagados", de 1986, um dos maiores 'Sucessos dos Paralamas'. E diversas outras coincidências que deixavam Lobão transtornado.

Único

Anivaldo Luiz da Silva, o recém-ex-Lobão-das-Alagoas, teve uma infância difícil. Filho único - ele diz que é, “pelo menos, do mesmo pai e da mesma mãe. Mas tenho uma irmã” - e nascido na comunidade Vila Brejal, no bairro da Levada, em Maceió, a oportunidade de crescer na vida tinha um percentual muito pequeno.

A possibilidade de que ele entrasse no mundo das drogas era latente - às vezes, a única forma de prazer para as pobres crianças alagoanas, às margens da miséria.

Estoico, impassível a qualquer adversidade, Anivaldo sempre procurou um rumo.

E, encostado no umbral da porta de sua casa, via a inocência ganhar nova forma. Homicídios em via pública, corrupção atingindo em cheio as bases e os pilares de uma sociedade fadada ao caos. Chão de barro. Os mesmos pés cheios de calos foram até São Paulo - diz a lenda que é lá o point, a terra prometida dos ditos nordestinos.

Ainda na adolescência, ele deixou o cabelo crescer e recebeu o apelido que carrega(va) até hoje.

Era janeiro de 1991, e o Rock in Rio ganhava sua segunda edição... no Rio de Janeiro, claro.

Artistas como Guns N' Roses, Judas Priest, Megadeth, Queensryche e Sepultura se apresentavam no dia 23, mesmo dia em que Lobão (o carioca) subia ao palco ainda na parte da tarde. Vaias e latinhas se sobrepuseram às letras marcantes do cantor logo na segunda música, a “Canos Silenciosos”. A bateria da escola de samba Estação Primeira de Mangueira nem chegou a fazer a participação especial que estava acordada.

Mesmo assim, com o que aconteceu no festival, os amigos de Anivaldo decidiram chamá-lo por esse epíteto: Lobão.

O cabelo já estava grande e as feições eram um pouco parecidas, devido ao rosto alinhado de ambos. Bem... nada de mais.

Nada de mais até essa atonia que tomou repercussão no Brasil inteiro, em se tratando de "seu nome, sua marca".

Antes desse episódio, bem antes, em 1996, Anivaldo dava forma à sua banda, a Cheiro de Calcinha.

O som mais parecia um pop-brega-ragga-dance-fuleiragem, como ele mesmo disse. "Mas optamos recentemente por colocar apenas como estilo a denominação 'Brega Rock'", conta.

Com músicas como "As periquitas", a primeira a ser escrita pelo grupo, e "A mulher do delegado", Anivaldo foi à luta, foi à capital paulista.

"Fui em 1998 pra lá pra tentar a sorte mesmo. Divulgar meu trabalho, meu projeto. Vendia até lanche no trem! E eu ia periodicamente pra São Paulo naquela época. Procurava sempre os produtores-referência, como o Carlos Eduardo Miranda (que inclusive produziu o premiado Acústico MTV do Lobão, em 2007) e o Rick Bonadio, que revelou figuras como os Mamonas Assassinas", lembra Anivaldo.

Foi então que em novembro do ano passado, o ensejo dessa vez se postou diante dele.

Afora a banda, Anivaldo Luiz se tornou produtor de filmes pornográficos. "No final de 2004, pensei: 'Poxa, quero ser um empreendedor, mas no que mais posso investir? Já se fez de quase tudo em Alagoas...' Aí, tive a ideia de fazer material erótico. Minha primeira película foi o 'Pânico nas Xoxotinhas Alagoanas', que logo depois ganhou duas sequências. Daqui a dois meses, pretendo preparar a 4ª edição dele", diz.

E continua: "Tenho ainda o 'Bimbadinhas em Maceió', 'Penetrando no Centro de Maceió' e 'O Senhor do Anéis: a Saga do Anel Alagoano', dedicado ao público homossexual. Bem, meu querido, se eu pudesse, faria um (filme) por mês". O pequeno produtor já tem 10 deles, com mais de 12 mil cópias vendidas.

Proposta

Em meados de 2011, um show do Biquini Cavadão e da Plebe Rude levantava o público na casa de show Vox Room, em Jaraguá, na capital alagoana. Nos bastidores, Anivaldo conseguia uma brecha.

Falou com o guitarrista Clemente Nascimento, da Plebe Rude e dos Inocentes, o qual tem um programa musical em São Paulo chamado Show Livre.

"Eu mostrei meu material pra ele. Dei vários CDs da banda e ele aprovou. Perguntei se poderia ir até o programa e disse que sim; só não bancaria as passagens. Eu conclui: 'Deixe por minha conta mesmo' e fui. A gente marcou para o mês de novembro", pontua Anivaldo.

Lá, na capital do mundo, o ainda Lobão das Alagoas tentou não só o Show Livre, mas sim várias emissoras de TV.

"Fui no Programa do Jô, no Altas Horas e até atrás do jornalista alagoano Márcio Canuto (da Rede Globo), na MTV, na Record e nada", comenta.

Um amigo seu de infância, José Clóvis Rolemberg Júnior, deixou que ele ficasse em sua casa, em Guarulhos. Júnior, como Anivaldo o chama, "mexe com sites" e tentou a sorte em São Paulo. Por lá ficou. Tudo OK.

"Foi ele quem fez o site da nossa banda... ele quem me emprestou uma câmera de vídeo para que eu fizesse meu primeiro filme pornô. Um cara e tanto. Devo muito a ele. E lá, em sua residência, fiquei perambulando pela internet até achar uma inscrição para o público se candidatar a integrar a plateia do programa 'Agora É Tarde', da Band. Cliquei e fui aprovado!", diz o ainda Lobão, mostrando os caninos e rindo.

O músico e produtor alagoano levou para lá para o programa cerca de 100 projetos seus – 40 CDs da Cheiro de Calcinha e mais 60 DVDs pornôs.

Era início de novembro de 2011. E Anivaldo estava com a camisa de seu grupo, promovendo-o como sempre.

O primeiro entrevistado do talk show foi o ex-boleiro Dinei, que jogou no Corinthians. Depois do primeiro bloco, Anivaldo entrou em ação.

Foi nos bastidores e tentou falar com o produtor. "Era um rapaz bem jovem, quase que da sua idade, eu acho. Bem educado e atencioso. Entreguei meu CD e alguns DVDs a ele. Dei (o material) para o cameraman, o caboman, o pessoal da iluminação, do camarim, da plateia... E voltei pro meu canto", rememora.

Dali a pouco, o bloco teve início e o burburinho se instalou. As risadas sadias vinham da plateia, de trás da cortina, de dentro para fora.

O apresentador, o ex-CQC Danilo Gentili, ficou sabendo da presença do alagoano no meio do público e o chamou, de supetão.

Durante os pouco mais de seis minutos de conversa e fama instantânea, muitas risadas e um papo franco. A banda de apoio do programa, a Ultraje a Rigor, deu o tom – e o "tundun tis!" – da brincadeira.

Querendo ser diplomático, o Lobão das Alagoas se apresentou como Anivaldo Luiz.

Contudo, nem isso deixou o coração do 'original' João Luiz Woerdenbag Filho mais leve.

Sua assessoria jurídica mandou no dia 7 de março uma notificação, uma ação judicial para que Anivaldo não mais usasse "Lobão" em nenhuma de suas produções. Tanto em shows, como em material erótico ou assinando composições da Cheiro de Calcinha. A orientação era a de que se suspendesse "imediatamente o uso do nome Lobão, ou qualquer outro que a este se assemelhe, como seu nome artístico".

"Não tive culpa de me chamarem assim. Eu nem gostava desse apelido quando tinha meus 13 anos... Queria ser chamado pelo meu nome mesmo. Mas acabou pegando, né? Ah, sim: eu não quero nenhum atrito com o Lobão. Sou grande fã dele e de sua música. Realmente ia ficar complicado, ia pegar mal para ele ter seu nome atrelado a algo pornográfico. Afinal, o público, de um modo mais generalizado, acaba confundindo as coisas. O Lobão sempre foi polêmico, mas não chegando a esse ponto. Eu faço música, ele também; eu produzo shows, ele, da mesma forma. Então, é melhor assim para que não haja nenhuma situação constrangedora para ele", afirma.

O filho da Vila Brejal usa agora somente "Morango Filmes" em seus materiais pornográficos e, nos eventos, Anivaldo Produções.

No dia 14 do mesmo mês, ele enviou um pedido para o artista carioca: para que, pelo menos, ficasse com o cognome 'Lobo' na sua marca, pois seria impossível retirar algo de si tão rapidamente. Lobão aceitou de bom grado.

"Embora isso tenha acontecido – o que é sinal da repercussão que minha aparição teve no talk show –, foi um bom, um ótimo começo para a minha carreira", conclui o eterno Lobão de Maceió, que já foi candidato a deputado estadual pela legenda do PSB. Com o número 40.666, ele conseguiu - de forma limpa, como gosta de enfatizar - exatos 2.115 votos.

"Política é tudo; tudo o que está à nossa volta tem em ver. Estou limitado, enquanto cidadão. Já cheguei a estruturar a Feria da Praça Guedes, arrumando uma tenda. Mas, quando começo algo, vou até o fim. Nem que seja por mais seis minutos", profetiza.

E o ‘Lobo Anivaldo’ não para. Esteve à frente da 2ª edição do evento “A Noite do Beijo Metálico”, que aconteceu no Orákulo Chopperia, em Jaraguá, reunindo bandas de rock como a Foxy, a Wanted, a Life in Black e, claro, a Cheiro de Calcinha.

A alcateia tem, enfim, um novo líder.

A entrevista no AGORA É TARDE.

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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