Business: porque a música dos EUA ainda domina o mercado?

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
Enviar correções  |  Ver Acessos

Por Paul Resnikoff, em Seul.

É uma pergunta muito antiga: se há música saindo pelo ladrão em todo canto do globo, porque a música estadunidense é tão popular mundialmente? Especialmente em um ambiente midiático sem fronteiras, e digitalmente liberado? E mesmo em países que tem mágoas profundas dos EUA, ou cujas culturas são radicalmente diferentes?

Sentado no Starbucks em Seul, na Coreia, que fica bem do lado de um Dunkin' Donuts, a pergunta fica difícil de evitar. Fora das óbvias diferenças de idioma, esse é igual a qualquer Starbucks de Los Angeles, até na música. Eu estou ouvindo a Norah Jones, Nancy Sinatra, e até mesmo Bobby McFerrin, mas nenhum cantor coreano.

Não que não haja música coreana por perto. Há k-Pop e PSY, claro, e muitas baladas coreanas açucaradas. Mas mesmo o canal de vídeos coloca Jay-Z, Alicia Keys, Beyonce e Britney Spears em alta rotação. Mude de canal para um jogo de beisebol coreano, e tocam Nickelback, e Earth Wind & Fire [sim] durante os intervalos. Assista ao torneio mundial comentado por coreanos, e rola 30 Seconds to Mars na vinheta de volta dos comerciais.

Isso é mais profundo do que música tocando ao fundo: a cultura e a música pop estadunidenses estão sedimentadas profundamente nessa cultura - conscientemente ou não. Enquanto eu procurava por meu hotel, eu fui salvo por uma jovem que me guiou muito educadamente ao longo do labirinto de Seul. Ela estava trajando uma jaqueta verde com um logo do GUNS N' ROSES nas costas, ainda que ela nunca tivesse ouvido falar do grupo. Eu disse a ela que era algo mais dos anos 80 e 90, mas um grupo lendário até hoje. 'Que nem o Nirvana', ela respondeu. Deixamos assim.

Você pode dizer que isso é algo isolado, mas a música estadunidense - e as celebridades anexadas a ela - viajam muito bem. Enquanto eu passeava pela França depois da MIDEM ano passado, eu comecei a conhecer os residentes locais. Quando os profissionais de mídia e da indústria foram embora, o hotel continuou tocando pop dos EUA sem parar: um motorista de limusine me mostrou fotos de quando ele conduziu membros do Black Eyes Peas pela cidade. O conciérge do hotel, que também trabalhava para uma empresa que faz reservas de iates, adorou me contar sobre concursos de xixi à distância de Diddy com bilionários russos na Riviera. Foram o ponto alto... sim, para os franceses.

Ela está inserida até em refúgios de viciados em drogas na Sibéria. Vice, da revista Edgy, certa vez levou suas câmeras para os prédios mais deprimentes e infestados de heroína da região, e a discussão acabou sendo sobre Rihanna. Os nóias estavam discutindo se gostavam da cantora, apontando para uma capa de revista. Como é que é?

Claro, a música estadunidense não é bem executada em todo canto, e não é como se outras culturas [como a do Reino Unido] não fossem bem exportadas também. Mas a estadunidense por vezes permeia os ambientes mais remotos, frequentemente com pouca ou nenhuma proteção contra a pirataria. É quase que como uma extensão dos próprios EUA: dizimados e desmoralizados, as grandes gravadoras ainda retem poder para lançar grandes astros musicais, mas sem habilidade para monetizar tudo isso devidamente. É difícil dizer se essa é uma máquina que ainda continuará funcionando ou o que acontecerá depois que ela quebrar.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Denuncie os que quebram estas regras e ajude a manter este espaço limpo.


Todas as matérias da seção NotíciasTodas as matérias sobre "Indústria Musical"


Eu Fui Indicado Para o Grammy: Saiba quanto dinheiro eu ganhoEu Fui Indicado Para o Grammy
Saiba quanto dinheiro eu ganho

CD Players: ainda vale a pena um top de linha? Sim - e muitoCD Players
Ainda vale a pena um top de linha? Sim - e muito

Bandas Iniciantes: 17 maneiras de assassinar sua carreira musicalBandas Iniciantes
17 maneiras de assassinar sua carreira musical


Steve Vai: as 10 melhores faixas de guitarra na opinião deleSteve Vai
As 10 melhores faixas de guitarra na opinião dele

Black Sabbath: Tony Iommi explica como tocar ParanoidBlack Sabbath
Tony Iommi explica como tocar "Paranoid"

Slipknot: Corey explica as nojentas desvantagens das máscarasSlipknot
Corey explica as nojentas desvantagens das máscaras

Porta dos Fundos: Andreas Kisser e a cobrança dos metaleirosPorta dos Fundos
Andreas Kisser e a cobrança dos metaleiros

Ozzy Osbourne: comendo oferenda de macumba no Rock in RioOzzy Osbourne
Comendo oferenda de macumba no Rock in Rio

Ramones: bandas de metal que já gravaram versões da bandaRamones
Bandas de metal que já gravaram versões da banda

Separados no nascimento: Jean Dolabella e Eriberto LeãoSeparados no nascimento
Jean Dolabella e Eriberto Leão


Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

Mais matérias de Nacho Belgrande no Whiplash.Net.

adClioIL