Queen: a dramática e triste dinâmica interna do grupo no fim

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho, Press-Release
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O texto abaixo é a tradução livre de uma postagem feita no site/fórum interativo REDDIT por um usuário logado sob a alcunha ‘SexWithTwins’ na noite de ontem, [27 de abril].

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O autor [ou autora] do post afirma ter comparecido a um evento social durante o qual interagiu com um ex-funcionário de gravadora ligado ao icônico grupo bretão QUEEN. Certas passagens da conversa citadas por ele não são exatamente precisas, mas há de se levar em consideração que ele possivelmente consumiu certa quantidade de álcool e não é, por profissão, um jornalista.

O conteúdo da epistola a seguir pode ser de conhecimento de fãs mais ferrenhos da banda, mas fogem ao domínio de admiradores mais casuais de Freddie, John, Brian e Roger.

[...]

“Sem dar maiores informações, e para resumir uma longa história, eu acabo de voltar de uma festa de lançamento de um disco de uma banda para a qual trabalho, e engatei na conversa com um cara das antigas da empresa de licenciamento. Acabou que ele trabalhava para o Queen lá atrás, e ainda tem contato com algumas das pessoas que trabalham com eles hoje em dia. Naturalmente, eu quis perguntar a ele várias coisas, mas não queria aborrecê-lo demais. Então pensei comigo mesmo, ‘O que os fãs gostariam de saber? ’, e daí o indaguei sobre John Deacon.

Nós, megafãs da banda, não gostam lá muito de pensar sobre isso, mas já é uma questão de registro público que Roger e Brian não se davam muito bem com John. Acaba que isso se devia a algo que ocorrera durante a turnê de 1978/1979, e que resultara basicamente em Brian e Roger quererem chutar John para fora do grupo. John havia se interessado em música eletrônica e sequenciamento em MIDI, e queria seguir um direcionamento sonoro mais ‘disco’. Assim como Freddie.

Freddie então dedicou seu tempo para concentrar-se em sua carreira solo [o que acabou tomando quase 5 anos para se concretizar e custou muito dinheiro] e o Queen basicamente deixou de existir. MAS, eles ainda deviam três álbuns à gravadora – e alguns promotores de shows também haviam dito que tomariam as medidas legais cabíveis caso esses discos não fossem promovidos por uma turnê. Então, por Freddie ter permanecido neutro na arenga com John, este só trabalhou nas demos de pré-produção de ‘The Game’/’Flash’/’Hot Space’ com Freddie e um amigo dele, um assistente de produção/tecladista/programador de MIDI chamado Fred Mandel – que ajudara John a gravar uma faixa intitulada ‘Another One Bites The Dust’, que, para o desgosto de Brian e Roger, tornou-se o primeiro single da banda a atingir o #1 das paradas dos EUA. Isso deu a John cacife para trabalhar quase independentemente do resto do grupo. Uma vez que as trilhas fantasmas fossem completadas e fosse a hora de adicionar as guitarras, vocais e bateria, John simplesmente não participava. Ele ia mais para o fim para fazer quaisquer mudanças fossem precisas para as músicas que ele compusera, mas isso se dava sempre nos dias em que Brian e Roger não estavam no estúdio.

O álbum ‘The works’, com o produtor Reinhold Mack, foi o último disco que eles eram obrigados por contrato a fazer para a EMI, e eles basicamente o fizeram sem John, que gravara a maior parte de ‘I Want To Break Free’ em seu estúdio caseiro. Eles conseguiram criar caso até com isso, porque John descobrira que Brian tinha adicionado um solo de guitarra à faixa e John queria que a música fosse inteiramente composta por instrumentos eletrônicos. Até a bateria nela é uma bateria eletrônica Roland [ou possivelmente Linn]. O acordo sobre o solo de guitarra era que Brian o tocaria através de um controlador MIDI – daí aquele som aloprado ‘dow dow dow dow daaaw’.

Depois de a turnê de ‘The Works’ se encerrar, eles basicamente acabaram com o Queen sem fazer nenhum anúncio coletivo à imprensa. Daí veio o Live Aid, e eles passaram de banda gigante a um dos grupos que mais faturavam em toda a indústria fonográfica. Quando ‘A Kind Of Magic’ e sua turnê se encerraram, John vinha tentando sair do Queen fazia quase 10 anos – mas eles simplesmente não paravam de crescer. Então, ao fim do último show da turnê, John quebrou o braço de seu baixo golpeando-o contra sua pilha de amplificadores, montou na limusine, e desapareceu. Por cinco anos.

Não fosse por Freddie ter adoecido, ‘The Miracle’ e ‘Innuendo’ nunca teriam acontecido. Freddie basicamente pegou John, Brian e Roger e disse, ‘vamos trabalhar juntos até que eu não consiga mais, e vocês vão se dar bem uns com os outros de qualquer jeito’ e eles não tiveram escolha a não ser concordar, pelo bem de seu amigo. É por isso que não vemos nem a cor de John hoje em dia. Quanto ao show-tributo a Freddie Mercury [em 1992], ele efetivamente abriu mão de seu direito de voto na produtora, e só retém os direitos das músicas que ele compôs. Ele ganha quase zero do musical de teatro ‘We Will Rock You’, e, até onde se sabe, nem foi assisti-lo.

Ele não foi convidado para juntar-se ao grupo acrescido de Paul Rodgers, e não está envolvido com a cinebiografia de Freddie, que deveria ter sido feita com Sacha Baron Cohen. Ele simplesmente não foi solicitado.

Eu poderia ter conversado com esse cara a noite toda, porque ele realmente estava lá, assistiu e comprou uma camiseta. O relato dele sobre a vez em que ele pegou uma carona para nova Iorque a bordo do jato particular de Elton John foi uma das coisas mais incríveis que eu já ouvi. Duas palavras: anões e vaselina. Eu não posso dizer mais nada caso alguém por aí consiga deduzir quem ele é, mas eu só achei que vocês gostariam de saber o que se passa de fato com John a partir da perspectiva de alguém que estava lá.

NOTA: Eu acabo de checar e Fred Mandel tocou o solo de teclado em ‘I Want To Break Free’ em cima do solo que Brian gravara originalmente, porque o controlador de MIDI que Brian queria usar na trilha de guitarra apresentou um problema na sincronia. “[...]

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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