Rádio: emissoras AM e FM estão a caminho da morte certa?

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Eu estou dirigindo em meu carro ouvindo ao disc jockey Jeremiah Red na [tradicional estação de rock de Los Angeles [KROQ] e 30% do sinal é estática. Uma excelente playlist, mas eu não consigo utilizá-la por completo. Eu me lembro então que eu poderia fazer o streaming dela a partir de meu celular. Eu abro o aplicativo do [serviço de streaming] IHeartRadio, mas infelizmente eles não tem KROQ. Eles tem KCRW e KPCC [as estações da NPR - minhas outras opções costumeiras no dial de FM], mas nada de KROQ. Eu acho o stream no site deles.

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Em 10 anos, as pessoas farão streaming de música para seus carros, ao invés das ondas terrestres - isso se as rádios terrestres ainda existirem.

Tão logo meu iPhone tenha total compatibilidade com o painel de meu carro e haja internet LTE rápida em todo lugar, eu não vou precisar mais ligar o rádio AM/FM. Não vai fazer diferença para nós se ligamos o rádio ou se abrimos os aplicativos de streaming.

Lembra-se de como eles riscaram a TV analógica do mapa quanto todo mundo afirmava que esse dia nunca chegaria?

Voltando ao IHeartRadio, esses caras [a Clear Channel] devia colocar todas as estações de rádio no aplicativo. Eles deveriam ir até os web sites das estações que não entraram ainda e inserir os players de streaming no aplicativo. OU pelo menos linkar aos players por meio do aplicativo. Quanto mais útil o IHeartRadio [por mais egoísta que isso possa ser] for, mais usuários eles terão.

É como o Spotify, quanto mais artistas não aderirem ao serviço, menos atraente ele fica.

É por isso que o Spotify trabalhou tão duro para fazer com que as grandes gravadoras se aliassem a eles desde o começo - apesar de ter custado muito dinheiro adiantado a eles. Eles deduziram que os selos independentes iriam embarcar junto. Tão logo vazou que o negócio era conduzido para favorecer aos grandes, os indies começaram a pular fora. O Spotify teve que entrar em modo de controle de danos para conseguir os independentes de volta, e assim nasceu a Spotify Artists.

São as dificuldades do começo de uma empresa. Mas o Spotify superou esse contratempo e está avançando tão bem que há boatos que eles estão chegando aos 10 milhões de assinantes pagos. A Apple está tão apavorada com o Spotify que teve que comprar a Beats para roubar seu algoritmo. Eles não compraram a Beats para reduzir a competição. Com meros 110 mil pagantes, não são competição.

Mas ela construiu um belo algoritmo que obviamente animou a Apple. Sim, a Beats Electronis é atraente também, e agora a Apple não vai ter que dividir sua receita por todos os headfones que eles vendem.

Mas voltemos ao rádio.

Spotify, Pandora, SiriusXM, IHeartRadio, YouTube, iTunes Radio [que vai melhorar infinitamente com a compra da Beats e a chegada do serviço de streaming do iTunes], e todos os outros sites deste nicho de streaming que vão pipocar ao longo dos próximos anos vão vencer a rádio convencional.

A geração que entrou para a juventude nesse milênio não é obcecada com rádio terrestre comoa Geração X é. Os mais jovens não estão sintonizando em rádios AM/FM para descobrir coisas novas. Eles estão indo ao Pandora, YouTube e Spotify.

Uma vez que todos esses serviços forem integrados aos carros, não haverá necessidade de rádio terrestre. Quando foi a última vez que você ligou o rádio em casa? Ou no escritório? Ou em qualquer lugar além do seu carro: Agora faça a mesma pergunta para alguém com menos de 30 anos.

Quando o SoundExchange consiga fazer seu lobby no Congresso dos EUA funcionar para que se mudem as leis que determinem que artistas e detentores dos direitos sejam pagos por execuções em rádios, vai ser o fim.

É uma pena que o SoundExchange não veja que essa é a nova realidade e devote mais de seus recursos para resolver a suruba de dados que é seu sistema de repasse. Fora seu SAC terrivelmente incompetente. Parem de fazer lobby no congresso. Vai ser irrelevante.

O que é relevante é que milhares de artistas e detentores de direitos autorais e de licenciamento que não conseguem receber o que lhe devem, não importa o quanto eles trabalhem em prol do sistema SoundExchange. Se o SoundExchange não tomar cuidado, outra organização surgirá. O SESAC chegou depois da ASCAO e a BMI em seguida. Outra empresa conseguirá o que o SoundExchange não está. O SoundExchange afirma que defende os artistas, mas os artistas estão tendo muita dificuldade tentando resolver como serão pagos pelo SoundExchange.

Fique sabendo: o SoundExchange é uma organização sem fins lucrativos estabelecida pelo governo dos EUA e que paga a artistas [cantores/bandas] e detentores de direitos autorais [gravadoras/selos] os seus devidos royalties por streams não-interativos em plataformas digitais em território estadunidense [Pandora, SiriusXM, etc]. O SoundExchange atualmente não paga royalties por execuções em rádios terrestres [AM/FM]. É um aspecto equivocado da lei que tem se perpetuado por tempo demais. Toda música tem dois tipos de direito: um para a composição [a música] e outro pela gravação fonográfica [a faixa em si]. O SoundExchange paga pela gravação. A ASCAP e a BMI pagam royalties para os compositores e editores pela composição.

Apesar do que possa parecer, é o caso de se torcer pelo sucesso do SoundExchange. È para o benefício dos artistas, ver se a entidade pode conseguir o que afirma. Mas quando mais os artistas tentam [e fracassam] serem pagos, menor fica o apoio ao SE. O apoio não é recíproco.

Rádios personalizadas e playlists curadas por grupos de nichos específicos logo dominarão o cenário terrestre irá morrer. As rádios locais permanecerão, mas de forma streaming e digital. E o dial dos seus avós irá continuar a acumular poeira.

Por ARI HERSTAND para o DIGITAL MUSIC NEWS




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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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