Rock Gaúcho: bandas novas que valem a pena - Hangovers
Por Fábio Gudolle
Fonte: Cogumelo do Zebu
Postado em 12 de maio de 2014
O grunge foi o último abalo criativo e interessante que o rock nos proporcionou. Hoje, existem poucas bandas que nos transportam para aquela tenacidade juvenil e enérgica dos noventa. O maior exemplo desse cultivo sonoro aqui no país da copa é o quarteto gaúcho HANGOVERS.
Pesado, direto e sem frescura. A Hangovers é a banda que a cena da cinzenta Seattle não teve. Calcada nas características punks garageiras das guitarras sujas e distorcidas, o barulho é um bom soco no ouvido. São quatro guitarras e uma bateria que fazem um som de pura pujança. Daqueles impossíveis de não balançar a cabeça. Uma parede de riffs no modo MUDHONEY, MELVINS, NIRVANA, TAD, HELMET e KYUSS, de se fazer música.
Os responsáveis pela desordem é a ótima dupla já conhecida do rock gaúcho, o guitarrista Andrio Maquenzi (ex-SUPERGUIDIS, MEDIALUNAS) e a talentosa baterista Liege Milk (Medialunas, LOMMER); acompanhados de mais duas guitarras: Theo Portalet e Gabriel Lixo. Nada de vocal e harmonia de contrabaixo. E agora, já imaginou a densidade da coisa?
Na ativa desde 2010, o grupo lançou três EPs até agora: Bebendo Socialmente (2011), Academia Brasileira de Tretas (2012) e Hanga In The Sky With Breads (2013). Outro aspecto que agrega simpatia e irreverência à banda são os títulos das músicas. Engraçados como: "Chico Bento Vai Ter sua Vingança em Seattle", "Eis-me a Transpirar tal qual um Suíno", "Cheiro de Lentilha Queimada", "Medo e Delírio em Canoas" e "Ode a Beto Jamaica".
Em tão pouco tempo de trabalho já conquistaram a recomendação das revistas Rolling Stones Brasil e Billboard Brasil. Além de participarem ativamente de festivais independentes do sul do país, fizeram shows em cidades do interior de São Paulo e foram selecionados no maior festival de música instrumental do país - o PIB – Produto Instrumental Bruto.
Hangovers é a cultuação de um momento solene da música independente – o grunge -, mas com um frescor jovial de século 21. Está longe de nos trazer ressaca daquele período, mas sim saudade daquela época intensa da música.
Pra quem gosta vale muito a pena.
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