Áudio: Você realmente sabe como escutar sua música? - Parte I
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 26 de outubro de 2014
Texto original de autoria do Dr. Jules Coleman para o site Audio Buzz
Eu tenho escrito resenhas de conteúdo e equipamento de áudio por quase duas décadas e durante esse tempo, eu tive a sorte de ter ouvido e possuído mais do que a minha cota de equipamento de ponta. Antes de me aposentar recentemente da Universidade de Nova Iorque, eu fui honrado ao me tornar membro do Clive Davis Institute of Recorded Music. Eu vi parte do futuro enquanto inovadores trabalham para criar reproduções musicais em 3D a partir de discos em 2D. Resumindo, eu fui submergido profundamente no mundo da música gravada por um período razoavelmente longo de tempo – de vários modos e em vários níveis.
As técnicas de gravação nunca foram mais sofisticadas, mas é muito menos claro que os resultados tenham melhorado significantemente, se é que melhoraram. As melhores gravações são, sem dúvida alguma, tão boas ou melhores do que elas jamais foram antes, mas em média, os registros não estão melhores se levarmos em conta o que todos os sofisticados engenheiros e suas técnicas, mixers e engenheiros de masterização ostentam em seus trabalhos.
Eu jogo bastante golfe – eu sei, sem risos, por favor. E verdade seja dita, eu sou muito bom, apesar de que a certa altura, eu fui consideravelmente melhor do que sou agora. O equipamento de golfe é tecnicamente muito mais avançado do que jamais foi. Há claramente mais excelentes jogadores de golfe do que jamais houve. Também há mais professores de golfe do que jamais houve em diversos graus de competência, temo eu. A real é que os comentaristas esportivos na cobertura da TV sabem menos sobre os aspectos técnicos do golfe do que vários golfistas sérios. Isso não quer dizer que eles não possam orientar. Afinal, a maioria deles já está treinando jogadores muito bons e tudo que é exigido deles é que eles façam melhoras marginais [o que pode fazer uma enorme diferença no desempenho] e não foder muito com os jogadores.
Isso me lembra de quando eu fui pra pós-graduação em Filosofia na Universidade Rockfeller. Tínhamos algo entre 10-15 estudantes no programa e um número igual de professores – todos reconhecidos em seus meios.
Nossa educação na faculdade ficou entre não-existente e muito boa. Não havia currículo discernível e nenhum programa pelo qual pudéssemos proceder. Ríamos muito disso. Muitos anos depois eu fui colega de alguns de meus antigos professores dos dias da Rockfeller e fora revelado a mim por eles que a estratégia acadêmica básica que definia o programa era mais ou menos essa: nossos alunos entram na pós entre os mais inteligentes de seus campos. Não vamos estraga-los. Vamos nos assegurar de que eles possam ser tão criativos e perspicazes como eles eram quando entraram.
E é assim na instrução de golfe entre os técnicos famosos que ensinam todos os melhores jogadores.
O ponto-chave do curso é lembrar que a vasta maioria dos golfistas – mesmo com todos os avanços técnicos nos equipamentos e ferramentas de ensino – não são melhores na média do que eram 20 anos atrás. As deficiências em média não foram diminuídas, e isso inclui as deficiências medianas do número crescente de jogadores muito, muito bons cujas deficiências foram dramaticamente aplacadas. No golfe, pelo menos, o teto subiu, mas o chão despencou.
Na fonografia, os avanços técnicos elevaram o chão em vários domínios, e enquanto houve várias inovações na técnica que irá fornecer oportunidades para o real avanço, a verdade é que o teto não foi muito erguido.
As técnicas não melhoraram muito, já que se trata de um caso de serem mais acessíveis a custos razoáveis. Tem havido um achatamento da produção e na qualidade da engenharia que os outros podem até considerar como um tipo de ‘democratização’. A parte boa disso é realmente ótima, mas há um declive acentuado depois disso, e a maioria é simplesmente passável. As mãos e ouvidos criativos são poucos e não interagem entre si.
Se passarmos do processo de gravação para o sistema de reprodução, a situação é apenas marginalmente diferente, mas de modo crucial. Minha experiência é que é muito fácil montar um sistema absolutamente desfrutável por um preço razoável. As pessoas, claro, diferem no que tange a ‘preço razoável’ e eu entendo isso. Houve um tempo em que eu estava bem de dinheiro [não durou muito] e eu achava que 50 mil dólares era um valor, se não razoável, pelo menos não irracional. E claro, o mundo está cheio de gente que compra automóveis que custam três vezes mais do que isso e casas e apartamentos que equivalem a muitos múltiplos disso.
O principal conceito não é o preço, mas o valor relativo medido subjetivo. A reprodução fonográfica, assim como itens de luxo geralmente devem ser avaliados por seu valor relativo – e de modo subjetivo. Diferentemente de pinturas ou outras obras de arte em torno dos quais uma prática até certo modo crível de avaliação objetiva é válida – as práticas que crescem em torno da análise do valor de equipamento de áudio são, pelo menos a meu modo de ver, não muito merecedoras de crédito. Não há quase nenhum ofício nelas; muito menos meios de educar-se. Há mais corrupção do que deveria haver, e quase sem mecanismos para combate-la. Há poucos padrões e até menos portadores e guardiães de padrões. Eu poderia continuar, mas não teria motivo. Eu apenas aborreceria às pessoas sem necessidade.
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