Bob Dylan: Elogio à traição em The Cutting Edge
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 22 de outubro de 2015
Um dos artistas mais "pirateados" da história, desde o início da década de 1990, Bob Dylan resolveu se "auto-piratear", lançando álbuns com gravações até então não aproveitadas em seus discos oficiais. É a famigerada "Bootleg Series" que, do ano de 1991 para cá, já chega a 11 volumes lançados.
No início de novembro de 2015 será lançado "The Cutting Edge", o volume 12, abordando aquele que é considerado, por especialistas, o período áureo na trajetória artística de Mr. Zimmerman, ou seja, as gravações realizadas entre 1965 e 1966, quando foram lançados os álbuns "Bringing It All Back Home" (1965), "Highway 61 Revisited" (1965) e "Blonde On Blonde" (1966), todos ostentando, com o passar do tempo, a condição de "clássicos".
Na época, Bob Dylan abandonou a zona de conforto conquistada com seus quatro primeiros álbuns, baseados num minimalismo "folk" com letras que podiam ser interpretadas como "protesto", consideradas, inclusive por poetas renomados, exemplo de poesia, o que acabou lhe rendendo a condição de "voz de sua geração".
Contaminado pela influência do movimento musical chamado "Invasão Britânica", particularmente pela música dos Beatles, Bob Dylan abraçou a eletricidade do rock'n'roll, criando um som bastante carregado em nuances do "Blues de Chicago" como base para letras remetendo às estéticas simbolista, dadaísta e surrealista de poesia.
Tudo isso, somado ao abandono da imagem de simplicidade proletária da fase "folk" em prol de uma excentricidade "rockstar" fez Dylan ser considerado um "herege" pela puritana comunidade da música "folk" norte-americana, rendendo-lhe a alcunha de "traidor".
O fato é que, mesmo dentro da suposta simplicidade de seus primeiros álbuns, era complicado rotular o trabalho de Bob Dylan com base num maniqueísmo simplório bem contra mal.
Na adolescência, o sonho do jovem Zimmerman era se juntar à banda de Little Richard e, parafraseando o título de seu primeiro álbum com elementos rockeiros, Dylan trazia "tudo isso de volta pra casa", isto é, mostrava que o rock podia, novamente, desafiar o marasmo cultural das paradas de sucesso norte-americanas, revigorando um estilo musical que, independente da presença das bandas inglesas, havia se estagnado em solo pátrio, na virada da década de 1950 para a de 1960.
Como é comum nos volumes das "Bootleg Series", muito provavelmente aquilo que foi "descarte" na produção artística da época deve se fazer, ainda hoje, exemplo de uma arte que passa longe do comodismo.
"The Cutting Edge", assim como os outros volumes da "Bootleg Series" terá a imprescindível "Deluxe Edition" para arrancar babas e dólares dos aficionados por um artista que, até hoje, não se furta em "trair" a grandiosidade de suas conquistas em nome do desafio. Rock até o talo.
Nota:
O título "Elogio À Traição" foi roubado da peça teatral homônima escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra na década de 1970.
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