Replicantes: bateria do Ultraje a Rigor não merecia minha bunda
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Facebook
Postado em 29 de fevereiro de 2016
Carlos Gerbase, baterista dos REPLICANTES emitiu a seguinte nota a respeito dos acontecimentos do penúltimo sábado, quando o ULTRAJE A RIGOR abriu o show dos ROLLING STONES e, claro, não perdeu a oportunidade de se envolver em mais uma polêmica.
"A GENTE SOMOS LIXO?
O Roger, do Ultraje a Rigor, está reclamando que a sua banda foi maltratada pela equipe dos Rolling Stones, para quem abriram o show no Rio de Janeiro. Ele escreveu em seu Twitter: "Nós somos lixo para eles". Não sei em que condições contratuais o Ultraje fez seu show, não sei se receberam um bom cachê e não posso opinar sobre o tratamento que a banda recebeu, já que eu não estava lá. Mas posso contar uma pequena história sobre a abertura que a banda Os Replicantes fez para o primeiro show do Ultraje a Rigor em Porto Alegre, lá pelos idos de 1986.
Rolling Stones - Mais Novidades
Nós (Os Replicantes de então: Wander Wildner, Heron Heinz, Cláudio Heinz e Carlos Gerbase) éramos amigos dos produtores que trariam o Ultraje para tocar no Auditório Araújo Vianna e fomos convidados para fazer a abertura, sem receber cachê, simplesmente pela oportunidade de tocar num lugar bacana, para um grande público ("Inútil", do Ultraje, estava rodando bastante nas rádios, e isso garantia o sucesso do espetáculo). Topamos. Na hora de combinar como seria a infra do palco, a produção disse que poderíamos usar os mesmos amplificadores e a mesma bateria do Ultraje.
Minha bateria, na época, era uma Pinguim pequena e de segunda mão, de quem guardo excelentes recordações, mas que não tinha condições de fazer um show profissional para 5 mil pessoas: pedal de bumbo quase estragado, peles quase furando, estantes de pratos quase caindo e pratos (nacionais) já rachados. Como os pratos e a caixa são equipamentos muito pessoais e sujeitos a avarias, combinamos que, apesar de tudo, eu usaria os meus. Punk rock não tem frescura.
De tarde, fomos passar o som. Tudo normal. Sentei na bateria colocada num praticável e comecei a arrumar meus pratos e a caixa, quando alguém me disse que eu não poderia usar aquela bateria, pois o Ultraje não queria emprestar. Tinham ficado sabendo que eu tinha a mania de detonar e derrubar o instrumento no final do show. Mito. A minha pobre bateria é que caía sozinha às vezes. Expliquei para a produção e para os caras do Ultraje que eu tomaria o máximo cuidado, mas não houve acordo.
Faltava menos de uma hora para o show. Não dava tempo para alugar outra bateria. A solução foi pegar meu carro e trazer minha Pinguim velha de guerra, que foi montada na frente do praticável da bateria do Ultraje. Nem o praticável eu pude usar! Lembro do contraste entre a Pinguinzinha, no chão, e aquela bateria enorme e importada sobre o seu praticável. Que merda! Eu me sentia como lixo... Que bom!
Entramos no palco e quebramos tudo (esteticamente falando). Foi um dos shows mais bacanas da história da banda, com direito a muito pogo no fosso do Araújo (que saudade do fosso!). E a Pinguinzinha ali, com seus pratos rachados, suas estantes periclitantes, seu pedal de bumbo arrumado com arame, resistindo bravamente. Tocamos uns quarenta minutos, conforme o combinado, e saímos do palco suados, felizes e com a sensação de termos feito história. Recolhi a Pinguim, botei no porta-malas do meu Chevette (sim, ela cabia inteira no porta-malas) e voltei pra ver o show do Ultraje.
Fazendo sua primeira piada (ou "homenagem") da noite, os quatro músicos do Ultraje entraram no palco pilchados, isto é, de bombacha e com uns lenços ridículos na cintura. Levaram uma das maiores vaias da história do Araújo. O rock é, antes de qualquer coisa, uma música que derruba convenções e estimula a liberdade, e os caras vêm fantasiados de "gaúchos". É dose. Comecei a ver o show, aguentei uns vinte minutos e, percebendo o populismo da banda (o tempo todo querendo "agradar" ao público) fui embora.
Essa é a história. Pena que nunca abrimos para os Rolling Stones. Pena que nunca toquei na Gretsch do Charlie Watts. Mas ainda bem que nunca sentei na bateria do Ultraje a Rigor. Ela não merecia a minha bunda."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de 1993 que atingiu a nota mais alta da história do rock
5 clássicos do metal que você nunca deve usar para apresentar o estilo para alguém
Judas Priest inicia a turnê Faithkeepers; confira setlist e vídeos
Confirmada a turnê reunindo System of a Down e Faith No More em 2027
O baterista que Lars Ulrich coloca acima de Neil Peart na história do rock
O gigante do rock que Angus Young disse ser uma imitação pobre do The Who
Tony Iommi agenda anúncio especial para a próxima quarta-feira
A música dos Stones dos 60s que Mick Jagger considera uma fórmula perfeita de sucesso pop
5 clássicos do thrash metal cujas letras envelheceram muito mal
Andy LaRocque se pronuncia sobre saída do King Diamond
Quando Jeff Beck percebeu que Jimi Hendrix estava com sérios problemas
A música do Kiss que fez (muito) mais sucesso na Europa do que nos EUA
O hit dos anos 80 que impressionou Elton John e fez Sting dizer: "Queria ter escrito isso!"
O cantor que Bono disse ter voz de anjo e ser um homem muito sábio
A pior faixa de "Reign in Blood", do Slayer, segundo a Metal Hammer
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
A incrível história de como Pelé ajudou Guns N' Roses a voltar e não acabar
Os 5 álbuns essenciais para compreender o rock nacional anos 1980, segundo Regis Tadeu


O aspecto em que os Beatles eram muito superiores aos Rolling Stones, segundo Mick Jagger
13 bandas que sobreviveram por mais de 40 anos sem separar, segundo a Loudwire
A lenda do rock que Mick Jagger invejava, segundo John Lennon
Rolling Stones igualam marca histórica dos Beatles com "Foreign Tongues"
A opinião de Jay Jay French (Twisted Sister) sobre a fase atual dos Rolling Stones
O clássico do rock dos anos 60 que mudou a vida de Johnny Marr, do The Smiths
Mick Jagger e Keith Richards aprovam o uso de IA para fazer música, mas com uma condição
John Bonham, Keith Moon ou Charlie Watts, quem era o melhor segundo Ginger Baker?
Cinco clássicos do Rock que você provavelmente não aguenta mais ouvir



