Bruce Dickinson e Steve Harris se estranhavam no palco em shows do Iron Maiden
Por Bruce William
Fonte: Ultimate Classic Rock
Postado em 31 de outubro de 2017
Em um trecho da autobiografia de Bruce Dickinson, "What Does This Button Do?", publicado pelo Ultimate Classic Rock, o vocalista lembra que o Iron Maiden estava contra a parede quando começou a trabalhar em seu terceiro álbum, "The Number of the Beast", lançado em 1982, e que seria seu primeiro trabalho com a banda. Na ocasião, eles tiveram cinco semanas para gravar e mixar o disco, e escolher um single que seria gravado antes de tudo, junto com alguma faixa para ser usada no lado-b do compacto.
Estar em uma banda com a demanda de atingir o topo era como estar em uma montanha russa. A diferença no nosso caso é que a montanha russa não parava ou sequer diminuíra o ritmo em cinco anos. Havíamos conquistado a tortuosa escalada e agora estávamos na beira do precipício. Cinco anos seguidos sob tamanha pressão poderiam afetar seriamente qualquer equilíbrio interno que você pudesse ter. Por hora estávamos apenas apreciando o movimento."
"Praticamente assim que foi mixado, o single "Run to the Hills" foi lançado e vendeu cerca de 250.000 cópias no Reino Unido. Antes do álbum ser lançado oficialmente, estávamos no meio de uma turnê no Reino Unido, e começamos a dura rotina que seguiria ao longo dos próximos anos. Nossa agenda era ridícula: oito shows, um dia de folga, sete shows, um dia de folga e assim por diante. Eram shows de duas horas de duração, e os vocais não eram os mais fáceis do mundo. A configuração de palco causou confusão logo no começo. Eu pensava de forma tradicional, tipo, se eu estou cantando eu fico na frente, se você está fazendo o solo você vai pra frente, coisa assim.
Mas Steve Harris tinha outras ideias. Ele queria ficar na frente de todos e correr por todo o palco. Eu não aceitava, não iria ficar soltando minha voz por trás da cabeça do baixista. E os monitores que usávamos estavam espalhados na frente do palco, então não sobrava espaço pra eu me posicionar. Fizemos a passagem de som, depois o show em si. Minha primeira atitude foi mover meus monitores para a frente e centro do palco. Steve resmungou, e os roadies levaram os monitores de volta. E eu os movi novamente para o centro.
Daí eu estava cantando e senti metade de um baixo me cutucando no nariz, pois eu estava claramente ultrapassando alguma zona que havia sido demarcada pra mim. Minha reação foi passar a usar um microfone com um longo suporte, parecendo a base de uma antena de TV. Em minha visão periférica eu podia enxergar Steve vindo em minha direção, daí eu posicionava o suporte como se fosse uma espécie de armadilha para segurar o ataque do baixista. Eu tinha alguns truques na manga.
A gota d'água veio quando tocamos nos Newcastle City Hall. Estávamos na estrada desde o começo da madrugada, pois Rod (Smallwood, empresário) achou que seria uma boa ideia filmar o vídeo de "The Number of the Beast" durante o dia, imediatamente antes do show. Trouxemos dançarinas para usar como extras, com o 666 preso nas costas. Acho que foi minha a ideia.
Ainda era realizada a filmagem enquanto o público entrava no local. Claro que estávamos todos exaustos. Subimos ao palco, um palco bem pequeno, e Steve e eu passamos o show encarando um ao outro como dois animais selvagens prontos para se atracar.
Rod teve que nos separar nos bastidores. Estávamos prestes a engalfinhar um com o outro. Steve gritava que eu tinha que ir embora enquanto Rod nos separava. Bem, eu acabei não indo. Não podem dizer que não foram avisados, rapazes - as coisas serão um pouco diferentes. Vivam com isto.
Chegamos a um acordo sob a posição dos microfones e monitores, e definimos que, em caso de alguém entrando na frente do outro, as boas maneiras deveriam estar acima de tudo. Foi um avanço pequeno, mas nos direcionou para um novo caminho em termos de teatralidade e apresentação.
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