Morre o vocalista Warrel Dane, e nasce uma lenda
Por Mateus Ribeiro
Postado em 14 de dezembro de 2017
Eu era adolescente quando ouvi NEVERMORE pela primeira vez. Acredito que tinha meus 16 anos. Enquanto mexia em discos do meu irmão, fiquei espantado com a capa de "Dreaming Neon Black". O espanto com a capa só não foi maior que o impacto que senti ao ouvir o álbum.
Eu nunca havia ouvido nada parecido até então. Além do peso absurdo, e do instrumental complexo, um clima tenso dava o tom em todas as músicas. Porém, o que mais me chamou a atenção foi o trabalho vocal. Fiquei abismado com aquela voz, que passeava entre tons altos e baixos com a maior facilidade do mundo.Isso sem contar o conceito pesadíssimo do álbum (coisa que fui descobrir anos depois, é bem verdade). Não precisava de mais nada. Ali eu notei que seria um fã de Nevermore.
Conforme previsto, comecei a procurar os outros trabalhos da banda. Ao ouvir "Politics of Ecstasy", "Nevermore" e "Dead Heart In a Dead World" me senti exatamente como um apaixonado: as músicas atingiam meu coração e a minha alma, porém, a estrutura das músicas causava uma grande confusão na minha cabeça. A mistura de thrash com pitadas de progressivo, comandada pela voz de Warrel, foi durante muito tempo, trilha sonora de inúmeros momentos da minha vida. Fosse na felicidade ou na tristeza, sempre eu dava um jeito de ouvir NEVERMORE.
Assim foi até o final da banda, fato que me entristeceu bastante. Depois disso, restava ouvir os discos do NEVERMORE e do SANCTUARY, e a cada audição, relembrar do grande trabalho realizado por Warrel Dane.
Confesso que esperava muito ansiosamente por uma volta do NEVERMORE. Não rolou. Mas rolou a do SANCTUARY, o que também me deixou feliz. Acredito que fatalmente o NEVERMORE fosse voltar. Porém, o sonho acabou. Exatamente 16 anos depois que Chuck Schuldiner (outro gênio da música pesada) partiu, Warrel Dane resolveu ir para o outro lado desse disco chamado vida. o dia 13 de dezembro se tornou um dos dias mais tristes do metal.
Eu custei a acreditar. Achei que fosse algum desses boatos de Internet que rapidamente são desmentidos. Infelizmente, era verdade. Fiquei extremamente chocado e triste. Ainda estou.
Não consigo acreditar que o homem que fez metal DE MUITA QUALIDADE em Seattle, na época do grunge se foi. Não consigo acreditar que uma das maiores vozes do Metal mundial não ecoará mais nos palos desse mundo. Não consigo acreditar que esse homem, tão apaixonado pelo Brasil, não poderá estar mais aqui.
Ainda estou um pouco em choque. Fica até difícil escrever. Resta apenas agradecer o legado que Warrel deixou. Um cara extremamente competente, carismático, e que vai deixar muitas saudades.
O homem se foi. Mas a lenda nasceu. Um pouco cedo demais, poderia ter esperado um pouco. Mas infelizmente, apesar de controlar sua voz com uma magia ímpar, Warrel não conseguiu controlar seu tempo curto na Terra.
Obrigado, Warrel Dane. Por sua música, por seu carinho com os fãs, por sua contribuição ao Metal, e amor ao Brasil.
Descanse em paz, e vá de encontro com todas as lendas do metal e entes queridos que partiram desse mundo.
"And I still believe in nothing
Will we ever see the cure for our sorrow?"
Morte de Warrel Dane
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