Viper: por que "se perderam" e lançaram até disco pop rock em português?
Por Igor Miranda
Fonte: Whiplash.Net
Postado em 28 de abril de 2018
Em entrevista ao Whiplash.Net, o guitarrista Felipe Machado falou sobre os anos de decadência do Viper, após "Maniacs In Japan" (1993), que culminaram no álbum punk rock "Coma Rage" (1995) e em "Tem Pra Todo Mundo" (1996), com letras em português e pegada pop rock. Com problemas internos e rejeição, especialmente a "Tem Pra Todo Mundo", a banda encerrou suas atividades ainda em 1996, logo após lançar o "disco em português".
Machado se mostra consciente de que "coisas loucas" foram feitas na carreira da banda. O sucessor de estúdio de "Evolution", "Coma Rage", saiu com uma pegada mais orientada ao punk – "algo bem Los Angeles, por ter sido gravado por lá", segundo o músico – e a repercussão já não foi a mesma do disco anterior. O distanciamento definitivo ocorreu com "Tem Pra Todo Mundo" (1996) e houve justificativa para apostar em uma vertente ainda mais fora do heavy metal.
"Fizemos uma turnê muito grande do ‘Coma Rage’ no Brasil, tocando com bandas como Raimundos. O rock brasileiro estava se renovando e pensamos em virar uma banda brasileira. Acabávamos de sair de uma gravadora gringa, a Roadrunner, e tivemos uma proposta para uma gravadora internacional, mas com foco grande no Brasil, que era a Castle. Achamos que seria a hora de uma mudança", disse Machado. "Sentimos algo estranho como chegar em Manaus ou na Bahia e cantar em inglês. As pessoas estão na frente do palco e, aí, você canta em inglês. Começou a nos incomodar nesse sentido. E tinha bandas legais fazendo música em português naquele período, como o Raimundos, Charlie Brown Jr, Chico Science... eram de outros estilos, mas tinham letras em português e as pessoas entendiam na hora. Enquanto isso, estávamos cantando em inglês, ‘everybody everybody’. Não fazia sentido", completou.
No entanto, já em um contexto comercial, "Tem Pra Todo Mundo" foi lançado em um momento ingrato, embora, segundo Machado, tenha bons momentos. "Ele tem músicas boas, mas eu o acho um pouco mal gravado. Faria diferente algumas coisas, mas tem músicas legais, como a ‘8 de Abril’, que tem uma letra do c*ralho do Pit – justamente por isso, foi chamado para colaborar com várias músicas do Capital Inicial. Ele também compõe muito bem em português. Gravamos no Rio de Janeiro, com participação do pessoal da Legião Urbana, de quem éramos próximos na época. O disco saiu quando Renato Russo havia acabado de morrer e isso pressionou mais as bandas. Daí, o disco sai, o clipe vai para o primeiro lugar nas paradas da MTV e nas rádios... aí a gravadora alega falência. Aí, f*deu, né? Então, tudo isso contribuiu. Se o disco tivesse sido um grande sucesso, com o destaque que achamos que ele merecia, talvez, nem tivéssemos essa conversa, porque teria sido uma decisão boa", disse.
No fim das contas, a decisão de fazer músicas em português não se mostrou acertada: "Tem Pra Todo Mundo" não agradou e o Viper encerrou suas atividades em meio a problemas internos. "Olhando agora, acho que (o álbum) foi um puta erro (risos). Deveríamos ter lançado um projeto paralelo, chamar de Víbora, sei lá (risos). Mas nunca fomos de ‘meias-decisões’, sempre fomos muito corajosos, para o bem e para o mal. Em termos de carreira, não foi uma boa decisão e sofremos com isso, mas tivemos outro problema em seguida: a gravadora que lançou o disco em português acabou por falir, daí entrou uma disputa judicial e foi justamente quando a banda parou", afirmou.
Apesar da rejeição e do fim do Viper, o guitarrista destacou que não se arrepende de ter lançado "Tem Pra Todo Mundo". "Às vezes, você toma algumas decisões que você se arrepende e, com outra cabeça, com mais experiência, pensa que poderia ter tomado outra decisão. Mas não me arrependo dessas coisas, porque foram importantes para nós, como pessoas. Pelo ponto de vista na carreira, o disco em português foi um erro, mas, na hora, parecia uma ideia legal, algo diferente", disse.
Leia a entrevista completa no link a seguir.
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