L7 Morrostock Vênus em Fúria (Bar Opinião, Porto Alegre, 04/12/2018)
Por Luciano Schneider
Postado em 17 de dezembro de 2018
Fotos: Liny Oliveira
A terça-feira, dia 4 de dezembro, foi das mulheres. Pois nesta noite ocorreu em Porto Alegre a mais recente edição do festival Vênus em Fúria. Esse festival apresenta bandas protagonizadas apenas por mulheres ou que tenham mulheres em posições de destaque. O objetivo do festival é bem legal também: arrecadar fundos para o projeto Girls Rock Camp, que é uma colônia de férias direcionada a meninas de 7 aos 17 anos.
A festa começou com o som da Bloody Mary Una Chica Band, vinda de São Paulo. Na verdade essa banda é apenas a cantora e multi-instrumentista Marianne Crestani, que sobe sozinha no palco com sua voz, guitarra e percussão, no melhor estilo do-it-yourself. Com uma sonoridade punk de raiz e letras feministas sobre independência e autorrespeito, ela conseguiu conquistar o público com a honestidade de seu som.
Logo após sobem ao palco a prata da casa, os veteranos da banda Os Replicantes. Tendo iniciado suas atividades em 1983, e passado por diversas formações, o grupo tem, nos últimos 10 anos, a vocalista Júlia Barth como frontwoman da banda. O show, como é de praxe dessa banda, é rápido e direto ao ponto, e sempre consegue achar o seu público, com sua mensagem de revolta e resistência. No repertório, hits da banda como Chernobil, Sandina e Surfista Calhorda.
Para fechar a noite, a grande atração era a banda L7, vinda direto de Los Angeles, e também das lembranças adolescentes de boa parte dos fãs presentes. A banda, que iniciou suas atividades ao final da década de 1980, alcançou o auge de sua popularidade na década de 90, de carona no movimento grunge. Após a virada do século, entraram em um hiato por tempo indefinido, mas acabaram se reunindo em 2014, para deleite de muitos fãs, inclusive esse que vos escreve, que achava que nunca teria a oportunidade de ver a banda ao vivo.
E foi sob muitos aplausos que o L7 entrou no palco, ao som de Deathwish, e Andres. Mas foi na terceira música que a casa veio abaixo, com a clássica Everglade, tocada em uma velocidade mais rápida que a normal, que não deixou ninguém ficar parado. A seguir mais clássicos, Monster, e Scrap. Após isso o show estava ganho e foi só ladeira abaixo para o L7. Em certo ponto a vocalista Donita Sparks aproveita para apresentar a banda e dizer que precisam do apoio do público, pois a baterista havia quebrado o braço recentemente e ainda estava em recuperação, e ela própria estava se recuperando de uma gripe.
Mas para quem assistia o show, nada disso estava explícito. A banda fez um show enérgico, balançando os cabelos e fazendo coreografias com os instrumentos, mostrando muito carisma e interação com seu público. Seguiram o show alternando clássicos como Slide com músicas mais novas como I Came Back To Bitch e Dispatch From Mar-A-Lago, essa última sendo uma crítica ao atual presidente americano Donald Trump. Antes de sair do palco, mais uma versão pegada de Shitlist, que colocou todos na platéia para cantar junto.
Mas é claro que ainda havia o bis, e esse foi o momento mais nostálgico, com Pretend We’re Dead, uma das músicas mais marcantes dos anos 90, e que certamente emocionou muitos dos que tiveram o privilégio de estar ali. Após tudo isso, só o que se pode concluir é que essa banda envelheceu como um bom vinho, e mantém a mesma energia punk de quando começaram, há tanto tempo atrás. Que tenham ainda muita estrada pela frente, nós agradecemos!
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