Inspector Cluzo: entrevista com os agricultores mais rock and roll do mundo
Por Igor Miranda
Postado em 17 de abril de 2019
O Inspector Cluzo tocou no terceiro e último dia do festival Lollapalooza Brasil 2019, realizado em São Paulo no início do mês, mas aposto que você não ouviu falar dessa banda. Também pudera: o duo francês, formado por Laurent Lacrouts (vocal e guitarra) e Mathieu Jordain (bateria), tocou bem cedo, antes das 14h, que é quando a transmissão pela TV foi iniciada.
Uma pena. A dupla, que pratica um rock bastante visceral e influência do garage e até do blues, merecia maior atenção na line-up. A grande prova está no sexto e mais recente álbum dos franceses, "We The People Of The Soil", que chegou em 2018. Não pude conferir o show, mas imagino que seja de mesma qualidade, tendo em vista que os dois já se apresentaram em mais de 60 países com apenas 10 anos de carreira.
Todo esse hype por trás do Inspector Cluzo contrasta, diretamente, com a ocupação dos músicos fora dos palcos: os dois são agricultores orgânicos profissionais em sua fazenda, a "Lou Casse". "Nós estamos em uma fazenda de 8.6 hectares com outros 65 produtores. Durante o verão, cultivamos milho. No inverno, é a vez do trigo. Temos 0.7 hectare de um campo onde produzimos para nós mesmos, como vegetais, frutas, frangos e tudo o mais. Nós temos internet lá, mas ainda não temos eletricidade. No inverno, a forma de se aquecer é com lareira. Temos uma pequena venda e nos alimentamos somente com o que cultivamos", afirmou Laurent Lacrouts, em entrevista exclusiva.
O ar dos campos dá o tom orgânico e visceral do som do Inspector Cluzo. As influências são híbridas – vão do funk rock a White Stripes – e as músicas parecem nascer de jams, pois não são muito formatadas. "Nesse disco, quisemos manter tudo bem orgânico. Sempre fazemos assim, mas, dessa vez, foi ainda mais, pois gravamos em Nashville e a mágica daquele lugar interferiu, além do produtor Vance Powell (Chris Stapleton, White Stripes, Wolfmother). Temos uma vida muito orgânica, pois nos alimentamos com o que produzimos. Então, é o mesmo processo: estamos nos alimentando com nossas músicas", explicou Lacrouts.
Em "We The People Of The Soil", a pegada ficou mais intensa e rendeu ótimas músicas, como "Ideologies", "The Sand Preacher" e "Pressure On Mada Lands" - esta última, com participação de Tyler Bryant, do The Shakedown. "Conhecemos Tyler e o adoramos, ficamos muito amigos. Fizemos o convite para o álbum e ele aceitou", disse Lacrouts sobre a participação de Bryant. Outra presença externa é a da cantora Mariane Dissard em "The Best". "Ela é uma velha amiga nossa, que fez carreira nos Estados Unidos por uns 25 anos. Nós a chamamos para participar de um show, percebemos que tínhamos muito em comum e fizemos essa música com ela", completou.
Prós e contras do formato duo
As vantagens e desvantagens de se trabalhar como duo, com apenas dois integrantes, são evidentes. E os músicos – que possuem até um selo musical chamado Fuckthebassplayer Records ("F*-da-se o baixista", em tradução livre) resumiram essa situação de forma bastante precisa durante o bate-papo. "Os prós são fáceis. Quando você quer ensaiar ou fazer um show, é mais fácil, pois trabalhamos juntos o tempo todo. Se você tem mais integrantes, precisa conferir a agenda de todos eles. Então, facilita muito para nós", contou Mathieu Jordain.
"Os contras ocorrem porque nós amamos música, então, às vezes, queremos adicoinar mais melodias e arranjos e não podemos. Porém, no fim, isso pode ser até considerado um pró, já que isso nos deixa mais criativos para fazer as pessoas ouvirem os arranjos que queríamos colocar sem que seja tocado", pontuou Laurent Lacrouts.
Viajantes
Pelas contas dos músicos do Inspector Cluzo, o Brasil foi o 65° país a contar com um show do duo. O "passaporte" dos caras conta não apenas com países da Europa e América, como, também, da África, continente pouco visitado por bandas de rock. Por que eles apostam tanto na divulgação em locais tão diferentes – e distantes?
"Na maior parte do tempo, estamos tocando na França, porque o mercado musical é rico, então, dá para ganhar dinheiro lá. Fazemos uns 100 a 150 shows remunerados na França por ano. Por outro lado, isso ajuda a criar um comportamento preguiçoso, pois muitos não têm curiosidade de sair por aí. Não somos assim. Então, viajamos muito e fazemos vários festivais. Preferimos viajar e conhecer pessoas. Tocar no Brasil é mais interessante, ou na Costa Rica, ou no Panamá", explicou Laurent Lacrouts.
"Você enriquece quando conhece diferentes pessoas e culturas. Isso é alimento para a sua música. E quando você volta, você percebe que aprendeu muita coisa", complementou Mathieu Jordain.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Astros do rock e metal unem forças em tributo ao Deep Purple
Tears for Fears anuncia reedição deluxe do álbum "The Seeds of Love"
O disco que resume o que é o Black Sabbath, na opinião de Rob Halford
O melhor baterista de todos os tempos, segundo David Gilmour do Pink Floyd
5 músicas de metal que ou você ama de paixão ou odeia com todas as forças
O baterista que disse não ao Led Zeppelin e percebeu tarde demais o tamanho do erro
O amigo que Ozzy Osbourne sentia falta de ter por perto e chamava de cara definitivo do metal
Os 20 piores discos da história do rock and roll, segundo a Classic Rock
Tony Iommi confirma que vai remixar um dos álbuns mais criticados do Black Sabbath
A maior conquista do Megadeth de todos os tempos, segundo Dave Mustaine
As três músicas que resumem as três diferentes fases do Pink Floyd
Tobias Forge desabafa sobre pressão e não garante que o Ghost voltará
Ringo Starr reflete se ele tocava melhor nas composições de John Lennon ou de Paul McCartney
Paul McCartney explica porque se recusa a tirar fotos com seus fãs hoje em dia
Angra celebra 30 anos de "Holy Land" com primeira edição do álbum em vinil
Led Zeppelin: as crianças da capa do álbum Houses Of The Holy
Ritchie Blackmore avalia os guitarristas que o substituíram no Deep Purple
Fernanda Lira diz que se surpreendeu com comentário após descobrirem que ela é brasileira

A poética forma como Renato Russo "contou" pra mãe de Cazuza que também tinha AIDS
Stairway to Heaven: o maior hit do Led Zeppelin
Charlie Brown Jr: Esposa diz que Champignon foi sucumbido por espíritos ruins
Michael Jackson: para ele, Elvis não era rei e Beatles não eram melhores que negros
Black Sabbath: a polêmica capa do polêmico Born Again
VH1: os 100 melhores álbuns de rock segundo a emissora



