Retrospectiva 2019: a despedida do Slayer
Por Mateus Ribeiro
Postado em 19 de dezembro de 2019
Continuando com a retrospectiva do que aconteceu de importante em 2019, outro fato que deixou os fãs de metal muito tristes foi a despedida do Slayer dos palcos, e possivelmente, dos estúdios. A última tour foi anunciada no ano de 2018 e o que teoricamente foi o último show foi realizado em 30 de novembro deste ano.
Foram anos de serviços prestados não apenas ao thrash metal (estilo do qual o Slayer sempre será o maior expoente), mas para a música pesada em geral. Após mais de 35 anos de uma carreira pautada pela seriedade, a banda resolveu encerrar suas atividades, deixando um legado gigantesco.
Desde os primeiros acordes do seminal "Show No Mercy" (1983) até "Repentless" (2015), o Slayer sempre foi o mais brutal que uma banda poderia ser. Seja pela voz de Tom Araya, seja pela INFERNAL dupla de guitarristas que Kerry King formou ao lado de Jeff Hanneman (e posteriormente, de Gary Holt) ou pela velocidade absurda de Dave Lombardo/Paul Bostaph, o Slayer é, foi e será eternamente a banda mais violenta que já pisou no Planeta Terra.
A brutalidade do Slayer nunca se resumiu ao estúdio. Para sorte dos fãs da banda (conhecidos pelo fanatismo), as apresentações do grupo sempre foram avassaladoras. Nós, brasileiros, tivemos o prazer de ver Tom Araya e sua turma passando por aqui algumas vezes, sendo que a primeira foi em 1994 (no finado Phillips Monters Of Rock) e a última, em outubro de 2019.
Quanto aos discos de estúdio, não é preciso falar muita coisa. Os cinco primeiros registros ("Show No Mercy", "Hell Awaits", "Reign In Blood", "South Of Heaven" e "Seasons In The Abyss") são de fundamental importância para o desenvolvimento do thrash e do death metal, com letras muito próximas do black, abordando temas mais ocultos. Mesmo quando investiu em elementos mais modernos, o Slayer fez discos extremamente pesados, como "Divine Intervention" e "God Hates Us All".
Tudo infelizmente tem uma hora para acabar. Com o Slayer não foi diferente. Por mais que a tal despedida pareça uma grande jogada de marketing, é muito difícil que o Slayer repita o papelão que algumas bandas fazem por dinheiro, ao voltar atrás na decisão da aposentadoria e fazer shows com preços exorbitantes. Pode ser que eu queime a língua, mas apesar de todas as polêmicas ao longo do tempo, se tem uma coisa que a banda nunca fez foi brincar com os sentimentos de seus fãs.
O que nos resta é ouvir o material que a banda gravou e agradecer por ter presenciado toda a desgraça que essa máquina de destruição criou ao longo de seus quase 40 anos de carreira. Obrigado, Slayer!
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