Sarcófago: Fundador Gerald "Incubus" concede rara e abrangente entrevista
Por Frederico Borges
Postado em 06 de julho de 2020
O músico esclarece dúvidas, relembra casos, fala sobre polêmicas e aborda inúmeros temas relacionados ao Sarcófago em uma das mais completas entrevistas já feitas com um integrante original da cultuada banda mineira.
O baixista e membro fundador da lendária banda de death/thrash/black Sarcófago, Gerald "Incubus" Minelli, concedeu recentemente uma rara e aprofundada entrevista ao canal Goblin Underground TV. O músico, que há alguns anos atua na área da saúde e segue tocando apenas por diversão, discorreu sobre diversos assuntos relacionados à sua banda e sobre a cena do metal nos anos 1980.
Com surpreendente serenidade, Gegê, como também é conhecido, embarcou em uma conversa franca e sem censura, em que os temas abordados incluíram desde as origens do Sarcófago em Belo Horizonte à possibilidade de um retorno, passando pela discografia comentada, processo de composição, a rixa com o Sepultura e, claro, todas as polêmicas inerentes à banda.
Confira a transcrição de alguns destaques e a entrevista completa, em vídeo, mais ao fim:
As origens
"Como eu te falei, montamos a banda eu e o Butcher, e depois o Dudu, DD Crazy. O Zéder usava o pseudônimo de Butcher. Nós montamos a banda e passaram alguns vocalistas. A maioria eram amigos nossos, que queriam fazer um sonzinho, mas nenhum deu certo até que veio o Wagner, que se encaixou".
Primeiros shows e a cena de MG
"Bom, a gente estava ali no movimento desde o começo com a Cogumelo, com todas aquelas bandas ali. (...) Tinham uns festivais interessantes no começo, em que tocavam todo mundo junto. Um que chamava Hoje é Dia de Rock, que era o Dirceu Pereira que fazia. Aí tocou Sepultura, Sarcófago, Overdose, Sagrado Inferno. Mas o primeiro show mesmo do Sarcófago foi no Sagrada Família, numa escola chamada Helena Pena".
A bateria blast beat ou "metranca"
"Sem querer desmerecer outros bateristas daquela época, que tocavam tão rápido, foi o Dudu que apareceu com aquele ritmo. Não que ele não existia, mas ele passou a ser usado pelo Dudu. (...) E aconteceu de acelerar tanto, que aquele barulho da caixa ficou parecendo uma metranca. Não tem registro, antes, de um baterista tocar daquela forma".
As influências estéticas
"Todo mundo fala ‘ah, foi o Slayer, foi o Motley Crue’... Ajudaram sim, mas não foram essas pessoas, essas bandas. Foi o Kiss e o Alice Cooper. Naquela época, as referências que nós tínhamos eram essas: Kiss e Alice Cooper".
O reconhecimento do INRI
"É um disco conhecido no mundo inteiro, por muitas pessoas e muitas bandas e até celebridades da música, que gostam dele. Tipo o vocalista do Pantera, entre outras pessoas. O baterista do Nirvana, David Grohl, fala também bem de Sarcófago".
Se Rotting causaria polêmica hoje
"Acredito que sim, por usar uma suposta imagem de Jesus Cristo tomando um beijo de uma caveira que simboliza a morte. Eu acho que teria causado o mesmo impacto. O que nós queríamos dizer ali é que Jesus Cristo tinha morrido, que Jesus Cristo morreu".
Hate e a bateria eletrônica
"Eu e o Wagner sempre fomos muito autônomos e autênticos. Chegou em um ponto que nós sentamos e: ‘vamos gravar outro disco? Vamos e nós vamos fazer a coisa mais fodida, mais tosca possível’! Aí a gente já estava sem baterista, o Fábio já tinha se mudado para São Paulo e decidimos gravar nós dois. (...) Hate de ódio, eu odeio tudo, eu até me odeio. Aquela coisa minha e do Wagner mesmo. Nós dois não somos pessoas fáceis não".
Rixa com o Sepultura
"Bom, o que aconteceu é que houve uma briga entre o Max e o Wagner e isso separou as bandas. (...) Depois que houve essa desavença entre Max e Wagner, espalhou-se demais. A ponto de a gente estar andando na rua e turma lá, que era mais chegada do Max, querer partir pra porrada com a gente e nós nos defendíamos. (...) Vejo, assim, muitas vezes a maneira do Max falar e se posicionar, ele está no direito dele".
Briga com o RDP em São Paulo
"E num episódio desses aí, num show no Ginástico, a moçada cuspiu no Gordo, porque o Ratos de Porão não tinha uma aceitação boa. E o Wagner estava envolvido nisso aí também. E o Gordo falou que quando nós fôssemos em São Paulo, ele iria invadir o camarim e assim o fez. (...) O Ratos de Porão é uma grande banda. Isso é coisa mesmo que acontece. A gente na adolescência, a gente quer demonstrar a nossa atitude e a nossa rebeldia de qualquer forma".
Entrevista completa:
A produtora
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