Ian Gillan diz que havia saído do Deep Purple por estar "comercial" e culpa Blackmore
Por Igor Miranda
Postado em 15 de setembro de 2020
O vocalista Ian Gillan relembrou, em entrevista à revista Classic Rock, sobre as duas vezes que saiu do Deep Purple. O cantor entrou para a banda em 1969 e saiu em 1973. Retornou para uma volta da formação clássica em 1984, deixando o grupo novamente em 1989, mas reassumindo de vez o posto em 1992.
O assunto veio à tona após Gillan comentar que o novo álbum do Deep Purple, "Whoosh!", coloca o "deep" ("profundo") de volta ao "purple" ("roxo"). O disco foi lançado no último mês de agosto.
"Acho que nos perdemos por um tempo, especialmente após 'Perfect Strangers' (1984), pois não seguimos a cartilha de uma banda que fez tanto sucesso. E isso era ser corajoso e compor com o coração. (Mas) Uma pitada de comercialismo se infiltrou na banda. Foi por isso que saí em 1973", disse ele, citando, de uma vez só, suas saídas em 1973 e 1989.
O entrevistador pergunta por que o Deep Purple se perdeu, na visão de Ian Gillan. O cantor logo citou o culpado: o guitarrista Ritchie Blackmore, que conseguiu "tirar" Ian Gillan da banda nas duas ocasiões, mas acabou saindo em 1993.
"Ritchie. Brilhante, mas tinha um ouvido para músicas comerciais. Ele curtia coisas mais populares. E foi muito bem-sucedido, mas achei que não sobreviveria, pois estava se implantando em uma moda. E modas vêm e vão. Uma vez que você sai da moda, você está fora da moda", afirmou.
O vocalista completou que o Deep Purple sempre representou uma busca por trabalhos empolgantes. "A diversidade de influência dos músicos, que vão de orquestra a big-band swing, blues, rock and roll, soul music... havia energia suficiente e música ali para a vida toda", disse.
Gillan concluiu que só retomou seu ânimo com o Deep Purple quando o guitarrista Steve Morse se juntou à formação, em 1994. Ele ocupou a vaga de Ritchie Blackmore em definitivo, após Joe Satriani excursionar por um tempo na função.
"Quando Steve Morse se juntou à banda, os danos começaram a ser reparados, pois pelo menos estávamos trabalhando entre nós de novo. Mas acho que foi Bob Ezrin (produtor dos últimos três álbuns) que pôde chegar e falar: 'se você só quer compor músicas e gravar, esqueça - quero voltar ao ponto onde vocês estavam em 1968, sendo ousados, não cedendo às rádios'. Foi fantástico. De repente, tivemos alguém que assumiu as rédeas", afirmou.
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