"Ele era muito ruim", disse Malcolm Young sobre ex-vocalista do AC/DC Dave Evans
Por Emanuel Seagal
Postado em 30 de março de 2021
O The Coda Collection apresenta sete horas de vídeo documentando as várias eras do AC/DC, incluindo uma entrevista nunca antes publicada com o cofundador da banda, o falecido Malcolm Young. Na inédita entrevista Malcolm fala sobre ter crescido na Austrália, sendo influenciado pelo blues, os primeiros shows do grupo, como ele se relacionou com seu irmão Angus como guitarrista, como Bon Scott se encaixou no grupo e muito mais. Confira alguns trechos abaixo.
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Sobre o início do AC/DC no início dos anos 70
Malcolm: "Tudo que estávamos fazendo era tentar entreter as pessoas. Quando começamos como uma banda, os donos das boates falavam: 'Queremos que as pessoas dancem para que bebam mais.' É assim que aprendemos - deixando as pessoas com calor e suadas e bebendo. Continuamos do mesmo jeito. As pessoas pagavam pelos ingressos e nunca esquecemos isso. Qualquer coisa depois disso foi um bônus. Nós éramos apenas uma banda de boate. Conforme as coisas evoluem, você evolui junto."
Sobre a descoberta da música enquanto crescia na Austrália
Malcolm: "Você se sentia isolado do resto do mundo no início dos anos 60. Você recebia o que era sucesso na América dois meses depois. Tínhamos todas essas mini-estrelas que dominavam a TV. Conseguimos o Top 20 na Radio Luxembourg. Sintonizávamos para descobrir o que realmente estava acontecendo no mundo da música. Vimos THE BEATLES na TV em Glasgow antes de emplacarem uma música de sucesso e antes de partirmos para a Austrália. Seis meses depois nós descobrimos sobre eles quando ficaram grandes. Demorou cerca de seis meses para chegar na Austrália."
Sobre como o blues o influenciou
Malcolm: "Eu tinha ouvido blues de Chicago pelos meus irmãos. Um deles, John, amava BIG BILL BROONZY. Você começa a descobrir outros nomes dos álbuns e a ouvi-los. Nós podíamos nos identificar com essa música. Não parece grande coisa hoje em dia, mas quando uma família se desenraíza e se muda para o outro lado do mundo porque seu pai não conseguia um emprego, você não se sentia parte do sistema, se é que existia um. Era meio difícil de várias formas. Nós nos identificávamos com o que os cantores de blues estavam falando. Eles podiam fazer você rir. Era apenas sobre a vida cotidiana, e isso apertou um botão. Nós simplesmente fazíamos parte disso."
Sobre os primeiros shows do AC/DC
Malcolm: "Tínhamos algo bom com os clubes. Australianos barulhentos, loucos, brigões... Isso fez com que Angus se esforçasse mais. No final da noite tínhamos ganho a plateia. Ele usava a roupa, mas ele realmente tocava guitarra. Costumávamos ir a clubes e ver o que estava acontecendo, e nenhum deles tocava música que fazia as pessoas levantarem, curtirem e dançarem. As pessoas dançavam ao som dos discos entre os shows das bandas. Nós pensamos, isso é rock ' n 'roll. "Jumpin' Jack Flash" do THE ROLLING STONES começava a tocar na jukebox, e a pista de dança ficava lotada. Todas as bandas estavam tocando aquele período hippie da música, aquela ressaca hippie. Eles não faziam idéia. Estava totalmente aberto para nós. O primeiro show, a primeira música que tocamos, nós os conquistamos. Tocávamos 'Jumpin' Jack Flash' e no meio tocávamos um Little Richard, "Great Balls Of Fire", mais algumas músicas dos STONES. Coisas que todos nós mal conhecíamos. Fazíamos uma festa rápida e simplesmente blefamos até o fim. Desde que as pessoas estivessem dançando estávamos fazendo nosso trabalho. Quanto mais eles dançam mais elas bebem. Todo mundo estava muito feliz. Em todos os lugares que tocamos, recebíamos ofertas para ser a banda da casa. A banda estava funcionando. Melbourne, que é um pouco como Los Angeles e Londres em tamanho, tinha pessoas ligando para nós em Sydney perguntando sobre a banda. Estávamos crescendo rapidamente. Na época, não ficamos intimidados. Foi tipo, 'Ah, que bom, outro show.'"
Sobre estar numa banda com seu irmão
Malcolm: "Não é algo tão dramático. Nós temos nossos momentos. É isso o que fazemos, nos conhecemos a vida toda. Mas tem muitas vantagens. Irmãos brigam, mas há uma proximidade também. Na banda acontece um pouco de agressividade, as certamente não é um grande problema para o AC/DC. Durante a produção dos álbuns, é o pior, pois todos estão sob um pouco de pressão. Você está em um espaço confinado e as coisas acontecem. De modo geral nós tivemos sorte com isso.
Sobre como Bon Scott se encaixa no grupo
Malcolm: "Bon basicamente assumiu o comando, pra ser franco. Ele era mais velho e esteve em outra banda. Ele era o homem com experiência. Nós compomos uma ou duas músicas e ele nos encorajou a fazer outras. Ele dizia: 'Tive uma ideia sobre aquela maldita esposa que deixei: "She's Got Balls". Já tínhamos algumas faixas, mas quando ele entrou, nós tínhamos a voz da experiência. Ficamos de ouvidos bem abertos. Ele nos empurrou um pouco além. O primeiro vocalista (Dave Evans), as pessoas comemoraram quando ele saiu, então podíamos tocar. Ele era tão ruim. Bon entrou uma semana depois. Ele tinha músicas, ideias, motivação. Ele é sério Ficamos felizes por estar com alguém assim. Nós só estávamos muito felizes por tocar. Ele tinha planos maiores."
FONTE: Blabbermouth
https://www.blabbermouth.net/news/malcolm-young-bashes-original-ac-dc-singer-dave-evans-in-never-before-published-interview-he-was-so-bad/
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