Far Beyond Empire: reflexões políticas aliadas ao death metal com melodia e groove
Por Emanuel Seagal
Postado em 18 de abril de 2021
A banda carioca FAR BEYOND EMPIRE lançou ao longo desse ano três singles, "Who Watches The Watchers", "Scarecrow", e "The Betrayer". Na última sexta-feira, 16 de abril, o seu aguardado álbum, "Sleepwalking Society" foi lançado e se encontra disponível nas principais plataformas digitais.
Em seu disco de estreia o quarteto formado por Hugo Purcino (vocais), Marcelo Fishy (guitarra), André de Lemos (baixo) e Raul Fontenelle (bateria) tem a proposta de apresentar um álbum sombrio, abordando temas psicológicos, políticos, e em especial a cegueira das sociedades contemporâneas e sua falta de consciência aos perigos dos comprometimentos éticos de nossos tempos. O disco contou ainda com a participação especial do vocalista norte americano Sean Zatorsky (Dååth, Sinsaenum, Nekrotik Flesh, ex-Chimaira).
Questionados sobre os temas abordados no disco, em especial a parte política, a banda contou: "A banda possui o entendimento de que política atravessa todas as dimensões da vida em sociedade. Inclusive, a sua pergunta sobre política é uma pergunta política. Dessa forma, não compartilhamos de uma ideia falaciosa, infelizmente em voga nos últimos anos, de que "política" se resumiria à "política partidária" ou mesmo ao exercício de uma mandato em cargo eletivo (políticos profissionais). Somos críticos a essa ideia moralista e irresponsável de política como algo sujo que deve ser evitado. Até porque essa ideia é (e deve ser pensada como) uma ideia política. Apesar de ingênua e até rasa - um dispositivo retórico do vocabulário neoliberal - é uma visão política (e de viés autoritário). Assim, política tem relação com várias coisas, preferências político-ideológicas e eleições também, mas não apenas, como você pode ver. Se política for compreendida nesses termos, sim. Pode-se dizer que somos uma banda que se posiciona politicamente em suas letras.
"Assim, nossas letras podem ser lidas politicamente, claro. Nós fazemos proselitismo político? Não. Somos "isentões"? Também não. Os integrantes da Far Beyond Empire possuem diferentes formações, idades e ideias, mas todos concordamos que a banda é uma banda progressista, contrária a todo tipo de deseducação política, negacionismo, populismo, obscurantismo, autoritarismo e formas de opressão (raça, gênero, classe, religião etc.). Nossas letras manifestam o tipo de crítica social em que acreditamos. Manifestam o compromisso ético (e político) da banda com a vida humana, a tolerância, a solidariedade e a justiça social."
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O grupo deu alguns exemplos específicos nas faixas do álbum: "Músicas como 'Capital' e 'Freedom'. A primeira fala sobre a exploração capitalista de um patrão sobre seu empregado. Contém uma letra cujo enredo foi escrito no tropo da ironia. Ou seja, há duas vozes em jogo ali. A partir da "voz do patrão" (em primeiro plano) tem-se um exemplo do tipo de desprezo e desumanização que queremos criticar (em segundo plano). Trata-se de uma alegoria para denunciar as hipocrisias e quimeras do mundo empresarial e corporativo que parece ter tomado conta do mundo e das nossas vidas para além do mundo do trabalho. Na música "Freedom", por outro lado, temos uma letra que versa sobre o direito de ser quem você é (desde que isso não sirva de pretexto para ferir ou agredir outrem). Lutar contra as opressões de posturas normativas: sejam políticas, comportamentais, de classe, religiosas, sexuais, enfim, contra todo tipo de moralismos e violências."
"Sleepwalking Society" tem as seguintes faixas e pode ser ouvido abaixo.
1. Scarecrow
2. Dying Sun
3. Capital
4. Who Watches The Watchers
5. Blindfolded
6. Inner Advice
7. Resilient
8. The Betrayer
9. Finding Sins
10. Freedom
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