Ozzy Osbourne: "devo minha carreira a Randy Rhoads", admite ele em relato emocionante
Por Igor Miranda
Postado em 19 de maio de 2021
O vocalista Ozzy Osbourne escreveu um texto para a revista Rolling Stone em homenagem ao guitarrista Randy Rhoads. O músico, falecido em 1982 em um acidente de avião, será introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame, em cerimônia a ser realizada neste ano, na categoria "Excelência Musical".
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Embora tenha trabalhado com Rhoads em apenas dois álbuns, Osbourne apontou: "Demorou muito, mas ele chegou lá, no fim das contas. Ele era um grande guitarrista. O cara deveria estar vivo. A forma como ele morreu foi terrível. Devo minha carreira a ele".
Ao relembrar de quando conheceu Randy Rhoads, Ozzy declarou ter pensado que o guitarrista era uma garota. "Fiquei absolutamente estarrecido no Le Parc Hotel em Los Angeles. Dana Strum, da banda Slaughter, me apresentou a ele. Randy era um garotinho que devia pesar uns 40 quilos. E eu disse: 'esse cara não consegue segurar a p*rra de uma guitarra, muito menos tocar uma'. Mas quando o ouvi tocar, eu disse: 'não sei se estou fumando alguma coisa séria ou se esse cara é melhor do que qualquer outro que eu já ouvi'. Ele foi ótimo. Ele foi uma espécie de presente de Deus", disse.
O vocalista destacou que Randy era tranquilo e não era exibido. "Todos naquela época estavam copiando Jimi Hendrix. Então, descobri que ele era professor na escola de música de sua mãe, o que é uma grande vantagem para mim, porque ele tinha muita paciência. Quando o levei para a Inglaterra, ele morou na minha casa, comigo, quando me casei com minha ex-mulher, depois me mudei para um apartamento em Londres com ele. Eu bebia cerveja e ficava chapado o dia todo enquanto ele estava tendo aulas de guitarra", comentou.
Composição e estilo
Em seguida, Ozzy Osbourne apontou que o método de composição com Randy Rhoads era diferente dos tempos de Black Sabbath. "Ele me deu espaço e tempo. Ele encontrou quais tons seriam melhores para eu cantar. Quando eu estava com o Sabbath, eles só me davam um riff e eu tinha que lutar para colocar melodias vocais neles. Mas Randy Rhoads era muito fácil de se trabalhar. Lembro-me de quando começamos a escrever 'Goodbye to Romance' e ele disse: 'quer saber... será melhor se jogarmos neste tom'. E eu disse: 'ok'. E era melhor. Ele foi muito, muito útil", afirmou.
Além de Jimi Hendrix, outra grande influência dos guitarristas daqueles tempos era Eddie Van Halen. Randy Rhoads, claro, foi impactado pelo genial guitarrista da banda Van Halen, mas trouxe essa inspiração de outra forma, segundo Ozzy.
"Ele era um guitarrista muito inteligente. Acrescentou um pouco de música clássica, depois um pouco de blues. Não era um grande fã do Black Sabbath, mas gostava do (frontman do Mountain) Leslie West e de toda uma gama de pessoas. Lembro-me de quando Randy fez o solo de 'I Don't Know' - minha cabeça girou sobre meus ombros. E o solo no final de 'Mr. Crowley' era incrível. Está na mesma categoria de 'Comfortably Numb', do Pink Floyd. Quando você ouve algo assim, sabe que encontrou alguém acima do normal", disse.
Em seus dias de folga do trabalho com Ozzy, Randy exercia alguns de seus hobbies prediletos: viajar, geralmente levado pelos roadies da banda do vocalista, e colecionar trens em miniatura. "Mas na maioria das vezes, ele achava algum violonista erudito e ligava pedindo por aulas desse músico em seu quarto. Ele foi, provavelmente, o músico mais verdadeiro com o qual já toquei", declarou.
A química entre Ozzy e Randy também se refletia nos palcos, de acordo com o cantor. "Quando saímos em turnê, eu e ele trabalhamos muito bem juntos no palco. Eu o levantava com um braço. Ele era um cara leve, então eu o levantava com bastante facilidade. Tem uma foto disso na capa do 'Tribute', mas devo dizer que nunca consegui ouvir esse disco. Eu não consigo", afirmou, citando o álbum ao vivo que foi lançado em homenagem ao guitarrista, em 1987, 5 anos após sua morte.
"Speak of the Devil", não "Tribute"
O Madman deixou claro que só lançou o álbum de covers de Black Sabbath "Speak of the Devil" - gravado em 1982 com Brad Gillis na guitarra em meio a uma turnê que começou com Randy Rhoads, mas terminou sem ele - porque não queria lucrar em cima da morte dele. O guitarrista morreu em 19 de março de 1982, aos 25 anos, em um acidente de avião durante um dia de folga daquela tour.
"Se você se lembra, eu lancei um álbum ao vivo de covers do Sabbath chamado 'Speak of the Devil'. Isso porque tínhamos a obrigação contratual de dar à gravadora o álbum ao vivo 'Tribute', mas eu não queria. Não queria que os fãs pensassem que eu estava lucrando com a morte de Randy. Como estava contratualmente obrigado a lançar um álbum ao vivo, fui a um clube em Nova York e gravei 'Speak of the Devil'. O Sabbath pensou que fiz isso para foder com eles, mas eu nem sabia que eles estavam fazendo seu álbum ao vivo ('Live Evil', de 1982)", contou.
Pressentimento
Ozzy Osbourne relatou, ainda, que já sentia que Randy Rhoads não viveria por tanto tempo. "Devo ter um sexto sentido ou algo assim, mas eu meio que sabia que ele não ficaria velho. Algumas pessoas são boas demais. Ele não usava drogas. Ele não bebia muito. Nós [na banda] éramos todos como piratas, e ele me dizia: 'Ozzy, você vai se matar'", revelou.
Indisposto a seguir com aquele estilo de vida rock and roll, o guitarrista cogitou abandonar o gênero para seguir carreira acadêmica na música. "Na última viagem que fizemos juntos, indo de Knoxville, Tennessee, para Orlando, Flórida, eu estava no ônibus e ele me disse: 'quero parar com o rock'. Eu disse: 'você quer o quê?'. Ele era do tipo que iria querer passar para outra coisa assim que conhecesse outra experiência. Ele disse que queria se formar na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA)", disse.
Entra, aí, a sabedoria de Ozzy, que o aconselhou da seguinte maneira: "Continue do jeito que você está agora e você poderá comprar a UCLA". "Foi a última conversa que tive com ele. E 12 horas depois, ele havia morrido. Enquanto penso agora, minha mente roda a fita daquele dia. Sempre que falo disso, minha mente volta para lá. É uma das partes mais tristes da minha vida", declarou.
No more funerals
Desde a semana do acidente, em que precisou ir a dois funerais - de Randy e de sua assistente de figurino, Rachel Youngblood, que também faleceu no acidente -, Osbourne não vai mais a funerais. "Não fui ao funeral da minha mãe, da minha irmã ou do meu irmão. Algo aconteceu comigo naqueles funerais. Algo aconteceu comigo, emocionalmente, depois que Randy morreu. Demorei até 'No More Tears' (1991) para voltar ao caminho certo nas gravações", afirmou.
Ozzy reconheceu que não ficou por tanto tempo ao lado de Randy, mas que o guitarrista foi muito importante para sua vida. "Eu o conheci por muito pouco tempo, mas o que ele me deu naquele curto espaço de tempo foi de uma grandeza imensurável. Conseguir que alguém como Randy Rhoads toque em dois álbuns, e que esses dois álbuns soem tão bem quanto no dia em que foram gravados, é outra coisa. Sou eternamente grato por isso. Só Deus sabe onde aquele homem estaria hoje. O próprio fato de que ele não está aqui para respirar esse ar é uma p*rra de um crime", declarou.
Por fim, o Madman mostrou gratidão pelo reconhecimento do Rock and Roll Hall of Fame a Randy Rhoads. "Graças a Deus ele está sendo reconhecido pelo Rock and Roll Hall of Fame. Ele finalmente chegou lá. Estou triste que sua mãe não estava viva para ver isso, porque ele era muito próximo da mãe. Sei que seu irmão, Kelle, e sua irmã, Kathy, vão ficar encantados com isso. Isso mostra que ele não foi esquecido. Ele era um músico dedicado e verdadeiro, e era um cara adorável. Eu ainda penso nele o tempo todo. Viva Randy Rhoads, o Rei", concluiu.
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