Venom Inc.: Tony "Demolition Man" Dolan em entrevista exclusiva para o Brasil
Por Mário Pescada
Postado em 04 de maio de 2021
Tony "Demolition Man" Dolan é conhecido não apenas pela época como baixista/vocalista do lendário VENOM após a saída de Cronos, mas também por ser uma pessoa bem acessível e disponível para falar abertamente não só sobre música, mas sobre assuntos diversos.
O site 80 Minutos entrevistou ele sobre pandemia, seus tempos a frente do VENOM, a carreira atual a frente do VENOM INC. junto com seus velhos companheiros Mantas e Abaddon, o super grupo tributo SABBATONERO que contou com a participação das brasileiras Mayara Puertas (TORTURE SQUAD) e Prika Amaral (NERVOSA) e muito mais em uma longa e divertida entrevista exclusiva para o Brasil!
Confira abaixo alguns trechos da entrevista conduzida por mim, Mário Pescada (MP).
(MP) Olá Tony, bem-vindo ao 80 Minutos! Você deu um testemunho no livro "Relatos de Quarentena - Lidando com o novo normal" (Editora Denfire, 2020) no começo de maio do ano passado, menos de dois meses do decreto da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), contando o que estava fazendo, como via toda essa situação, suas expectativas, etc. O que mudou na sua vida/opinião de lá até hoje, quase um ano depois?
(TD) Fiz mesmo…é como se passasse uma vida inteira agora…(risos). Bem, ainda estar aqui quase que na mesma situação é meio maluco mesmo e ver lugares como o Brasil sofrendo mais também é…muito louco, depois de um ano…minha vida não mudou muito na verdade…nem minha opinião, exceto, talvez pela ampliação do que já pensava. Eu espero que muitas lições tenham realmente sido aprendidas e que as pessoas possam ver agora o valor nas coisas que nós talvez não valorizemos…Liberdade, amigos, atividades diárias….eu descobri (como muitos) novas formas de trabalhar e continuar sendo criativo…imagine se não tivéssemos internet…wow…então, de alguma forma, nós temos sorte que isso aconteceu agora quando nós, enquanto raça, usamos a tecnologia para comunicar e ainda criar e também desenvolver vacinas protetivas, etc. tão rápido. De todas as formas, humanos podem ser destruição e mal, eles também podem ser inventivos, criativos e seres incríveis…
(MP) Nesse mesmo relato, você deixou a impressão ao leitor de que, ao final, podemos todos aprender uma lição dessa confusão, que poderemos aprender a viver melhor nossas vidas sem a interferência pesada do dinheiro, religião, política, etc. Hoje, você acha que sairemos dessa piores, iguais ou melhores?
(TD) Bem, não é comum termos uma pausa gigante como essa nas nossas vidas. Tudo está se movendo tão rápido ultimamente e tantas, tantas coisas que experimentamos e fazemos são apenas parte do nosso dia-a-dia e nós aceitamos sem pensar. Agora, nós perdemos tantas liberdades e temos sido restringidos por qualquer coisa que eram usuais como shows ao vivo, amigos, simplesmente sair para jantar ou para um bar de muitas formas que temos percebido o quanto das nossas vidas damos valor. Uma vez que voltarmos a alguma normalidade, eu espero que muitos tenham aprendido e que apreciem qualquer coisa muito mais do que temos e serem pessoas melhores com consideração pelos outros e respeito pelo mundo que criamos e todas as coisas que gostamos nesse mundo. As políticas, religião e dinheiro são só coisas adicionadas por nós a nossa existência, mas pergunte a muitos o que eles amariam em fazer nesse momento? Estar com amigos, abraçar um membro da família, algo como um show, etc. com outros…coisas simples…interagir com coisas humanas. Eu espero que a gente não apenas retorne para onde estávamos depois disso tudo, mas, de alguma forma, eu não consigo ver isso acontecendo, o impacto foi grande no mundo todo.
(MP) Em outro livro, "Blood, Guts & Beer - Celebrando álbuns matadores dos anos 80 e 90", também da Editora Denfire (2021), você destrinchou o disco "Prime Evil" (1989) do VENOM. Você se juntou a eles para salvar a banda depois do fraco "Calm Before The Storm" (1987) e acabaram fazendo um disco muito bom. Musicalmente falando, esse foi seu momento de maior pressão?
(TD) Não para mim, nenhuma pressão. Nós nos conhecíamos desde o começo e erámos todos amigos, então eu imaginei que para mim seria uma experiência diferente do que as pessoas pensam ou pensavam. Para mim, eu estava apenas escrevendo músicas para tocar com meus amigos e ao mesmo tempo, enquanto Conrad (Cronos) partiu para fazer seu AOR solo, eu poderia continuar tocando mais coisas cada vez mais pesadas assim como as ótimas faixas do VENOM que eu amava também. Eu nunca considerei que estava calçando o sapato de outra pessoa, de forma alguma. Eu sou quem eu sou, isso é tudo que tenho. O que eu fiz, fiz do meu jeito e sempre farei assim. Então eu não senti pressão, já que não estava tentando ser ninguém além de mim mesmo...eu acho que depois de "At War With Satan" (1984), as coisas ficaram mais fracas na banda mesmo...eu só queria capturar algo de antes que eu amava sobre aquilo tudo que estava já fazendo com minha outra banda, ATOMKRAFT desde 1979. De qualquer forma...eu só estava disponível para ter mais diversão ainda. Tocar rápido, tocar alto e agitar um pouco... Meu nome, Homem Demolição (The Demolition Man) me foi dado há muito tempo antes de estar no VENOM também, então eu me levei para o caminho no qual eu era bom.
(MP) Eu fiquei muito impressionado com seu relato de que você teve até que pagar até pelas cordas usadas na gravação, sendo que esse disco praticamente salvou o VENOM e é tido como um dos melhores trabalhos do grupo.
(TD) Ah, obrigado. Sim, eu escrevi um bocado no disco, mas nunca fui pago nada de nada e gravado com um baixo emprestado, amplificadores e cabeçotes que eu não tinha e possuía dinheiro suficiente para dois jogos de cordas (de baixo). Um já estava no meu baixo e num dado momento, o produtor me perguntou sobe trocar as cordas, então eu troquei pelo jogo que eu tinha separado...Quando ele me perguntou para fazer aquilo de novo e de novo, eu colocaria um pacote vazio então ele veria as cordas, as pegaria, então fingi que estava pegando elas do pacote novo e as coloquei de volta. Eu estava quebrado e como não poderia ficar trocando cordas e a banda não pagaria por nada para mim.
(MP) E essa "pegadinha" com o Mantas, que não sabia que a faixa "Megalomnaia" era uma música do BLACK SABBATH até o lançamento do disco? Ele ficou puto com você e o Abaddon quando descobriu?
(TD) Sim, isso (risos)…Eu não acho que ele ficou puto, já que ele não era tão fã de BLACK SABBATH assim, então não havia como ele conhecer aquela música, mas eu acho que ele se sentiu um pouco confuso do porquê nós não contarmos ou termos fingimos a ele que fosse uma das minhas composições. Para ser honesto, eu continuo sem saber porque Abbadom sentiu que precisávamos fazer aquilo…Ele tinha dito para mim que se Mantas soubesse que era um cover, ele não toparia fazer, mas acho que ele estava enganado, entretanto, eu era o cara "novo", acho que só disse "ok".
Para continuar lendo o restante dessa entrevista, acesse o site do 80 Minutos.
Para adquirir a versão nacional do disco "Avé" (2017) do VENOM INC. lançado no Brasil pela Shinigami Records, acesse lojashinigamirecords.com.br ou envie e-mail para [email protected].
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FONTE: 80 Minutos
https://80minutos.com.br/interview/99
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