Venom Inc.: carisma e profissionalismo em Belo Horizonte
Resenha - Venom Inc. (Mister Rock, Belo Horizonte, 02/02/2019)
Por Mário Pescada
Postado em 10 de fevereiro de 2019
Fotos: Isabela Lopes
O VENOM INC. (ou VENOM INCORPORATED) passou rapidamente pelo Brasil no começo de fevereiro para apenas dois shows: dia 01 em Limeira/SP e dia 02 em Belo Horizonte como parte da "Avé Latin America Tour", divulgando seu até então único álbum "Avé" (2017), lançado via Nuclear Blast. Depois de BH, a banda seguiu para compromissos no Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Guatemala, terminando a tour em El Salvador.
A expectativa pela passagem da banda pelo país era grande, afinal estaríamos diante dos precursores do black metal, donos de dois álbuns fundamentais para o estilo: "Welcome To Hell" (1981) e "Black Metal" (1982).
Ok, sei que o VENOM INC. não é aquele mesmo trio da década de 80 que sacudiu o mundo com Cronos (voz e baixo), Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria), sobretudo devido à ausência de Conrad "Cronos" Lant, vencedor da disputa judicial pelo nome VENOM, mas, enfim, era o mais próximo do original.
Um parêntese histórico: em dezembro 1986, junto com o EXCITER e abertura do novato SEPULTURA, o VENOM esteve na capital mineira para tocar no Ginásio do Mineirinho. Esse show é tido por muitos como um dos mais importantes para consolidar a cena metal da cidade, afinal, BH vivia a ebulição de nomes que mexeriam depois com o cenário da música pesada nacional e internacional.
O show estava marcado para começar às 21 horas no Mister Rock, sem banda de abertura. Faltando menos de 30 minutos para o começo do show, a banda chega em uma van e ali mesmo, do lado de fora, interagiu de forma bem carismática e atenciosa com o pessoal que antes de entrar aproveitava para tomar uma cerveja gelada.
Ao entrar no Mister Rock, levei um susto: faltando apenas 15 minutos para o início do show, o local estava vazio, bem vazio. O tempo foi passando, o início do show foi sendo adiado, entraram mais algumas pessoas, mas não teve jeito: o Mister Rock não deve ter recebido ao final nem 250 pagantes.
Aqui abro espaço para uma pergunta: afinal, o que está acontecendo com o público de rock/metal de BH? A cada ano que passa os shows tem ficado cada vez mais vazios, algumas produtoras não conseguem mais sequer empatar os custos de realização dos eventos, sobretudo os de porte médio. Seria culpa do desemprego, falhas na divulgação, valores dos ingressos, o desinteresse do público ou um pouco disso tudo e algo mais? Sinceramente, não sei a resposta, mas no rumo que estamos indo, logo Belo Horizonte vai sair da rota principal de shows internacionais.
Enfim, voltemos ao VENOM INC. O trio formado por Tony "Demolition Man" Dolan (vocal e baixo), Jeffrey "Mantas" Dunn (guitarra e vocal) e Jeramie "War Machine" Kling (bateria), mesmo com casa vazia, se mostrou muito profissional e encarou tudo na mais perfeita normalidade, tocando de forma impecável e cheios de disposição.
As 21:20 horas a banda abriu o show com "Metal We Bleed", do disco "Avé" (2017), que promete ficar no repertório daqui em diante devido a sua energia e peso.
Sabendo do desejo do público em ouvir os clássicos, a banda não vacilou e carregou a mão na execução deles: "Die Hard", "Welcome To Hell", "Don't Burn The Witch", "Black Metal", "Witching Hour" e "Bloodlust" faziam a alegria dos fãs a medida que eram executadas.
"Lady Lust’ com toda sua velocidade, caiu muito bem na escolha do repertório, ao contrário da cansativa "Warhead", que acabou dando uma quebra no ritmo pegado do show, mas sem comprometer. Com seu humor britânico, a banda sutilmente endereçou a faixa "Parasite" para Cronos - que dizem, é um porre como pessoa e mais ainda como artista.
Durante todo o show, a banda esbanjou a mesma simpatia demonstrada do lado de fora da casa. Tony "Demolition Man" Dolan contou alguns casos entre os intervalos das músicas e fumou ao menos uns cinco cigarros. Já Mantas, fazia questão de posar para as fotos do pessoal colado ao palco e ambos agitaram bastante. Kling também merece destaque: seguro nas baquetas, bateu com força nas peles e nem deixou espaço para alguém sentir falta de Tony "Abaddon" Bray.
Claro que não poderiam ir embora sem tocar as super aguardadas "In League With Satan" e "Countess Bathory", música esta que fechou a saudosista noite às 22:50 horas.
O VENOM INC., continuando com essa pegada ao vivo e lançando mais material, deve se firmar como um forte nome no cenário, mesmo sem poder abrir mão dos clássicos do VENOM do seu repertório.
Lay down your souls to the coolest guys of rock 'n roll!!!
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