A Sombra de Monalisa: Uma ópera rock
Por Mário Orestes Silva
Postado em 18 de julho de 2021
Os dilemas mais desconcertantes provocados pela paixão, em seus mais inesperados resultados, ainda assim parecem inócuos estacionários em comparação aos extremos alcançados pelo amor. Eis a questão que mais incomoda o existencialismo humano, na ópera rock manauense A Sombra de Monalisa, emanando inspirações que vão de Leonardo da Vinci a Carl Jung. Rafael Rebelo e Norcirio Queiroz são os pais da criatura que traz uma série de músicos convidados com seus talentos inquestionáveis em suas interpretações exponenciais. Tudo ambientado num requinte classudo, que chama atenção pelo expressionismo poético de um contexto quase gótico.
A Musa (Eva Basile) abre o espetáculo para apresentar a história de Monalisa. "A Escuridão" na perspectiva ambivalente toma conta do ambiente com introdução dos teclados de Breno Fragata (Moovee). Queison Alves (Alados) e Aline Fagan conduzem as falas enquanto o ótimo Leonardo Lima (Pacato Plutão) e o próprio Rafael Rebelo dividem os solos das guitarras. O estilo é de um rock pop com pitadas de alternativo/hard rock/emo/jazz fusion que delimita as músicas até o final da obra.
A Musa então apresenta o coadjuvante principal, o Malandro, que terá seus princípios colocados em xeque pela força do amor.
"Desejo em Conflito" vem com uma interpretação louvável de Clóvis Rodrigues (Platinados/Os Tucumanos) que encarna o próprio Malandro, como se fosse o mesmo. E a sensualidade da Musa dita o dilema.
"Vinho Seco" exala pétalas de rosas com Queison e Clóvis dividindo os vocais e expressando a negação e a confusão que Monalisa proporcionou.
"Três Natais" nas perspectivas do Malandro, de Ela, de Ele e da Sombra, tem uma forte marcação do contrabaixo de Luiz Roberto Góes (O Tronxo) em sua primeira parte. O peso não dura, porque em seu meado a canção relaxa num piano bem R&B e traz as vozes de Queison, Clóvis, Aline e Gabriele Lins. A cadência segue alternando entre peso e swing, culminando num solo dobrado com teclado e guitarra. Arranjos perfeitos!
A Musa entra no segundo ato, o arco de Ela. Monalisa está exposta em sua atitude egoísta em "Adeus Amor" e Aline assume belamente o microfone. Aqui os arranjos ganham um requinte a mais com um quarteto de cordas sublime formado por José Jonas Jr., Bárbara Soares, Alex Teixeira e Elieziel Lourenço dos Santos. Vale até citação a Cazuza.
Com sua sensualidade marcante a Musa introduz "O Abismo do Infinito", que traz exatamente o mesmo time da canção passada, sendo agora uma balada de colapso. O Ele desespera na confusão causada pelo amor à Monalisa.
A Musa nos chama para "Sombria" que também tem a mesma equipe de musicistas, com o acréscimo do trompete de Marcelo Martins, que dá um toque caribenho na música.
Musa serve o ato final com a Sombra se projetando em "Ambivalente". Sem o quarteto de cordas, mas com as vozes alternando entre Grabriele, Queison e Aline a fragmentação perpetua-se na fusão de dor e prazer. O acompanhamento perfeito do baterista Anastácio Jr. (O Tronxo/Platinados/Infâmia/Alaídenegão) completa o quadro que é coberto pelo abstracionismo das perspectivas de Monalisa.
A Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) deve se orgulhar de ter contemplado o projeto A Sombra de Monalisa no Prêmio Manaus de Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc. O pioneirismo foi muito bem representado numa ópera rock de muito bom gosto com temática reflexiva e um time de músicos extremamente competentes, que cumprem com excelência os seus papéis como pintores desta verdadeira obra prima, marcada na história da música de Manaus.
Veja a performance completa abaixo.
FONTE: Blog Orestes
http://marioorestes.blogspot.com/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame



Rock: discos e bandas que mais venderam em todos os tempos
Rolling Stone: as melhores músicas com mais de sete minutos
Raul Seixas: O clássico inspirado em Dylan que driblou censura e criticou Roberto Carlos
Guns N' Roses: a família brasileira de Axl Rose
AC/DC: A origem do nome da banda


