Badauí: por que dizer que rock no Brasil está em baixa por ser desunido é mentira
Por Igor Miranda
Postado em 09 de julho de 2021
Parte dos fãs de rock atribuem o momento de baixa popularidade do gênero no Brasil a uma suposta desunião entre as bandas. Há quem acredite que os músicos de rock deveriam adotar a mesma postura de artistas do sertanejo, que gravam e se apresentam juntos com mais frequência.
Na visão de Badauí, vocalista do CPM 22, essa teoria é equivocada. Em entrevista ao podcast Falacadabra, com transcrição do Whiplash.Net, o cantor revelou que as grandes bandas de rock no Brasil são unidas de forma geral e que o estilo nunca foi o mais popular do país.
"Essa é uma conversa do c***lho. É uma mentira que o rock não tenha sua evidência hoje em dia por causa da união. As bandas são muito unidas. A gente se encontra nos festivais e faz a maior bagunça. A gente se adora, todo mundo se curte", disse, conforme transcrito pelo Whiplash.Net.
O vocalista, então, citou alguns artistas e bandas com os quais o CPM 22 mantém uma relação de amizade. "Quando a gente toca com a Pitty, a gente sai do nosso show e vê o show dela, vai pro camarim, ficam lá todos zoando, horas lá, vai para o hotel junto. Raimundos a mesma coisa, Planet Hemp, D2, Supla, Capital Inicial, quem quer que seja. Não existe essa desunião", afirmou.
Em seguida, Badauí explicou seu ponto de vista sobre a popularidade do rock no Brasil no momento atual. "É que o estilo nunca foi o número um. Nunca foi. A gente está falando de São Paulo, onde mesmo assim o público é grande e sustenta todas essas bandas. Quando alguém fala: 'vocês têm que voltar'... voltar de onde, maluco? A gente faz show cheio em qualquer cidade que vamos. E isso acontece com Capital, Dead Fish, Pitty, Detonautas, Raimundos... é o suficiente", comentou.
Ele complementou: "Tem festivais grandes no Brasil que colocam rock. O Planeta Atlântida já rolou mais, mas ainda rola. O João Rock é o festival mais rock que a gente tem no país, genuinamente rock brasileiro. Entra rock, pop rock e até punk rock e rap, música alternativa em geral. Toca CPM, Pitty, Planet Hemp, Natiruts e Paralamas no mesmo dia. É do c***lho. E com 70 mil pessoas com ingressos vendidos três meses antes".
De acordo com Badauí, o CPM 22 não tem pretensão de estar sempre em evidência. Ao que tudo indica, outras bandas consolidadas do gênero compartilham da mesma visão. Há, porém, o outro lado: os cachês desses artistas são mais baixos.
"Claro, o rock paga por isso. Nosso cachê não se compara ao de um sertanejo. Não tem como. Mas o que não pode falar é que não tem público - ainda que seja um público com uns 70% de pessoas de classe mais trabalhadora, com menos condições. Isso se reflete no cachê, no evento como um todo. E não quer dizer que tenha um público que não seja do c***lho", comentou.
A entrevista com Badauí pode ser assistida, na íntegra, no vídeo a seguir.
Outros músicos do cenário rock no Brasil vão participar do especial Mês do Rock do Falacadabra, que está sendo apresentado também por Kadu Pelegrini, vocalista do Kiara Rocks, além do ilusionista Felipe Barbieri, titular da função. A agenda conta com:
- 8 de julho: Ego Kill Talent
- 13 de julho: Vini Castellari e Caio Macbeserra (Project46)
- 15 de julho: Mi Vieira (Glória)
- 20 de julho: Egypcio (Cali e ex-Tihuana)
- 22 de julho: Far From Alaska
- 27 de julho: Vavo (Fresno)
- 29 de julho: Pense
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