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Power Metal: mais um ano de vida

Por João Paulo Pimentel
Postado em 13 de outubro de 2021

Há 10 anos, o Symfonia (grupo formado por Timo Tolkki e André Matos) lançava seu único álbum, "In Paradisum". Na época, a maior parte das resenhas sobre o disco trazia como núcleo a mesma palavra: "saturação". Se você fizer uma busca rápida no Google com os termos "In Paradisum" e "resenha" encontrará rapidamente aqui no Whiplash títulos como "Symfonia: criatividade e inovação musical passaram longe" ou "Symfonia: um disco que veio ao mundo na época errada". O que essas e a maior parte das críticas feitas ao lançamento diziam girava em torno de uma "saturação" do estilo. Ou seja, o problema não era o Symfonia em si, mas o chamado Power Metal ou Metal Melódico que já tinha esgotado suas possibilidades musicais. Essa interpretação, inclusive, foi feita por músicos de grandes bandas do meio aqui do Brasil.

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Ao que parece, ninguém perguntou, em 2011, o que um fã desse subgênero do Heavy Metal achou do disco feito por Tolkki e Matos. "In Paradisum" é um trabalho realizado com muita honestidade e criatividade para o estilo. É coeso, bem gravado e esbanja dezenas de melodias (entre estrofes, pontes e refrãos) que ficam na cabeça do ouvinte, e que justificam a palavra "melódico" a essa vertente. Além disso, as críticas negativas presentes nas resenhas não encontram justificativa, principalmente se deslocarmos seu conteúdo e aplicarmos a outros subgêneros. O que isso quer dizer? Vamos ilustrar com dois exemplos. Você acha que o fã do Metallica espera "inovação" ou trabalhos que remetam aos primórdios da banda? Você acha "Firepower" (Judas Priest) um disco deslocado do seu tempo, que só teria mérito se lançado décadas atrás? Pois bem, sabemos as respostas! E o que isso diz do Power Metal e do caso "In Paradisum"? Que muita gente sempre torceu o nariz (e ainda torce) para essa vertente e a maior parte das críticas negativas foram feitas exatamente por quem não é admirador desse subgênero. É a mesma sensação que eu - que não tenho apreço por Death Metal – tenho ao ouvir um álbum de Death Metal: tudo soa igual, sem criatividade ou inovação.

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Não queremos aqui afirmar que tudo no Metal Melódico é lindo e glorioso. Não. De fato, após a explosão no final dos anos 90 e início dos anos 2000, o estilo teve seus maus momentos, quando grandes bandas não entregaram seus melhores trabalhos. Mas juntar esse arrefecimento e jogar na conta do Symfonia foi bem injusto. É preciso que se diga: o Power Metal ou Metal Melódico não morreu, não está saturado e nem as bandas precisam estar se reinventando o tempo todo! Quem negaria que o Stratovarius tem lançado ótimos trabalhos (especialmente "Elysium") após a sua reformulação? Quem poderia dizer que o Blind Guardian lançou com "Beyond the Red Mirror" um disco repetitivo e sem criatividade? E agora um questionamento diferente: será que a maior parte dos fãs do Angra está satisfeito com discos cada vez menos "power" e direcionados mais ao Metal Progressivo?

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Trazendo o contexto para o nosso país, consideramos que o Power Metal vem se mantendo e se reinventando. E se o Angra parece mudar seu rumo musical, novas bandas estão aí mantendo o estilo presente e forte. Em 2017, o Soulspell lançou, talvez, o melhor disco do gênero do ano: "The Second Big Bang". Um álbum perfeito que, mais do que trazer grandes participações, brindou o ouvinte com músicas marcantes, como "The End You’ll Only Know At The End", "Horus´Eye", "Father and Son" e "White Lion of Goldah".

Se faltavam lançamentos de peso para finalmente silenciar os críticos, esse ano isso foi resolvido, e não há mais o menor sentido em falar em saturação ou algo do tipo depois de Edu Falaschi (acompanhado de uma grande banda) e o Helloween fazerem aquilo que sempre fizeram e dentro das características do estilo, obtendo resultados inquestionáveis. "Vera Cruz" e "Helloween" são obras soberbas; grandes trabalhos que serão lembrados pela posteridade e exemplos que é possível fazer música com criatividade e qualidade dentro do seu próprio jeito de fazer, sem precisar se "reinventar"! Em 2021, o Power Metal não só ganhou mais um ano de vida (depois de anos em que tentam enterrá-lo) como também se reafirmou novamente como relevante para cenário metal nacional e mundial.

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