Por que Freddie Mercury não deixava Queen fazer músicas políticas
Por Igor Miranda
Postado em 04 de outubro de 2021
O Queen tinha letras muito bem escritas, mas uma temática praticamente nunca foi abordada pela banda em suas composições: política. A decisão de não elaborar sobre esse assunto partiu diretamente do saudoso vocalista Freddie Mercury, conforme lembra o baterista Roger Taylor.
A situação foi explicada por Taylor em recente entrevista ao Music Radar. O baterista destacou que costuma abordar temáticas políticas em seus álbuns solo, como no trabalho mais recente, "Outsider", mas que havia um veto para esses assuntos no Queen.
"Acho que a grande diferença entre o Queen e este álbum solo é que eu fiz algumas que você pode chamar de canções 'políticas'. Não fizemos isso como banda. Foi uma escolha consciente", afirmou.
Em seguida, o músico explicou que o contexto da década de 1970 não era dos mais favoráveis para se discutir política dentro do rock. Especialmente no Reino Unido, havia "muita coisa pesada" rolando, de acordo com o baterista - o que motivou o veto de Freddie Mercury.
"Logo no início - e você tem que lembrar que havia muita coisa política pesada acontecendo nos anos 70 -, Freddie disse: 'Olha, eu não quero me envolver nisso. Quero rodar o mundo tocando músicas que as pessoas possam curtir. Não estou lá para entregar uma mensagem'. Ainda acho que é uma boa maneira de ver as coisas".
Mesmo abordando assuntos referentes a política e sociedade em seus álbuns solo, Roger Taylor não quer exagerar no discurso. "Não quero sair impondo regras por aí, mas espero ter conseguido ficar do lado certo na linha tênue entre o rock e a política. Espero nunca chegar ao ponto em que estou perdendo tempo no palco, pontificando sobre o que há de errado com o mundo. Freddie nunca me perdoaria", refletiu.
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