A opinião de Rafael Bittencourt sobre Antônio Pirani, ex-empresário do Angra
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de janeiro de 2022
Uma das causas que contribuiu para o fim da primeira formação do Angra após o álbum "Fireworks" (1998) foi uma divisão interna da banda em relação ao empresário Antônio Pirani. Em meio a acusações de pirataria por parte do gestor, os guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro resolveram averiguar a situação enquanto Ricardo Confessori (bateria), Andre Matos (vocalista) e Luis Mariutti (baixo) passaram a acusar Pirani. Esse racha fez com que o trio deixasse o Angra e mais tarde formasse o Shaman.
Em entrevista recente ao canal Ibagenscast, Rafael Bittencourt deu sua opinião sobre Antonio Pirani e explicou que não via o ex-empresário como desonesto e sim como "confuso" e com "falta de comunicação".
"O Antônio Pirani foi um cara muito importante para o Angra. Ele trabalhava com muita paixão e devoção. O grande problema dele é que ele era muito confuso. Era um problema de comunicação e queria agradar todo mundo. Isso não é legal para um cara que tem uma posição de líder. O empresário tem que ser um líder, que desempata: ‘Não vai ser nem desse jeito, nem desse, vai ser desse que estou falando’. Mas o que acontecia era o seguinte: se eu fosse falar algo com o Pirani, ele falava: ‘Legal, vamos fazer desse jeito’. Aí o Andre ia falar e ele dizia: "É verdade, o Rafael é teimoso. Faz sentido’. Aí o Kiko ia falar e ele dizia: ‘É verdade, vamos fazer assim, o Andre é teimoso’. No fim, todo mundo achava que ele estava endossando, mas na verdade ele estava o tempo inteiro em cima do muro e às vezes colocava um contra o outro. Criava situações complicadas, ele armava uma coisa desnecessária por causa dessa vontade de agradar. Ele queria o sucesso da banda, as intenções dele sempre foram as melhores. Eu nunca duvidei das intenções dele e sim da competência. Essa é a minha opinião", explicou.
Em outro trecho, o guitarrista disse que procura sempre fazer uma leitura positiva das pessoas com quem trabalha e deu mais motivos que levaram a desavenças na época.
"Eu gosto de fazer uma leitura positiva das pessoas com quem eu trabalho. Ele tinha boas intenções, mas não tinha expertise para gerir uma banda internacional. Ele poderia ter feito mais parcerias, mas pela insegurança e limitação, não conseguiu criar essa ponte. Tivemos o empresário do Iron Maiden interessado no Angra na mesma época que também era empresário do Helloween. Ia ser Iron Maiden, Helloween e Angra! Iríamos dominar o mundo, mas era uma fase que o Andre já queria sair. O mundo é o que é, não adianta ficar chorando pelo leite derramado. O Toninho, no fim, tinha essa boa intenção, mas ele sempre queria agradar. Ele antecipava dinheiro para quem chorasse um pouco mais, as contas não eram claras. Nunca se sabia o que tinha no caixa, quanto gastou e tal. Essa falta de clareza gerava desconfiança", completou.
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