Paulo Ricardo: "Cazuza ficou intimidado com Mulher-Repolho no Madame Satã"
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de março de 2022
Ao longo dos anos 1980, a relação entre Paulo Ricardo e Cazuza sempre foi muito forte e a dupla passou por diversas situações bizarras juntos. Um desses episódios acontecia quando os dois amigos iam para o bar Madame Satã, em São Paulo.

Segundo Paulo Ricardo, embora Cazuza fosse uma pessoa "extrovertida", certas coisas que aconteciam no Madame Satã – como uma dançarina que comia repolho – eram capazes de até mesmo de intimidar o astro do Barão Vermelho.
"A primeira vez que vi o Cazuza acanhado foi no Madame Satã. Ele era super extrovertido, mas lá tinha uma jaula com uma mulher que ficava comendo repolho! Ela ficava lá a noite inteira fazendo isso. De vez em quando ela dava um grito, aí voltava para o repolho. É tipo ir no Chacrinha. Você chega em um lugar e o apresentador é um senhor de 60 anos vestido de noiva, você não é muito louco. Esquece! Pega uma senha! Você pode ser o Cazuza, Lobão, qualquer uma. Não dá para ser mais louco que o Chacrinha ou que a Mulher-Repolho. Ela parecia aquelas mulheres de filmes de terror dos anos 1950, gigante e vestida de onça", recordou.
As histórias foram relembradas por Paulo Ricardo durante sua entrevista para o podcast Inteligência Ltda. O artista aproveitou para comentar com carinho um pouco mais sobre sua relação com Cazuza.
"Da cena do rock anos 1980, o mais próximo a mim era o Cazuza. Eu ia todo fim de semana para o Rio e ficava na casa dele. Ele morava com os pais em Ipanema. A gente tomava café, ia para a praia, saíamos pela noite e tudo mais. Eu tinha 18 anos nessa época. O Cazuza era 4 anos mais velho. Quando o Barão Vermelho ia para São Paulo, pedíamos milk shake e banana split! Tudo por conta da gravadora (risos)! Estávamos começando. Eles estouraram quando o Ney Matogrosso regravou ‘Pro Dia Nascer Feliz’. O Cazuza era filho do presidente da Som Livre, mas o Barão não foi contratado por eles", disse.
Por fim, Paulo Ricardo recordou como foi conviver com o amigo Cazuza já no período em que ele estava sofrendo com a AIDS.
"Em 1989, eu e o Cazuza fizemos um show especial em homenagem ao Erasmo. O Cazuza já estava muito magro, quase sem cabelo e de cadeira de rodas. Ele estava lá com uísque e charuto aprontando. Até o fim foi pé na jaca. Ele gravou ‘Burguesia’ deitado. Morreu atirando. Ele era uma força da natureza", concluiu.
Confira a entrevista completa abaixo.
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