Marky Ramone sobre o CBGB: "Era como um lixão, mas era o nosso lixão"
Por André Garcia
Postado em 26 de junho de 2022
Anteriormente um bar de motociclistas, o CBGB foi aberto por Hilly Kristal em 1973, em Manhattan, Nova Iorque. Originalmente, o lugar era dedicado à música country, bluegrass e blues (cujas iniciais formam seu nome).
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Foi em 1974 que tudo mudou, com o Television tocando lá em 14 de abril e Ramones em agosto. A partir daí, a casa foi se abrindo para aquele novo estilo de rock, e em seu palco também passaram a tocar regularmente bandas seminais como Blondie, Patti Smith, Talking Heads e Johnny Thunders & the Heartbreakers. Assim, a casa se tornou a meca do punk.
Íntimo daquele espaço, Marky Ramone em entrevista para a Fox falou sobre como era, de fato, o CBGB no surgimento da cena punk novaiorquina.
"O CBGB era como um lixão, mas era o nosso lixão", declarou o baterista. "Nós pudemos aprimorar nossas habilidades lá, o dono do CBGB nos deixava tocar, Hilly Kristal. Naquela época, a disco [music] e o stadium rock eram muito grandes. Um monte de lugares não queria saber de apostar naquele novo gênero musical, o punk rock. Então nós tivemos sorte de ter o CBGB, ao lado de Blondie, Talking Heads, Television, Patti Smith… Eventualmente ele ficou pequeno demais para a gente tocar. Lá cabia, confortavelmente, eu diria que 275 pessoas."
"Lá ficou muito tempo fechado. Os banheiros não tinham porta. Tinha um cachorro lá que Hilly não levava para passear, então você pode imaginar o que acontecia. Mas todo mundo estava lá: fotógrafos, produtores, empresários… Nós não sabíamos [que se tornaria uma cena], nós não planejamos aquilo. Havia uma nova forma de música sendo criada, e ela atraiu o interesse das outras pessoas da indústria musical, em diferentes níveis", concluiu.
Afundado em dívidas e problemas na justiça, o CBGB fechou em 15 de outubro de 2006, após um show da Patti Smith. No ano seguinte, Hilly Kristal morreu de complicações causadas pelo câncer de pulmão. Por ironia do destino, o local onde era o CBGB — o número 315 da rua Bowery — hoje é uma loja de roupas de grife.
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