Deep Purple: David Coverdale e Glenn Hughes relembram o caótico California Jam
Por André Garcia
Postado em 29 de agosto de 2022
O Deep Purple foi formado em 1968, mas foi com o lançamento de "In Rock"(1970) que fez sucesso. Sucesso esse que atingiu proporções globais com "Machine Head" (1972), alavancado por hits como "Highway Star" e "Smoke on the Water". Em 1974, mesmo com os então desconhecidos David Coverdale e Glenn Hughes no lugar de Ian Gillan e Roger Glover, a banda continuou em alta.
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Um evento que simboliza a grandeza do Purple na época foi o colossal e caótico California Jam. Uma extensa lista de imprevistos e problemas técnicos resultaram numa apresentação tensa e em um Ritchie Blackmore enfurecido, que chegou a atacar uma das câmeras, que teimava em ficar entre ele e a plateia. Não satisfeito, ele ainda ateou fogo nos amplificadores com gasolina e destruiu suas guitarras.
Houve quem pensou que o guitarrista estava apenas reproduzindo os rituais de destruição feitos anos antes por Pete Townshend e Jimi Hendrix. Entretanto, em entrevista para a Classic Rock, Coverdale e Hughes relembraram aquele dia, e revelaram a causa da fúria de Blackmore:
Classic Rock: Quantas pessoas estavam no California Jam, em sua estimativa?
Glenn Hughes: Tinha umas 350 ou 400 mil, no total. As cercas foram derrubadas, e todo mundo invadiu. O Deep Purple estava na linha de fogo lá. Era a primeira grande turnê de estádios para David [Coverdale] e eu. O California Jam foi enorme! Um grande momento para nós.
Classic Rock: Qual foi a história por trás da loucura do clímax do show?
DC: Era para termos entrado no palco ao por do sol, era o que estava em nosso contrato, mas o California Jam adiantou o cronograma. Mal chegamos de helicóptero, e me lembro de estar no meu camarim me servindo um whisky com Coca-Cola quando alguém chegou e disse: "Está na hora de vocês irem para o palco"
Classic Rock: Blackmore estava bem puto quando foi chamado para subir ao palco antes da hora.
DC: Ritchie queria que o Purple tivesse sido a primeira banda a usar a iluminação do palco. Ele se recusou a subir ao palco até que desse a hora acordada no contrato — e estava absolutamente certo. Eu me lembro de alguém ter dito: "Vocês sabem com quem estão lidando aqui?" Havia suspeitas de que a Máfia estava envolvida.
GH: Foi uma gritaria danada. Ritchie se trancou em seu trailer. Eles tiveram que derrubar a porta para tirar ele de lá.
Classic Rock: Teve chance de que o show do Purple não acontecesse?
DC: Sim. O organizador do festival nos falou: "Ah é? Então está cancelado. Vocês vão todos queimar na p*rra do inferno!" Ele saiu para anunciar que não tocaríamos mais. Felizmente nosso agente, Ossie Hoppe, ganhou ele em uma corrida até o palco. Ossie pegou o microfone e gritou para a plateia: "Vocês querem ver o Deep Purple?" E um quarto de milhão de pessoas gritaram: "SIM!"
Classic Rock: E quanto ao clímax explosivo?
DC: Aquilo foi um pouco longe demais, exageraram no explosivo. [Para quem assiste] parece ótimo, eu sei, mas Ritchie se queimou, Paicey se queimou, algumas pessoas da equipe se queimaram... Felizmente, nada de grave.
GH: Nós vendemos muitos discos e ingressos nos Estados Unidos depois daquilo. Aquilo foi um grande e ousado acontecimento, que merece seu lugar nos livros de história do rock.
Classic Rock: 1974 foi um ótimo ano para o Deep Purple
GH: Foi um ano fabuloso. Dava para ver a banda se entrosando no palco naquela turnê americana, que culminou na apresentação no California Jam. Era a formação MK III em toda sua glória!
DC: Ao contrário do que dizem, o Purple era uma alegria. Eu até hoje sou grato pela incrível coragem que o Purple teve ao me escolher. Eu era desconhecido antes de me juntar a eles.
Embora de histórico, aquele show levou anos para ser lançado, o que aconteceu pela primeira vez apenas em 1981 em VHS e laserdisc, mas apenas no Japão e no Reino Unido. Com o título "California Jamming", foi lançado em CD em 1996, e em 2003 remasterizado e com uma faixa extra: "Lay Down, Stay Down".
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