B. B. King sobre Stevie Ray Vaughan: "Éramos muito, muito íntimos"
Por André Garcia
Postado em 08 de novembro de 2022
O blues surgiu nas plantações de algodão às margens do Mississippi, no sul dos Estados Unidos, oriundo do lamento dos escravos. Desde então, muitos músicos fizeram história no gênero, mas B. B. King está em outro patamar — não seria nenhum exagero o colocar entre os 10 maiores de todos os tempos.
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Nascido em 1925 e batizado como Riley B. King, descobriu a música e a guitarra na igreja, mas iniciou sua carreiras nos botecos e estações locais de rádio. Famoso por sua sofisticação e seus vibratos, foi muito influente no elétrico blues da escola de Chicago.
O Rei, como também era chamado, teve uma relação bem próxima com outra lenda do blues, o texano Stevie Ray Vaughan.
"Eu conheci Stevie por meio de seu irmão", disse ele em áudio disponível no YouTube", e quando nos conhecemos de fato, nossa comunicação passou a ser mais como o relacionamento de pai e filho. Nós éramos muito íntimos; muito, muito íntimos. Ele me procurava quando estava com problemas, ligava para mim, a gente conversava... Eu amo aquele cara."
Conforme publicado pela Rock and Roll Garage, em entrevista para o especial de TV A Tribute to Stevie Ray Vaughan, em 1996, B. B. relembrou:
"Quando toco, eu meio que falo, sabe, [com] sílabas. Você diz uma frase aqui, uma frase ali, e então tenho que pensar em alguma coisa para manter a conversa. Mas o [estilo de tocar] dele [Vaughan] não parecia ter nada a ver com isso. Aquilo era fluente, ele fluía tocando. Ele captava algo e era como uma música [dentro da música], aquilo seguia e seguia. Ideias fluíam constante, eu não tenho isso. Não são muitos os que possuem isso, mas Stevie possuía."
Quem concorda em gênero, número e grau nesse aspecto em específico é Eric Clapton, que certa vez em entrevista relembrou de quando dividiu o palco com ele:
"Eu me lembro de ficar fascinado pelo fato de que ele jamais parecia perdido, em qualquer sentido. Ele nunca dava um intervalo ou uma pausa para pensar no que ia fazer a seguir, ele apenas fluía. Ele parecia uma antena receptora. Aquilo simplesmente fluía através dele, e não secava."
"Quando eu toco, às vezes eu paro e penso: 'O que eu vou fazer agora? Não quero me repetir, não quero ser pego de alguma forma.' Você meio que trava. Isso acontece com a maioria dos guitarristas, mas eu nunca vi acontecer com ele. Ele era um canalizador."
Confira abaixo B. B. King e Stevie Ray Vaughan tocando "Texas Flood":
Stevie Ray Vaughan
Após o blues atingir seu auge de popularidade durante os anos 60, na década de 80 foi considerado fora de moda. Até mesmo Eric Clapton havia o abandonado para explorar outras sonoridades. Dessa forma, coube a Steve Ray Vaughan contribuir para manter o gênero vivo e o introduzir a toda uma nova geração.
Nascido em 1954 em Dallas, Texas, onde também foi criado, aos sete anos, começou a tocar guitarra inspirado pelo irmão mais velho Jimmie. Em 1972, ele abandonou a escola para começar a tocar pelos bares locais, e em 1978 formou a banda Double Trouble. Na década de 80, ficou famoso após se apresentar no Montreux Jazz Festival em 1982, no ano seguinte gravando o solo do mega hit "Let's Dance", de David Bowie.
O guitarrista morreu em um acidente de helicóptero no dia 27 de agosto de 1990, tendo lançado apenas cinco álbuns de estúdio. Conhecido por usar truques popularizados por Hendrix, como tocar com os dentes e com a guitarra nas costas, ele chegou a o regravar com "Voodoo Child (Slight Return)" e "Little Wing/Third Stone from the Sun".
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