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Faleceu Thiago Sarkis, colaborador do Whiplash.Net e Roadie Crew entre outros

Thiago Sarkis, um dos primeiros e mais importantes colaboradores e editores do Whiplash.Net faleceu no sábado, 4 de fevereiro de 2023. Entre outras participações no site ele ajudou a moldar várias diretrizes que permanecem em uso até hoje. São de sua autoria, por exemplo, as dicas de redação que constam no manual sobre como se tornar um colaborador do Whiplash.Net.

Além do Whiplash.Net, ele também foi correspondente internacional das revistas RSJ na Índia, Popular 1 na Espanha, Spark na República Tcheca, PainKiller na China, Rock Hard na Grécia, Rock Express na ex-Iugoslávia) e outras. E colaborou com revistas brasileiras como a Comando Rock, Disconnected, Zero, Valhalla e principalmente a Roadie Crew, onde esteve durante vários anos e foi responsável por inúmeras entrevistas marcantes, incluindo Vinnie Paul, Steve Harris e Jane Schuldiner (mãe de Chuck do Death), dentre outros.

Em uma ocasião em que ele passou de entrevistador para entrevistado, ele contou para Diogo Bizotto do Consultoria do Rock qual o segredo para as excelentes entrevistas que ele produziu: "Eu estudo a história e a personalidade do músico. Certamente mais de 20 páginas para cada entrevista. Em alguns casos, cheguei a ler umas 70 páginas (Mike Patton, mas esta foi atípica). Fazer entrevistas não é fácil. Não é só sentar e fazer perguntas aleatórias ou preparar uma pauta. Tem hora certa de fazer pergunta, de participar, de ouvir e falar. Você pode se perder facilmente em uma entrevista, travar a conversa, impedir revelações que o músico estaria disposto a fazer se o entrevistador tivesse mais habilidade, irritá-lo, etc. Além de estudar, procuro organizar a minha pauta com tópicos e perguntas extras oriundos das respostas que imagino que o entrevistado vá dar. Algumas perguntas mais capciosas eu deixo para momentos oportunos, para o instante em que eu sentir que tenho controle da entrevista. Estas são algumas das estratégias que uso, mas há muito mais a ser feito e, mesmo com todas as técnicas do mundo, nada impede que uma entrevista desande e dê um resultado pífio. Talvez o que eu faça bem seja fazer falar. Ah, há algo que todo entrevistador precisa e que, mesmo com o tempo, parece ser difícil para a maioria: conter a própria empolgação, euforia ou timidez perante um artista que admira extremamente. Você certamente vai publicar a entrevista com o Dave Mustaine do Megadeth, o Bruce Dickinson do Iron Maiden, o Gene Simmons do Kiss. Porém, para fazê-la, é melhor que pense a figura à sua frente como um ser humano comum: Dave, Bruce, Gene. Tratar um músico ou qualquer entrevistado como Deus ou como alguém superior só deve acontecer quando for de interesse da reportagem e fizer bem à própria entrevista".

RIP Thiago Sarkis, obrigado por tudo!