C.J. Ramone conta como funcionava a democracia interna dos Ramones
Por André Garcia
Postado em 05 de fevereiro de 2023
Em 1989, o mundo do punk rock foi sacudido pela notícia de que Dee Dee saía do Ramones. Para a missão impossível de o substituir foi escolhido o então desconhecido baixista Christopher Joseph Ward — a partir dali rebatizado C.J. Ramone.
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Cerca de 15 anos mais novo que os demais integrantes, ele teve que encarar a rejeição e a resistência dos mais hardcore de seus fãs — e não fugiu da raia. Em 2016, 20 anos após a separação da banda, o baixista deu uma extensa entrevista, disponível no YouTube, onde relembrou aquela parte de sua história. Entre outras coisas, ele falou sobre o funcionamento da democracia interna da banda na hora de gravar um álbum.
"Embora Dee Dee tivesse saído, ele ainda fazia músicas, Joey ainda fazia, Mark começou a fazer quando eu estava na banda, e eu fiz no último disco. E tinha outros compositores externos, que mandavam músicas. Então geralmente todas eram colocadas em fita, cada um recebia uma cópia, ouvíamos separados e depois nos encontrávamos."
"Como Johnny e Joey nunca se falavam, eles se comunicavam através de Marky. Sabe, eles estavam sentados a um metro de distância, e era 'Marky, diz isso para ele', 'Marky, diz aquilo para ele'... A gente votava nas músicas que a gente queria incluir, ela tinha que ter a maioria dos votos para entrar."
"O processo em si para gravar era bem padrão, creio eu. Assim que era decidido quais entrariam, eu recebia uma fita com elas, ia para casa e aprendia todas. Agendávamos tempo em estúdio, e eu as ensinava a Johnny, e depois Johnny, Marky e eu ensaiávamos. Depois de um certo ponto, Daniel Ray chegava e polia tudo: a gente trabalhava nos compassos exatos, amarrávamos as viradas..."
"Só que eu tinha que aprender todas as letras e todos os vocais, porque Joey não aparecia naqueles ensaios. Aquela era uma das minhas atribuições na banda. Mas todo o processo era muito simples, nada muito artístico."
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