David Byrne se arrepende pela forma como conduziu a separação do Talking Heads
Por André Garcia
Postado em 29 de março de 2023
O Talking Heads quando surgiu, na cena punk novaiorquina do CBGB (ao lado de Ramones, Television e Patti Smith), despontou como uma das mais peculiares novas bandas dos Estados Unidos.
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No começo, como de costume, era um por todos e todos por um, mas logo o vocalista David Byrne despontou como núcleo criativo. Com sua proximidade do produtor Brian Eno, a banda foi passando a girar em torno dele — o que acabou desagradando a todos, inclusive a ele mesmo.
A criatividade, excentricidade e idiossincrasia da banda chegaram a seu auge em 1984, com a turnê lançada em vídeo como o filme Stop Making Sense. Conforme publicado pela Far Out Magazine, chegou ao auge também a obsessão e o perfeccionismo de seu vocalista:
"Eu acho que fiquei meio obcecado em tirar aquele show do papel", confessou Byrne. "Talvez eu não tenha sido a pessoa mais agradável para lidar naquele momento."
Dessa forma, conforme o Talking Heads crescia, também crescia o distanciamento e as tensões entre seus membros. Sua separação, oficializada no final de 1991, se arrastou por anos, como um corte lento e profundo que gerou muita mágoa e ressentimento.
Segundo o baterista Chris Frantz, "no que se refere a nós, a banda nunca realmente acabou: David que resolveu sair". Como que em resposta, certa vez Byrne reconheceu que "é bem provável que eu não tenha conduzido a coisa da melhor forma que poderia".
Em entrevista ao 60 Minutes, o vocalista revelou que o Talking Heads acabou se tornando algo do qual necessitava se livrar:
"Estou feliz por ter feito aquilo [os álbuns do Talking Heads], mas também estou feliz por não ter continuado com aquilo como minha [zona de conforto] — tipo, 'Isso está dando certo; bora fazer mais coisas assim'. Estou feliz por ter decidido que 'não; agora você precisa fazer coisas um pouco mais originais, musicalmente'. Depois de um tempo, percebi que estava muito feliz fazendo a grande variedade de coisas que estava fazendo, e os diferentes tipos de música em que estava trabalhando. E pensei: 'Por que devo trocar minha felicidade por dinheiro?'"
Desde a pandemia, David Byrne ainda não lançou um álbum solo. Em 2019 ele fez a trilha sonora da versão Bardway do filme American Utopia, de Spike Lee, que em 2021 o rendeu uma indicação ao Grammy de Melhor Álbum de Musical Teatral.
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