Para David Bowie, nos anos 80 as bandas pensavam: "Que tipo de música me tornará famoso?"
Por André Garcia
Postado em 02 de março de 2023
Ao longo dos anos 70, a carreira de David Bowie manteve o alto nível (exceto talvez pelo "Lodger" (1979)). Na década seguinte, por outro lado, ela foi marcada por um ponto alto muito alto com o sucesso de "Let's Dance" (1983), e um ponto baixo muito baixo com os álbum seguintes. Após ser alavancado às massas quase sem querer, o Camaleão do Rock se viu perdido e alienado, sem afinidades com aquele novo público.
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Em entrevista para a MTV em 1995, Bowie não escondeu que não tinha boas recordações dos anos 80.
"Quando o rock se tornou institucionalizado desse jeito? Devo dizer na colocação do primeiro tijolo no Rock and Roll Hall of Fame? Sim, diria que tem algo a ver com isso: quando começou a ter suas próprias cerimônias de premiação. Estamos passando por um novo período agora, onde acho que há um clima realmente empolgante para músicos jovens novamente. Mas houve um período — que foi dos anos 80 até o começo dos anos 90 — em que os jovens que eu conhecia estavam mais preocupados com oportunidades de carreira do que com a música que deveriam estar fazendo, e do porquê de estarem fazendo.
"Percebi que a prioridade tinha mudado e era muito diferente. Era "que tipo de música me tornará famoso?", e não "eu tenho essa ótima música e talvez possa ficar famoso através dela". É uma coisa muito estranha e ficou cada vez mais assim durante os anos 80. [Foi] meu pior período, me sentia tão um peixe fora d'água nos anos 80 que nem consigo explicar. Tudo que eu queria era que o chão se abrisse e me engolisse; me senti tão deslocado… e tão sem músicas."
Em outra entrevista, o Camaleão do Rock já disse considerar que Sonic Youth e Pixies fizeram a música mais interessante dos anos 80.
Após chegar ao seu auge de popularidade com "Let's Dance", David Bowie na segunda metade dos anos 80 gravou aquele que considerava seu pior álbum: "Never Let Me Down" (1987). Fora dos palcos, ele brilhou no cinema com o filme "Labirinto" (1986), onde interpretou Jareth, o Rei dos Duendes. Por volta dessa época ele foi também um dos pioneiros do merchandising como conhecemos hoje ao estrelar um comercial da Pepsi, ao lado de Tina Turner — dirigido por Joel Schumacher, de The Lost Boys e Batman & Robin.
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