Quando Mustaine falou o que não devia e banda saiu escoltada em ônibus à prova de balas
Por Bruce William
Postado em 13 de junho de 2023
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Durante a vida, algumas lições só podem ser aprendidas da maneira difícil. Todos nós cometemos erros com mais frequência do que gostaríamos, mas muitas vezes ganhamos sabedoria e experiência se refletirmos honestamente sobre esses erros. Dave Mustaine é alguém que entende bem o que é tropeçar e se reerguer. Ele transformou um incidente polêmico que poderia ter sido desastroso para a banda em inspiração para uma das músicas mais queridas do Megadeth.
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Vamos voltar a 11 de maio de 1988. O Megadeth estava no Condado de Antrim, na Irlanda do Norte, durante a turnê do "So Far, So Good... So What!", conforme ele contou ao Belfast Telegraph. "Eu estava aproveitando as maravilhosas bebidas alcoólicas da Irlanda. Eu fiquei impressionado por estar na Irlanda, embora eu nem soubesse a diferença entre a Irlanda e a Irlanda do Norte naquela época. Durante a tarde, fiquei sabendo que um cara estava vendendo camisetas piratas dentro do local. Disse para expulsarem ele de lá, mas daí me contaram que aquilo era para arrecadar fundos para a causa. Eu não sabia o que era. Me contaram que era uma luta entre católicos e protestantes, o que eu achei bastante foda, mas honestamente eu não sabia que eles se referiam ao IRA."
Resumindo ao máximo a complexidade do tema: o Exército Republicano Irlandês (IRA) é um grupo paramilitar que foi fundado em 1919 com o objetivo de se opor à anexação da Irlanda do Norte ao Reino Unido. O grupo é composto principalmente por católicos irlandeses e tem como objetivo unificar a Irlanda em um único país independente e, para tal, se utilizou de táticas consideradas violentas e terroristas ao longo dos anos.
Ficando cada vez mais embriagado durante o show, Mustaine provavelmente ultrapassou os limites durante uma pausa curta devido a problemas técnicos. O guitarrista relembra: "Paul McCartney havia dito uma frase que ficou famosa: 'Give Ireland Back to the Irish' ('Devolva a Irlanda aos irlandeses', em tradução livre), e se era bom o suficiente para o Sir Paul, era bom pra mim. Quando fui até o microfone eu disse 'Devolvam a Irlanda para os irlandeses. Esta é pela causa'. Começamos a tocar 'Anarchy In The UK' do Sex Pistols, alterada para 'Anarchy in Antrim'. Foi como se jogassem uma bomba na plateia, que se dividiu entre Protestantes e Católicos que começaram a brigar entre si. Mas não lembro exatamente de tudo que aconteceu".
Conforme relatou o Loudersound, na manhã seguinte, durante o café da manhã, o baixista David Ellefson criticou Mustaine pelos eventos da noite anterior. "Ele me disse: 'Aposto que você não se lembra de ter sido escoltado para fora de Antrim na noite passada em um ônibus à prova de balas, não é?' E não, eu não me lembrava. Minha resposta foi: 'Isso é foda!', mas é claro que não era foda. Ellefson certamente não achou legal. Mais tarde, quando estava sozinho, me perguntei por que diabos tinha feito aquilo. Mas todos nós éramos jovens, todo mundo estava bebendo e fumando, e estávamos lidando com muitas lutas pessoais internas".
Pouco depois, Mustaine começou a escrever o hino agora lendário, "Holy Wars... The Punishment Due". A música é politicamente e socialmente carregada expressando a frustração e a raiva da banda sobre a opressão religiosa e o terrorismo. Ela consiste em duas partes. A primeira parte, "Holy Wars", é uma introdução instrumental que define o clima para o que está por vir. A segunda parte, "The Punishment Due", é a música real que conta uma história. Uma análise mais aprofundada pode ser vista aqui mesmo no Whiplash.Net.
Junte a isso uma crescente onda de ataques terroristas no oriente médio, as Guerras entre Irã e Iraque, bem como a dissolução do bloco soviético que gera um armamento descontrolado dos países fundamentalistas, e temos os componentes usados por Mustaine na composição. Ele disse em mais de uma ocasião que não entendia como haviam líderes que não se importavam com a integridade física de seu povo e os jogavam numa suposta guerra por motivos religiosos, querendo apenas se perpetuar no poder a qualquer custo.
"Se tornou uma de nossas maiores canções. Costumamos fechar os shows com ela. O primeiro verso vêm direto de minha experiência em Antrim: 'Brother will kill brother spilling blood across the land, Killing for religion, something I don't understand' ('Irmão matará irmão/ Derramando sangue pela terra/ Matando em nome da religião/ Algo que eu não entendo')", contou Mustaine.
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