O dia que Renato Russo e famosos decidiram estudar sobre Nietzsche e deu tudo errado
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de novembro de 2023
No livro "Só Por Hoje e Para Sempre", escrito por Renato Russo durante sua estadia em uma clínica de reabilitação em 1993, o icônico líder da Legião Urbana revela um capítulo curioso de sua vida que envolveu a criação de um grupo de estudos sobre Nietzsche e a "Origem da Tragédia". A empreitada, no entanto, revelou-se um verdadeiro fiasco.
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No relato, Russo descreve como vários conhecidos famosos, incluindo figuras do universo global e da indústria musical, decidiram se unir para discutir as ideias filosóficas do renomado pensador alemão. A iniciativa, que surgiu como uma tendência no final do verão anterior, tinha como objetivo proporcionar um espaço intelectual longe das amarras de uma escola convencional, onde o anonimato e até mesmo o esnobismo reinavam.
Inicialmente entusiasmado com a proposta, Russo não demorou a perceber que o grupo estava fadado ao fracasso. Ao longo dos dois meses em que tentou participar ativamente, o que se viu foi uma queda vertiginosa no comprometimento dos membros. As reuniões começaram a ser marcadas por faltas frequentes, desculpas esfarrapadas, atrasos sistemáticos, desinteresse e, para piorar, o surgimento de panelinhas.
O músico expressa seu desagrado particular pelas panelinhas, revelando uma aversão a esse tipo de comportamento. Uma cantora em especial, que Russo descreve como insuportavelmente chata, tornou-se alvo de sua crítica. Embora Russo nunca tenha confrontado diretamente a cantora, sua passividade extremada revela a busca pela aceitação em um ambiente que, para ele, tornou-se hostil.
O entusiasmo inicial cedeu lugar a uma crescente indiferença. Russo percebeu que as pessoas ao seu redor exalavam arrogância, preconceitos e uma aura de superioridade moral. A sensação era de que o grupo não estava interessado genuinamente na discussão filosófica, mas sim em se autoelogiar. O que começou como uma oportunidade de enriquecimento intelectual transformou-se em uma amarga experiência, marcada pela desilusão e desencanto de Renato Russo.
Renato Russo e outros encontros estranhos
No mesmo livro, que desvenda o diário do artista durante sua internação na clínica Vila Serena, no Rio de Janeiro, surge um episódio peculiar que revela a complexidade das relações sociais nos círculos artísticos da época.
Convidado por seu amigo antropólogo Hermano Vianna, Renato Russo sabia que a reunião na casa de Regina Casé seria informal. Acompanhado de amigos, incluindo Moreno, filho de Caetano Veloso, o clima inicial era de alegria e descontração. Contudo, a atmosfera festiva tomou um rumo inesperado quando Renato e seus amigos se viram sendo esnobados no evento.
Tomado pelo pânico, Renato recorreu à bebida como uma forma de lidar com a situação desconfortável. Surpreendentemente, Caetano Veloso e Ney Matogrosso pareciam se divertir com a situação, e Renato encontrou refúgio com eles na biblioteca, onde compartilharam momentos musicais ao som de Elton John. No entanto, a autocrítica de Renato o fez refletir se teria dado um vexame na ocasião.
A situação ganha contornos ainda mais peculiares quando Hermano Vianna tenta consolar Renato, revelando que o grupo costuma escolher alguém para fazer o papel de bobo em determinadas situações. Em um gesto de solidariedade, Hermano busca tranquilizar Renato ao mencionar comentários como: "Não liga não, o Cazuza era bem pior".
Esse relato proporciona uma visão íntima e descontraída de um momento na vida de Renato Russo, destacando não apenas seus altos e baixos emocionais, mas também as dinâmicas sociais complexas e as relações peculiares que permeavam os círculos artísticos da época. A noite na casa de Regina Casé se revela como um microcosmo intrigante, onde as personalidades e as interações imprevisíveis dos artistas se entrelaçam, revelando a humanidade por trás das figuras públicas.
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