"Pull Me Under", o clássico que salvou a pele do Dream Theater
Por Mateus Ribeiro
Postado em 28 de dezembro de 2023
Fundada nos anos 1980, a banda Dream Theaer é o maior nome da história do Metal Progressivo e um dos grandes ícones do Heavy Metal. Embora esteja em uma posição confortável nos dias atuais, o quinteto fundado por John Petrucci, Mike Portnoy e John Myung passou por momentos complicados nos primeiros anos de carreira.
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Sem vocalista, sem contrato e com chance de ir para a Guerra
Lançado em 1989, "When Dream And Day Unite", primeiro disco de estúdio do Dream Theater, recebeu elogios da crítica especializada, porém, não vendeu muitas cópias, o que fez o grupo ser desligado da gravadora Mechanic/MCA. Charlie Dominici, vocalista que gravou o debut da banda, foi demitido por conta de suas limitações vocais. Ou seja, o Dream Theater não tinha vocalista e estava sem gravadora. Para completar o cenário sombrio, a Guerra do Golfo poderia atrapalhar os planos do grupo.
"Em uma carreira como a que tivemos, houve muitos momentos difíceis. Obviamente, passamos por mudanças de membros da banda. Lembro-me que depois do nosso primeiro disco, não tínhamos vocalista, não tínhamos contrato, nada estava dando certo. Então, a guerra estava acontecendo no Iraque e não sabíamos se seríamos convocados", disse o guitarrista John Petrucci, durante entrevista concedida à Classic Rock.
A música que mudou a história do Dream Theater
Felizmente, nenhum membro do Dream Theater foi convocado para lutar na Guerra do Golfo. Sendo assim, os músicos começaram a criar novas composições, mesmo que não tivessem um vocalista. O tecladista Kevin Moore, compositor da letra de "Pull Me Under", resolveu assumir a bronca e o microfone.
"Foi assim que as coisas funcionaram para nós – quem escreveu as letras cuidou dos vocais na demo", disse Petrucci, que não tinha grandes expectativas na época. "Para nós era apenas mais uma faixa decente que poderíamos usar no futuro."
No fim das contas, a fita demo que continha "Pull Me Under" foi parar nas mãos de Derek Shulman, que trabalhava na Atco Records. E foi assim que a sorte do Dream Theater começou a mudar.
"Ouvi a demo básica de ‘Pull Me Under’. Foi uma das quatro músicas que me convenceram de que valia a pena ter no selo."
Resolvida a falta de um contrato com a gravadora, faltava um novo vocalista. O canadense James LaBrie foi o escolhido para a vaga e logo de cara gravou "Images And Words", disco que se tornou a obra-prima do Dream Theater.

"Tive a ideia de dar um toque rouco à minha voz. Então, entrei na cabine vocal e pedi a Doug [Oberkircher, o engenheiro do álbum] para tentar algumas configurações que me fariam [a voz] parecer um pouco áspera, relembrou LaBrie em entrevista ao Loudersound.
O hit que desafiou a lógica e fez sucesso na época do Grunge
"Pull Me Under" foi lançada em 1992, período em que a programação das rádios era dominada pelo Grunge, estilo que passa bem longe do Metal Progressivo. Mesmo assim, o hit do Dream Theater começou a ser tocado em rádios dos Estados Unidos.
"Conseguimos tocar essa música no rádio e isso foi notável. Na época, o Grunge estava começando a tomar conta. Então, a menos que você fosse Nirvana, Pearl Jam ou algo parecido, as estações de rádio não estavam interessadas. Mas ‘Pull Me Under’ foi a exceção", relembrou o guitarrista barbudo do Dream Theater.
"De repente, estávamos com ingressos esgotados. Antes da música chegar às rádios, estávamos bem. Mas agora, as pessoas queriam nos ver. Ainda estávamos no circuito de clubes, mas pelo menos a banda poderia seguir em frente", complementou LaBrie.
Mais de 30 anos após seu lançamento, "Pull Me Under" continua sendo o maior sucesso do Dream Theater, além de ser a música que o quinteto mais tocou ao vivo. Segundo dados do site Setlist FM, "Pull Me Under" apareceu em 848 concertos do virtuoso conjunto.
Música mais popular do Dream Theater, "Pull Me Under" é a faixa que abre "Images And Words", segundo disco de estúdio do grupo, lançado em julho de 1992. O álbum apresenta outras músicas marcantes, como "Another Day", "Take The Time" e "Metropolis, Part I: The Miracle And The Sleeper".
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