The Who: Pete Townshend comenta o que o diferencia do protagonista de "Quadrophenia"
Por André Garcia
Postado em 09 de dezembro de 2023
Ao longo dos anos 60 e 70, o The Who ficou famoso por seu rock pesado, as melodias de Pete Townshend e suas rock operas, como "Tommy" (1969) e "Quadrophenia" (1973). Ambos são considerados por muitos fãs os pontos altos da banda em termos de criatividade.
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O primeiro fala sobre Tommy — um garoto cego, surdo e mudo idolatrado como um craque no pinball. Já o segundo é sobre Jimmy — um jovem pobre que se sente um rejeitado pela vida, e enfrenta crises existenciais com sua família, a sociedade, as drogas e até mesmo seus amigos.
Em entrevista de 1974 para a Penthouse, Townshend comentou a diferença entre ele e o protagonista de "Quadrophenia".
"Eu me identifico muito com Jimmy de várias maneiras, mas certamente não em todas. Ele é um personagem, uma invenção; e, embora possa parecer muito mais real do que Tommy, não é. Tommy foi ambientado na fantasia, mas havia algo muito real em sua estrutura. Jimmy, à primeira vista, parece um garoto simples com problemas reais, mas ele é muito mais surreal."
"Eu não me identifico completamente com as primeiras experiências de Jimmy... seu romantismo, sua neurose, sua loucura... Eu nunca passei por uma infância atormentada. Quando criança, era apenas eu, a guitarra e a crença de que se eu decifrasse o segredo do rock n roll, dominaria o mundo."
"Eu me sinto mais próximo de Jimmy quando ele chega o final do álbum [...]. Ele se entregou ao inevitável, seja lá o que for, e deixou todos os seus problemas para trás. Jimmy não se tornou nenhum tipo de santo ou sábio; ele sequer encontrou algo, muito menos a si mesmo. Basicamente, ele não vai ser diferente."
"Ele simplesmente chegou ao ponto de sua vida em que considerou seriamente o suicídio — assim como todos nós — e o fato de ter escolhido não se matar o deixou com um tremendo vazio. Uma necessidade a ser preenchida. Muitos garotos hoje tentam preencher esse vazio levantando a bandeira do rock n roll, mas simplesmente não entendem, não sentem ou não o vivem. De certa forma, eles deveriam estar totalmente imersos no rock n roll da maneira como eu estou: de uma forma praticamente religiosa."
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