A triste cena do banguela e pobre Angus Young que comoveu Gene Simmons do Kiss
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de janeiro de 2025
No final dos anos 1970, AC/DC começava a trilhar seu caminho para o estrelato, mas ainda enfrentava dificuldades para conquistar público nos Estados Unidos. Apesar de contar com Bon Scott nos vocais e de já ter lançado clássicos como "High Voltage" e "Let There Be Rock", a banda australiana não era tão conhecida.
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A persistência em turnês constantes e a abertura de shows de grandes bandas ajudaram a mudar esse cenário. Foi nessa fase que o AC/DC abriu para o Kiss, uma parceria que começou de forma inusitada, como relatou Gene Simmons em entrevista ao apresentador Adam Carolla (via Ultimate Guitar).
Simmons lembrou de um show do AC/DC no pequeno clube Troubadour, em Los Angeles, onde ficou impressionado com a performance da banda. Mais tarde, durante um lanche em um restaurante chamado Ben Frank’s, ele teve uma experiência marcante com Angus Young, guitarrista do AC/DC.
"Ele olhou para a garçonete e disse: ‘Eu quero cachorro-quente com feijão’, e depois completou: ‘Sem o pão’. Perguntei: ‘Você quer dizer sem o bun?’. Quando o pedido chegou, ele pegou o cachorro-quente, abriu a boca e começou a mastigar de lado, porque não tinha dentes na frente. Foi inacreditável. Ele não podia pagar por isso!"
Comovido com a situação e reconhecendo o talento da banda, Simmons tomou uma decisão imediata. "Eu disse para ele ali mesmo: ‘Vocês vão sair em turnê conosco. O resto do país não conhece vocês ainda, e vocês precisam estar na estrada.’ E nós os levamos."
A escolha, segundo Simmons, beneficiou não apenas o AC/DC, mas também o Kiss, que viu sua performance ser elevada pela energia e paixão dos australianos. "Toda noite eles iam lá e tocavam como se fosse a única chance que tinham. E isso nos obrigava a fazer mais, a não apenas seguir o roteiro. Precisávamos entrar no palco e fazer melhor, porque eles incendiavam o lugar."
Kiss e AC/DC
O AC/DC e o Kiss compartilharam um capítulo importante na história do rock nos anos 1970, quando os australianos tiveram a oportunidade de abrir shows para a banda norte-americana. Essa parceria consolidou a trajetória do AC/DC nos Estados Unidos e deixou memórias para ambas as bandas, como relembrou Paul Stanley, vocalista e guitarrista do Kiss. A matéria que resgata a história é de André Garcia.
Stanley descreveu seu primeiro contato com o AC/DC como um momento de revelação. Ele assistiu à banda no lendário Whisky a Go Go, em Los Angeles, e ficou impressionado com a energia crua que eles levavam ao palco. "O Angus parecia possuído, gastando cada gota de energia em cada acorde. Bon Scott, por sua vez, era o encrenqueiro carismático, aquele tipo de figura que todos queriam por perto," contou Stanley em entrevista à Classic Rock.
Pouco tempo depois, o Kiss convidou o AC/DC para ser sua banda de abertura em turnês pelos Estados Unidos. Gene Simmons, colega de banda de Stanley, também foi crucial nesse processo, reconhecendo o potencial dos australianos e oferecendo suporte em um momento em que a banda ainda lutava por reconhecimento fora da Austrália.
Stanley destacou a ética do Kiss em relação às bandas de abertura, mencionando que sempre se certificavam de que elas tivessem o melhor som possível. "Nunca sabotamos nenhuma banda. É desonesto fazer isso," afirmou. Essa atitude reflete o respeito que o Kiss nutria por seus colegas de palco e a crença de que o sucesso coletivo fortalece a cena musical como um todo.
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