Os quatro pecados capitais do Engenheiros do Hawaii, segundo Humberto Gessinger
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de fevereiro de 2025
A trajetória dos Engenheiros do Hawaii no cenário do rock brasileiro foi marcada por escolhas que desafiaram convenções e surpreenderam até os próprios integrantes. Em uma análise sobre o impacto da banda, Humberto Gessinger destaca quatro fatores que, segundo ele, tornaram "Toda Forma de Poder", primeiro grande sucesso do grupo, uma transgressão inesperada dentro da indústria musical.
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"’Toda Forma de Poder’, a primeira música do nosso primeiro disco, cometeu quatro pecados capitais. Olha a intencionalidade do Humberto quando ele dialoga com o tempo dele", destacou a escritora Julliany Mucury em live no canal Pitadas do Sal.
O primeiro pecado foi colocar duas figuras antagônicas da política mundial na mesma frase. "Colocou Fidel e Pinochet na mesma frase", relembra Gessinger, algo que, para a época, poderia gerar interpretações controversas. A autora cita a autobiografia do líder dos Engenheiros, chamada "Pra Ser Sincero".
O segundo foi a participação de um ícone da música popular gaúcha, algo pouco comum para uma banda de rock emergente. "Tinha participação de um ícone da MPG, música popular gaúcha, que é o Nei Lisboa – e a gente vai falar sobre isso."
O terceiro pecado foi o sucesso inesperado da canção em todo o Brasil. "Estourou no Brasil inteiro", o que não era habitual para uma banda vinda do Rio Grande do Sul, longe do eixo Rio-São Paulo.
O quarto pecado foi ter entrado na trilha sonora de uma novela da TV Globo, Hipertensão, o que conferiu à banda um alcance que, para muitos, parecia improvável. "Era para ser... esses caras eram para ser..."
Além da ousadia da música, Gessinger também comentou no livro as dificuldades de acesso a instrumentos musicais de qualidade na época. "Consegui que um colega do primo do pai do irmão do vizinho de um cara que tinha uma Kombi trouxesse do Zé uma Fender Telecaster. Encomendei um modelo clássico anos 60. Para minha decepção, veio uma guitarra moderninha prateada de metal. Mas era minha, e eu a adorava. Gravei esse disco com ela."
Esses elementos ajudam a contextualizar a trajetória da banda, que começou com um vocalista ainda em formação e um grupo que desafiava padrões sem saber exatamente aonde chegaria. Como conclui Julliany Mucury, "ele era um sujeito em formação, que não sabia lidar com nada do que estava acontecendo."
Confira a live abaixo.
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