Como um erro de inglês ajudou a transformar os Beatles em fenômeno mundial
Por Bruce William
Postado em 27 de março de 2025
No fim de 1963, a cultura pop estava prestes a mudar, e ninguém sabia disso tão bem quanto Derek Taylor. Jornalista britânico e futuro assessor de imprensa dos Beatles, Taylor teve um papel fundamental na forma como a banda foi apresentada ao público americano. E foi dele uma das frases mais marcantes daquela virada: "The Beatles is coming" - um erro gramatical que, na prática, virou profecia.
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A frase foi usada em outdoors espalhados pelos Estados Unidos, especialmente em Los Angeles, onde Van Dyke Parks — que viria a se tornar parceiro dos Beach Boys — morava. Parks se lembraria anos depois: "Morria de medo, morava debaixo de um outdoor que dizia 'The Beatles is coming'. Aquilo parecia o anúncio de uma praga. E teve implicações culturais no mundo inteiro", ressalta matéria da Far Out. Seria aquilo uma percepção exagerada? Nem tanto. O país estava vulnerável, ainda em luto pelo assassinato de John F. Kennedy, e prestes a se ver mergulhado no pesadelo da Guerra do Vietnã. Os Beatles chegaram no momento certo, do jeito certo.
Mas por que "is coming", se o certo seria "are coming"? Beatles é um substantivo plural. A construção gramatical correta exigiria o verbo também no plural. Só que Derek Taylor queria que a frase soasse errada. Ele queria causar estranhamento. E conseguiu. A escolha do verbo no singular dava a ideia de uma entidade única, quase mística. Era como se não estivéssemos falando de uma banda, mas de um fenômeno: a tempestade está chegando, a revolução está vindo. E foi exatamente isso que aconteceu.
Taylor conheceu os Beatles quando foi escalado para escrever uma crítica sobre um show da banda em 1963. A expectativa dos editores era que ele os ridicularizasse como um modismo passageiro. Mas o que viu no palco foi energia, carisma e uma plateia - especialmente de garotas - completamente fora de si. Taylor se recusou a seguir o script e, em vez disso, se tornou um dos primeiros jornalistas a levá-los a sério. A relação de confiança entre ele e o grupo cresceu, e pouco tempo depois ele assumiria a comunicação dos Beatles com a imprensa internacional.
Foi ele também quem entendeu, antes de muita gente, que os Beatles não eram apenas músicos de sucesso. Eles eram o símbolo de uma geração que ansiava por liberdade, irreverência e novas ideias. Ao transformar uma frase "gramaticalmente errada" em slogan, ele capturou um sentimento coletivo: o de que algo grande estava prestes a acontecer. E estava mesmo.
Na chegada da banda aos Estados Unidos em fevereiro de 1964, a profecia se cumpriu com todos os elementos de um fenômeno cultural. Mais de 70 milhões de pessoas assistiram à primeira aparição do grupo no The Ed Sullivan Show, e dali em diante nada foi como antes. Se alguém ainda achava que aquilo era exagero, bastou ligar a televisão, sintonizar o rádio ou dar uma volta na rua para entender: The Beatles is coming não era apenas uma frase. Era um marco histórico.
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