Eric Clapton relembra como era ser chamado de Deus nos anos 60
Por André Garcia
Postado em 08 de dezembro de 2022
Na segunda metade dos anos 60 a popularidade de Eric Clapton já era tamanha na Inglaterra que começaram a surgir pichações dizendo "Clapton is God [Clapton é Deus]". Muito se especula sobre como aquilo afetava o guitarrista — se o afetava positiva ou negativamente.
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Conforme publicado pela Music Radar, em entrevista de 1994 para a revista britânica Guitarrist, ele, entre outras coisas, falou sobre esse assunto.
Guitarrist: Vamos falar sobre aquela coisa toda de "Clapton é Deus" que aconteceu no final dos anos 60. Você ficou incomodado com aquilo?
Eu achei aquilo bem apropriado, para ser sincero [risos]! Acho que eu sentia que merecia pela seriedade que eu colocava naquilo. Eu era mortalmente sério em relação ao que eu fazia, [que] para mim todos os outros estavam lá só para aparecer no Top of the Pops ou para pegar mulher, ou alguma outra coisa questionável.
Meu objetivo era salvar o mundo. Eu queria falar para todo o mundo sobre o blues e fazer o que era certo. Eu cheguei ao ponto de acreditar estar em algum tipo de missão divina. Então, de certa forma, eu pensei "Sim, eu sou Deus, isso aí". Minha cabeça estava nas alturas. Eu era insuportavelmente arrogante, não era uma pessoa agradável de conviver na maior parte do tempo, porque me sentia superior e muito crítico. Eu não tinha tempo para nada que não servisse a meus propósitos.
Cream
Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton, que já tinham passagem por bandas como Yardbirds, John Mayall & The Bluesbreakers e Graham Bond Organisation, se cansaram de tocar em bandas dos outros. Com a formação do Cream, eles decidiram que era hora de se tornarem protagonistas de sua própria história.
Misturando blues, rock pesado e psicodelia, serviu de inspiração para nomes como Jimi Hendrix e influenciou a santíssima trindade do heavy metal: Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Entretanto, as constantes tensões internas entre os três não demoraram para implodir a banda.
Embora tenha durado apenas dois anos e lançado apenas três álbuns, vendeu mais de 15 milhões de cópias, sendo "Wheels of Fire" (1968) o primeiro álbum duplo a chegar a disco de platina.
Em 1993, o Cream se reuniu especialmente para sua cerimônia de introdução ao Rock and Roll Hall of Fame. A pedido de Clapton, em 2005 o trio se reuniu pela última vez para uma série de apresentações no mesmo lugar onde eles se despediram, o Royal Albert Hall.
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