A melhor coisa que aconteceu com os Paralamas após seu acidente, segundo Herbert Vianna
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de agosto de 2025
"Uma vez, o Herbert Vianna me falou: ‘Fera, desculpa eu ser repetitivo, mas você tem dois filhos maravilhosos. A melhor coisa da minha vida após o acidente que aconteceu foi o teu filho vir trabalhar com a gente e estar nos atendendo aqui na banda’." A lembrança é de João Fera, tecladista dos Paralamas do Sucesso, em entrevista ao Corredor 5.
Paralamas Do Sucesso - + Novidades
O filho em questão é Robson Gonçalves, que acabou se tornando parte fundamental da equipe da banda. Curiosamente, sua entrada coincidiu com um momento especial: às vésperas de seu casamento, Robson foi chamado para um teste com os Paralamas na área de produção. O empresário Zé Fortes chegou a pedir para mudar a data da cerimônia devido a um show marcado para o mesmo dia. A coincidência fez com que o cartório aceitasse a alteração e, no fim, Herbert e Zé compareceram ao casamento em Campo Grande — cena que Fera guarda com carinho, lembrando da emoção da família humilde ao ver os músicos de terno no altar.
Hoje, Robson expressa esse mesmo sentimento em suas próprias palavras. Em seu Instagram, escreveu: "É emocionante o fato das músicas desses caras atravessarem gerações. Eu, toda a equipe e os próprios Paralamas, temos o privilégio de testemunhar os fãs de todas as idades se emocionando de diversas formas nas apresentações, seja gritando, cantando, pulando e, muitas vezes, chorando de emoção ali na grade." Para Herbert, que sempre destacou a força emocional da música, esse reencontro entre família e arte se tornou um dos capítulos mais marcantes de sua vida após o acidente.
Quem é João Fera
João Fera, nome artístico de João Gonçalves Neto, é muito mais do que o tecladista dos Paralamas do Sucesso: ele é parte essencial da sonoridade que ajudou a transformar a banda em um dos maiores nomes do rock brasileiro.
Nascido em Seropédica (RJ), Fera começou sua trajetória musical em bailes longos com a banda RB7, onde precisava decorar até 40 músicas por noite, tudo "no ouvidômetro". Foi nesse ambiente que conheceu João Barone, então seu vizinho, que mais tarde se tornaria baterista dos Paralamas.
No início dos anos 1980, Herbert Vianna e Bi Ribeiro já despontavam com Barone, mas Fera notava uma lacuna: "Faltava uma segunda guitarra ou um teclado para segurar", recordou. O convite veio de forma inesperada, através de João Lagoa, pai de Barone, que o abordou em uma missa e revelou que os Paralamas estavam em busca de um tecladista.
Após assistir a um show no Canecão, Fera foi chamado para ensaiar. Munido apenas do conhecimento que tirou de ouvido do álbum Selvagem?, ele encarou o teste. Para sua surpresa, Herbert vibrou com sua performance e o aprovou imediatamente. Foi nesse dia que surgiu o apelido que o consagraria: "Caramba, é o João Fera!", disse Herbert.
De lá para cá, Fera participou da consolidação dos Paralamas como potência do rock nacional, contribuindo com arranjos, texturas e harmonias que deram corpo às composições da banda. Seu estilo versátil, que transita entre o pop, reggae, ska e rock, tornou-se parte indissociável da identidade do grupo.
O acidente que mudou a vida de Herbert Vianna
No dia 4 de fevereiro de 2001, Herbert Vianna, vocalista e guitarrista dos Paralamas do Sucesso, sofreu um dos episódios mais trágicos de sua vida. Ao lado de sua esposa, Lucy Needham, ele pilotava um ultraleve que caiu em Mangaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. Lucy não resistiu, enquanto Herbert sobreviveu, mas ficou em estado grave e precisou passar por um longo período de recuperação.
As sequelas físicas e de memória foram profundas. Durante os primeiros meses após o acidente, Herbert perdeu a capacidade de se recordar de fatos recentes, embora lembranças antigas permanecessem intactas. Isso fez com que familiares e médicos optassem por não contar de imediato sobre a morte de Lucy. Como explicou Júlio Ettore em vídeo publicado em seu canal no YouTube, a preocupação era evitar que ele tivesse de reviver a dor da notícia repetidas vezes. "Imagina ter que contar várias vezes para uma pessoa que seu amor faleceu. Não fazia sentido. A família foi orientada assim."
O responsável por dar a notícia quando Herbert finalmente perguntou foi seu irmão, o antropólogo Hermano Vianna. Mesmo diante da tragédia, o músico conseguiu reconstruir sua vida e retomar os palcos, transformando sua história em um exemplo de resiliência e força para os fãs e amigos.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
A música do Queen que Brian May quase proibiu de ser usada em propaganda; "Eu gosto de dinheiro"
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
A coisa no Iron Maiden que só Bruce Dickinson faz bem, segundo Steve Harris
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer
Rachel Bolan reafirma que o Skid Row nunca se reunirá com Sebastian Bach
Confessori traz um trabalho moderno, técnico e ambicioso em seu álbum solo de estreia
Chuck Billy (Testament) lembra de quando tentou ser vocalista do Sepultura
Por que Steve Vai se recusava a copiar os solos de Eddie Van Halen nos shows de David Lee Roth
Dave Grohl desabou em lágrimas após tocar "Highway to Hell" com o AC/DC
Os 11 álbuns de metal conceitual mais assustadores da história, segundo a Loudwire
O integrante que levou Tolkien às músicas do Led Zeppelin, segundo Jimmy Page

Baterista do Linkin Park tenta tocar Paralamas e é detonado: "João Barone dá de mil nele"
O álbum que fracassou no Brasil e virou hit na América Latina com outro nome
O dia em que Herbert Vianna aceitou cantar na música que o acusava de ter se vendido
5 clássicos do rock nacional que não seriam lançados hoje
O compositor dos anos 80 que Paulo Ricardo coloca acima de Cazuza e Renato Russo


