"Algo precisa ser feito, mas eu não sei o quê", diz Yngwie Malmsteen
Por Bruce William
Postado em 26 de setembro de 2025
Yngwie Malmsteen voltou a criticar a indústria musical atual, que segundo ele perdeu a força e o impacto que marcou os anos 1970 e 1980. Em entrevista ao jornalista Jordi Pinyol (via Ultimate-Guitar), o guitarrista disse que hoje tudo está "diluído" e que as gravadoras já não enxergam a música como um produto capaz de gerar valor.
Ele recordou como funcionava a engrenagem nos anos de ouro do rock: as gravadoras tratavam as bandas como mercadorias a serem promovidas e vendidas. Havia formatos claros no rádio e na MTV, e a cada tendência que surgia, contratava-se uma leva de artistas semelhantes. "Era como uma fábrica de filhotes", explicou, destacando que essa dinâmica garantia movimento no mercado, mesmo com a proliferação de cópias.
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Malmsteen citou exemplos como o grunge e o glam metal, lembrando que um grupo de destaque - como Nirvana ou Poison - abria espaço para dezenas de seguidores com sonoridade parecida. Para ele, mesmo que a qualidade variasse, havia uma lógica comercial sustentando o processo. "O motivo pelo qual isso acontecia era porque sabiam o que iria vender. Existia um formato, e se esse formato mudava, mudavam também os artistas que assinavam."
O problema, segundo o guitarrista, é que hoje essa engrenagem deixou de existir. Sem lojas de discos, sem redes de distribuição e com o domínio das plataformas digitais, as gravadoras não têm mais o que vender. "Por que gastar dinheiro em algo que não existe? Não há mais produto. Agora é apenas uma assinatura de streaming, que nunca vai gerar o tipo de dinheiro que se fazia nos anos 80."
Malmsteen comparou o impacto cultural de décadas passadas com a saturação atual. Ele lembrou que, em 1964, os Beatles apareceram em um programa de TV nos Estados Unidos e se tornaram a maior banda do mundo da noite para o dia, porque só havia dois canais disponíveis. "Se eles fizessem o mesmo hoje, no YouTube, ninguém ligaria. É isso que está acontecendo agora."
O guitarrista reconheceu que há um pequeno renascimento do vinil, mas acredita que isso não devolve o peso que um lançamento tinha no passado. Para ele, lançar um disco deixou de ser um grande acontecimento. "Não existe mais aquele impacto. Hoje qualquer um pode gravar uma música, colocar no YouTube e fazer um vídeo. Mas isso diluiu tudo. Nada tem impacto. Algo precisa ser feito a respeito, mas eu não sei o quê."
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